29 de dezembro de 2015

É preciso caminhar


Eu vejo a vida como uma longa caminhada, quase um jogo de video game dos anos 90, alguma coisa entre Mario e Sonic. Estamos sempre caminhando e por vezes encontramos um obstáculo, nós caímos, nos machucamos feio, as vezes é nossa culpa, as vezes não e a única escolha que temos é ficar no chão, abandonar a caminhada e game over, ou levantar e seguir em frente. Eu caí muitas vezes nesse jogo, mas sempre me levantei e continuei, mesmo que depois de enrolar um pouco, curtindo o machucado, mesmo sabendo que continuar andando ia ser difícil. Tem sido uma longa caminhada e, confesso que, não estou em um dos meus melhores momentos.

2015 foi um ano muito bom em vários sentidos difíceis de lembrar porque a única memória que se destaca em um pensamento rápido é a dor de sair da 7, de me separar deles todo e neste exato momento a má escolha de ir pro lima. Eu sei, também foi o ano do Canadá, que a minha avó venceu o câncer, que meu sobrinho nasceu, que eu reduzi os seios como queria e várias outras coisas boas, mas elas não se destacam no meu olhar rápido, porque essas alegrias se apagam um pouco quando comparadas a dor que eu também senti neste ano. E cada vez que me lembro disso fico querendo que 2015 acabe logo e que chegue de uma vez 2016 me trazendo algum sentimento de paz, quem sabe as respostas para a crise economica do país e pessoais profissionais minhas?

Acho que é a primeira vez em anos em que eu não estou sonhando com um grande amor nesse ano que vai chegar e pensando em retrospecto de uns seis meses para cá essa foi uma questão muito pouco pensada por mim. Eu preciso me achar. Antes de qualquer coisa eu preciso me definir e 2016 vem aí para isso. Eu não vou ter paz. Eu vou ter TCC, OAB, faculdade, alemão, buscar um novo emprego para poder me demitir do meu, vou viajar sozinha para o Chile, vou me formar na faculdade e em meio a tudo isso ainda vou precisar achar tempo para curtir meu sobrinho, meus amigos, andar de skate e me achar! Eu vou ter um ano tão frenético que não terei tempo para ter paz. Em um primeiro momento a perspectiva de 2016 ser assim me assustou, desesperou, eu só queria rotina! Mas agora... Me acalmei. Comecei a olhar para o ano que vem aí como um novo caminho, um que estará me levando cada vez mais para quem eu quero ser, mesmo que eu ainda não saiba bem quem é. 

21 de dezembro de 2015

O pré e o pós operatório

Parte de mim sente como se essa cirurgia não fosse ser nada demais. Para que o escândalo? Para que todo mundo falando disso? Você quer visitar no hospital? 

Mas outra parte de mim está ansiosa, ansiedade boa, sempre se faz necessário dizer. Eu sinto como se essa cirurgia fosse mudar minha vida, como se daqui para frente tudo fosse ser diferente... E pior que eu sei que não é assim, mas fico ansiosa do mesmo jeito. 

Minha psicóloga disse que pode ser significativo, mais do que eu acho, que a cirurgia seja das mamas, algo tão feminino, tão representativo do materno. Eu que sou toda paternal, masculina... Ela disse que poderia acabar mexendo mais comigo do que eu esperava... Vamos ver.

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Sabe quando você vai cortar o cabelo e depois fica achando que o cabeleireiro cortou demais? Então! Num primeiro momento olhei meu reflexo na janela do hospital, ainda usando o avental e ele parecia tão grande em mim... Me senti muito mais delicada do que antes, como se finalmente minha figura fosse feminina.

Então hoje, dois dias depois já sinto algo diferente, quase oposto. Sinto que estou com os seios pequenos demais e isso ressaltou minhas costas e agora minha figura está mais masculina do que nunca. E eu estou inchada, então ainda por cima me sinto gorda. 

Eu sei que vai ser um longo processo até me acostumar novamente com o meu corpo, mas minha vontade era pular o processo e ir logo para as partes boas, como as roupas que poderei usar.

