8 de novembro de 2014

E queria…

2014-08-27 21.03.48

Eu queria que minha vida fosse mais complicada, desesperadora, sofrida. Eu queria ser capaz de experimentar todo aquele sofrimento que as estrelas de Hollywood tieveram em algum momento, e queria fazer como elas, fugindo para as drogas. Eu queria que depois disso eu me recuperasse e mostrasse para o mundo todo como eu sou forte e me tornasse um exemplo de força e sucesso. E queria ser capaz de levar isso para meu trabalho na música, nas artes cênicas, nos livros, desenhos… E ser idolatrada ou odiada por milhões.

E eu poderia ser assim, mas se eu fosse não seria eu. Eu sou forte e responsável, jamais teria coragem de usar drogas, apesar de sempre ter tido vontade de perder o controle. E me dá raiva perceber que eu não consigo perder o controle e fazer alguma idiotice e ser um pouco mais como eu gostaria. Eu sei que nunca vou influenciar milhões com a minha história de superação, mas eu queria chegar em algum lugar nesse caminho.

Eu queria escrever livros que fossem lidos, encenar peças ou atuar em filmes materializando as histórias dos outros, e queria ser bem sucedida com isso. Quera também ter uma vida tranquila, numa casa confortável, com filhos, marido e tranquilidade, ao mesmo tempo que essa idéia de tranquilidade me apavora porque me soa como sinônimo de chatisse.

Eu tenho em mim essa voz que me diz que meu lugar é nas artes, no teatro, nos livros, no mundo, que a rotina de advogada, por mais que seja segura, é chata. É uma voz que não se conforma com o normal, com o comum, que quer que eu viva mais intensamente e que está começando a realmente se fazer ouvida. O meu medo de tudo e de todos ainda existe, mas essa voz também e isso me acalma, porque o que vai me matar é não ter mais essa voz dentro de mim.

Essa é a voz do meu coração, que eu sempre sufoco, mas que é insistente. É a minha voz revolucionária, guerreira, artística e sonhadora. É por causa dela que eu sigo em frente nessa vida comum, o que faz com que ela as vezes fica frustrada, cabisbaixa, se conformando com menos, mas sempre viva e quando eu menos espero ela volta com força total para me trazer de volta a vida. 

Nenhum comentário: