26 de outubro de 2014

Dejá-vu

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Meu tio está doente, está internado no hospital. Acompanhei minha mãe até lá um dia, fiquei apenas na recepção, mas em algum momento, antes de todos os outros da família chegarem, minha mãe me ligou da enfermaria e disse o estado dele. Eu desliguei o telefone e fui lá fora, o vento frio batendo no meu rosto e meu peito apertado, um aperto que me subiu pela garganta e saiu pelo olhos e pela boca.

Era como se eu tivesse 19 anos de novo, como se meu pai estivesse lá dentro e eu sentisse novamente tudo aquilo que senti antes. Eu sei que sou um dos portos seguros, ninguém realmente se preocupa como eu me sinto e espera que eu ofereça apoio aos outros. Eu não me importo, gosto de ser assim, faz com que eu me sinta forte. Mas ali, sozinha, eu lembrei tanto do meu pai, foi um dejá-vu tão forte, um momento assustadoramente semelhante aquele outro sábado em que quem estava internado era meu pai…

Fico flutuando entre as lembranças e a preocupação, cada uma pesando mais que a outra e só piora quando bate a saudade do meu pai e o medo de que meu tio também morra. Eu sei que fui construída para saber lidar com esses sentimento, e eu sei, mas isso não quer dizer que não doa. Engraçado pensar que semana passada lembrava do meu pai no sentido mais freudiano possível, quase num complexo edipiano.

Uma semana muda tudo, sempre. Não é um dia, uma hora ou um mês, minha vida sempre muda de uma semana para a outra, meus sentimentos tem esse ciclo. E esse aperto provocado pelo dejá-vu vai passar logo, alguma distração me leva pra longe dele num instante, a saudade é que não vai passar nunca.

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