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Uma semana e meia depois, com boa recuperação atestada pelo médico, sem ter ficado em nenhum momento de cama, quase sem dor o tempo todo e me irritando apenas com o fato de não pode dormir de barriga para cima, começo a me acostumar com a minha nova forma. Comecei a me olhar no espelho e reparar que minha figura parece... não sei se seria correto dizer mais agradável, mas quando vejo meu reflexo os seios não são a primeira coisa que eu noto. Eu me pesei também, vi que mantive meu peso, menos o que tirei, e talvez com isso eu tenha começado a ver que eu não estou gorda.

Na verdade, hoje comecei a sentir que eu estou exatamente com o corpo que eu queria estar e é uma sensação incrível poder usar tudo quanto é roupa que eu quero sem me preocupar com o soutian aparecendo atrás. Ver as roupas servindo com facilidade e ficar feliz olhando o próprio reflexo. Não me leve a mal, eu era uma peituda um pouco acima do peso bem resolvida, mas hoje me senti um pouquinho mais feliz, como se antes eu amasse meu corpo, mas agora amo um pouquinho mais.

12 de dezembro de 2015

E 2015 que não acaba nunca?

O que dizer desse ano que foi tão atribulado, cheio de descobertas, confusões e dor?

Acho que o que vai ficar é a dor. A dor da sair da 7, de deixar para trás aquelas pessoas de quem gosto tanto, mesmo sempre voltando para visitar a dor da saudade ainda é forte e cada vez que os vejo de novo ela cresce e demora a diminuir. Dor também de ter ficado confusa, de não saber ao certo o que quero do meu futuro e ver ele cada vez mais próximo, de não me sentir em casa em mais nenhum trabalho. Talvez seja porque ainda não tive tempo disso, talvez ficando mais eu deixe de me sentir uma visita, mas por enquanto vai doendo. Dor daquela agonia de ansiedade, de medo do novo, do futuro, do fato de que simplesmente não era a 7. Dor da distância de quem foi meu mentor e eu passei a ver como irmão e dor do medo de ser um sentimento em uma via de uma mão só.  E, por que não?, dor de ter me afastado dele, que um dia foi meu amor platônico, mas que virou criança esse ano, saudades dele. Acho que o que vai ficar é a dor, a gente sempre lembra mais da dor. Mas tiveram coisas muito boas também.

2015 foi o ano em que meu sobrinho nasceu e com isso a família deu uma ampliada, porque eu meio que acabei ganhando 3 sobrinhos e não um só. Acabei ficando mais próxima do meu irmão de alguma forma e ainda não é o ideal, mas estamos muito bem. É o ano em que eu fiz o voo de parapente, achei uma psicóloga que tem me ajudado muito também e me faz ver coisas em mim mesma que eu não percebia sozinha, e também um ano em que emagreci os 4 kilos que queria, e talvez antes do fim do ano perca mais um. Esse ano também decide fazer a cirurgia de redução dos seis, e eu ainda não fiz, mas pretendo fazer daqui a uns dias, porque eu sinto que vai ser libertador de alguma forma e 2015 precisa de alguma outra coisa boa antes de terminar.

E eu que, na postagem final do ano passado, pedi por um ano diferente, com mais acontecimento tive exatamente o que queria, mas uma vez eu me lembro daquela frase "cuidado com o que você pede, pode acabar conseguindo". Eu sei que é a ordem natural das coisas, que é a vida que segue, mas nesse exato momento sinto que a vida que segue é uma droga e que mais me valia a vida parada de 2014, eu acho que lá eu era mais feliz.

Então para 2016 eu quero paz. Eu quero dar risadas, me sentir em casa, me sentir apoiada, me sentir segura. Eu quero o sentimento de 2014. Eu quero fazer um coaching para direcionar minha carreira e de alguma forma descobrir o que quero, quero passar na OAB sem sobressaltos e me formar na faculdade. Eu adoraria se eu conseguisse fazer do Skate um hobby também e fazer alguma luta seria interessante. Outra coisa que eu quero muito fazer, e vou fazer, é ir para o Chile em julho, passar pelo menos 15 dias, conhecer Santiago, o deserto do Atacama e Uyuni. São planos, os primeiros parecem os mais simples mas eu sei que serão os mais difíceis, mas mais uma vez vou eu aí, tentar fazer dar certo. É a vida que segue, espero que em 2016 ela seja mais feliz.  

