23 de outubro de 2014

Ah! As memórias!

E de uma hora para outra acabou. Sem motivo, sem culpa e nem perdão. Fim. Só restaram as memórias, insistentes, dolorosas e repletas de amor.
É por isso que machuca, cada memória me espeta o coração como o espinho de uma rosa espeta o dedo de quem a segura. As lembranças se acumulam no meu peito, o seu sorriso, sua doçura, suas palavras me consolando quando eu precisei, me fazendo rir quando eu estava brava. Eu acho que nunca fiquei realmente triste perto de você, porque só de sentir seu cheiro meu mundo parava de cair.
Ah, seu perfume!
E foi tão abrupto, tão inesperado... semana passada mesmo nós estávamos fazendo planos para janeiro: Nova York, neve, compras... Sabe aquela música que a gente gosta? "I wanna know, have you ever seen the rain, coming down in a sunny day?" Não me sai da cabeça que ela realmente é nossa música. E todos os nossos momentos bons ficam reprisando em loop na minha cabeça com o refrão dessa música como trilha sonora. Todas as vezes que nós tivemos discussões acaloradas sobre política, cinema, música e sociedade, todos achavam que nós estávamos prestes a nos matar, mas tão logo a euforia passava nós concordávamos em discordar e depois não conseguíamos tirar as mãos um do outro.
E cada momento é um espinho novo, mais um momento que me confunde, que em algum lugar oculta a razão do nosso fim. E eu não sei se é pior não saber a razão de fim tão inesperado ou saber que nunca mais teremos esses dias incríveis. Porque acabou de uma hora para a outra, sem motivo algum, por culpa de ninguém e sem ter que perdoar qualquer um, só restaram as memórias.

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