10 de dezembro de 2015

No chão da livraria mais próxima

Eu criei um hábito de antes do trabalho, tendo uns minutinhos, passar na Fnac e ficar em um canto qualquer sentada no chão, lendo, escrevendo, pensando... É uma forma de meditação, um tempo meu, uma coisa que dribla a ansiedade e me traz paz. Então aqui estou eu novamente, dessa vez pensando na semana que eu tive, repensando tudo e vendo qual a melhor pauta para a terapia hoje. Foram tantas coisas... 

Acho que tudo começou no sábado, quando fui em uma festa com meu irmão e minha cunhada. Festa estranha, gente esquisita. Eu não conhecia ninguém a não ser eles dois, eles também não conheciam muita gente, mas pareciam muito mais confortáveis. Era numa casa grande, luz baixa, dj tocando mpb dançante, luz negra, pintura na pele e roupas de gente de humanas. Lá pelas três da manhã a polícia bateu, de boa, só conversaram e mandaram baixar a música. Logo depois deles, nós também fomos embora. Não que tenha sido aquele pesadelo que a ansiedade pinta, mas não foi exatamente bom. O ruim mesmo é meu irmão sempre me tratar como criança, é a tentativa de me agradar. Não agradou, mas não foi tortura também.

Depois temos a prova, que não foi bem e fiquei para a final. Tudo bem. Eu sempre pego uma subs, e o que é uma final quando se tem dez matérias? Parando para pensar, eu me superei. Sim, porque peguei uma final entre dez, porque foi um semestre sem meio período em véspera de prova, porque a turbulência emocional bloqueou muito a intelectual ao longo do semestre. Então é, estou com raiva, afinal, só me faltou meio ponto, mas estou conformada.

Temos ainda que me chamaram pra festa de fim de ano da 7. Sim, não basta deixar saudades, eles tem que ser incríveis depois também. Eu fiquei ansiosa, dessa vez uma ansiedade boa, altas expectativas, que eu sei que não serão alcançadas, mas que nascem mesmo assim. Claro que não fui a única a ser chamada, os outros dois também foram e ainda bem, sozinha eu não iria. A dani talvez não vá, mas eu e o lucas vamos. Comprei até um vestido novo pra isso... Não sei porque essa animação toda, mas fiquei muito feliz em ser lembrada, tão feliz que nem estou me pegando muito ao fato de que a L vai estar lá. É que com ela lá pode ser estranho, já que ela é minha atual chefe, mas ela é legal.

Essa semana no meu trabalho percebi isso. É que lá impera um controle de qualidade muito rigoroso e eu sei que deixo a desejar. Por um lado, é bom, tenho aprendido a ter mais atenção no que faço e a dar valor as coisas pequenas e a forma, não só ao conteúdo, porque essas coisas são importantes pra eles e pro trabalho de forma geral. Por outro lado, isso coloca uma pressão extra em cada coisa que eu faço, e também acabo me preocupando mais com meus errinhos porque sei que eles se preocupam e sei (e temo) a descartabilidade das pessoas ali. Mas no fim do dia ela é legal, meu problema é que eu tenho medo de não alcançar as expectativas dela, e por consequência, não manter as dele. Mas eu sou assim com tudo! 

Sábado, logo depois da festa tive uma briga com a minha mãe sobre isso. As expectativas dela para mim são de que eu seja como meu irmão. Bom, eu não sou e me irrita e, machuca um pouco, que ela não aceite isso e ache valor em quem eu sou.

E aí, por último, mas não menos importante, temos essa entrevista que fiz hoje. Sociedade de economia mista. O salário é maior do que o meu atual, mas é sociedade de economia mista. Eu não sei se passei, até acho que não porque fui mal na entrevista, mas o que fica dessa entrevista é maior, é a pergunta "o que eu quero da minha vida?". Se eu passasse teria um trabalho mais tranquilo, teria meio período em época de prova, teria tempo pros estudos, oab, tcc, tudo o que tinha na CET, mas com um salário melhor. Mas também teria um grande desemprego ao fim do estágio, isso comigo quase sem experiência em escritório e ao fim da faculdade. Se eu quisesse concurso isso seria bom. Mesmo. Perfeito. Mas eu não sei o que quero. Prestar concurso me remete ao vestibular e toda aquela frustração e eu não sei se quero isso de novo, apesar de estar começando a a achar seriamente que só ali conseguirei a qualidade de vida que me interessa. 

E aí? Vamos falar sobre o que?

7 de dezembro de 2015

Desamarra

É como se sair da 7 tivesse bagunçado todos meus planos, mesmo que ficar ali para sempre nunca tivesse feito parte desses planos. Eu me sinto tão perdida... Minha vontade era jogar tudo para o alto e passar um mês viajando e descobrindo o que eu quero, mas vamos ser realistas: não tenho dinheiro para isso. E se tivesse, se fizesse isso, seria apenas fugir do problema. Acho que meu futuro profissional, e talvez todo o meu futuro, depende de uma série de tentativas e erros, mas não consigo apontar exatamente o erro dessa vez. 

Eu saí do último emprego ainda no luto, ainda comparando tudo, e hoje, um mês e pouquinho depois, começo a achar que talvez eu tenha me apressado, que não era tão ruim lá, que eu tinha chances de crescer lá. É complicado, eu acho que me sinto assim por conta desse apego ao passado que eu sempre carrego comigo, então uma vozinha grita lá no fundo tentando me lembrar de como eu me sentia lá. E também... o que passou passou, é preciso focar no presente e descobrir como eu me sinto aqui e agora para não voltar a cometer o que talvez tenha sido um erro.

Hoje eu me sinto perigosamente descartável, consequentemente sinto necessidade de sair antes de ser descartada. Mas não tenho certeza de quão descartável eu realmente sou, porque não tenho noção do quão insegura eu sou. E também sinto uma constante pressão para não errar, porque um erro pode me descartar e aí entra a dosagem de insegurança também. Eu preciso apagar esses fatores do local, preciso focar no fato de estar fazendo algo diferente, na área, na aprendizagem, no trabalho, para então decidir se eu quero me manter ali. Preciso me libertar das pessoas, me desamarrar da insegurança... Preciso me empoderar para ter certeza do que eu quero. 

Preciso pensar.

5 de dezembro de 2015

Ansiedade

Eu não sei se as outras pessoas entendem o quão difícil é, para mim, fazer determinadas coisas. Eu acabo fazendo essas coisas do mesmo jeito, porque sei que são coisas necessárias, porque sei que se não as fizer vai ser pior, mas isso não diminui a dificuldade que eu tenho de fazê-las e acho que tem alguma coisa a ver com ansiedade e não acho que seja uma ansiedade saudável.

Tenho uma amiga com transtorno de ansiedade e depressão e me assusta um pouco saber que a fobia do demônio do meio dia, que eu senti algumas vezes nos momentos anteriores ao trabalho, era muito semelhante ao que ela senti diariamente, mas em escala maior. É uma angústia enorme que cresce no seu peito, sem aviso prévio e que te imobiliza, você sente que não quer fazer determinada coisa, no meu caso era ir ao trabalho, e que se eu fizesse aquilo estaria me forçando a ser infeliz. Essa sensação causa em você um torpor que exige uma força de vontade enorme para simplesmente se mexer, seja para fazer a coisa, ou seja para ceder e não fazer, porque se você fizer vai se forçar a ser infeliz e se não fizer vai ceder e mais tarde ter que acertar as contas com a realidade, e a realidade sempre cobra suas dívidas. É tão bizarro que ao mesmo tempo que você sente tudo isso, uma voz no fundo da sua mente, provavelmente seu bom senso, fica te dizendo que você tem que fazer aquilo que não quer, fica te lembrando que depois a realidade vai cobrar a conta, fica te lembrando que na verdade você sabe que se fizer aquilo não vai ser infeliz, não vai ser tão ruim quanto te parece ali, vai ser no mínimo normal. E nos momentos em que essa angústia toda não te domina você não come, porque não tem apetite, porque a ideia de comer te enjoa, e você fica irritada, descontando sua ansiedade nos outros e você sabe que não deveria fazer essas coisas, mas faz mesmo assim porque não consegue evitar.

Eu acho que essa ansiedade toda é uma das piores sensações que eu já experimentei e acho que as pessoas não tem plena consciência da força que eu preciso ter para superar a ansiedade, fazer o que devo fazer e se for algo contínuo então a força é enorme e precisa ser contínua até que a ansiedade passe e pode demorar semanas.

As vezes não tenho essa ansiedade, as vezes enfrento as situações novas com a cara e a coragem, como no caso das viagens, principalmente na última onde fiz amigos, ou como começar na faculdade em que o desespero me dominou apenas por causa do "fracasso" de não ser a faculdade que eu queria. E as vezes, em situações idênticas eu posso ou não ter os sintomas, por exemplo: minha amiga me chama para o aniversário dela onde, a princípio, vão apenas ela e os amigos dela que eu não conheço e eu vou e sou simpática e alegre e até interessada e sem ter tido nenhum tipo de pré disposição a não gostar. Então, meu irmão me chama para o aniversário dele e eu fico enjoada com a ideia de aparecer, de ter que ser simpática com os amigos dele, de me forçar a aproveitar a festa e já vou pré disposta a não gostar da festa ou dos amigos dele e sabendo que vai ser extremamente desgastante para mim essa festa, porque vou precisar de toda aquela força para enfrentar a situação. E por mais que eu diga a ele que não estou a fim, e ele saiba em parte que é porque sou "antissocial", eu acho que ele não tem noção do quão difícil é para mim.

Talvez seja tão difícil para ele entender porque ele é muito mais social do que eu. Eu mesma não entendia minha amiga porque não entendia esse sentimento, me parecia falta de força, apenas. A diferença é que eu simplesmente aceitava minha amiga e recomendava cuidados médicos e etc... Meu irmão não, ele acha que eu devo simplesmente enfrentar a ansiedade, que vai ficando mais fácil, que devo viver algum tipo de terapia de choque que vai melhorar. E eu sei que ele está errado, então geralmente nego com todas as minhas forças e causo tempestades para não ir aos eventos sociais, principalmente os que ele me convida, porque, por alguma razão que provavelmente Freud explica, a ansiedade tende a sempre aparecer nesses convites dele.

Mas hoje não, hoje eu vou enfrentar esse enjoo, esse nó na garganta e juntar toda força que eu tenho dentro de mim, mas não porque estou escutando aquela vozinha me dizendo que eu sei que não vai ser tão ruim. Não. Hoje eu vou porque se for ruim ele nunca mais vai poder recusar meus "nãos" e muito menos passar o sermão da terapia de choque.  

Um tombo da cada vez

Hoje foi meu primeiro tombo de skate, e apenas a segunda vez em cima dele.

Não, eu não estava usando proteção. Machuquei a mão e o joelho e meu tornozelo está doendo um pouco, apesar de eu não o ter batido.

Foi uma sequencia de coisas que levaram ao tombo, a primeira delas foi que eu estava na ciclovia e ela era um pouco mais lisa do que eu esperava, então ouvi um carro passar, e pode ter sido minha imaginação, mas eu juro que escutei um "ê véia" ou algo do tipo. Já fiquei abalada e resolvi ir para calçada. Mas a calçada era toda irregular e eu mais fiquei andando segurando o skate do que qualquer outra coisa. Quando chegou em uma calçada boa eu subi, mas era um pouco descida e eu acabei pegando um pouco de velocidade e, por alguma razão, não estava bem equilibrada no skate e acabei indo para trás e desci do skate com ele em movimento, porque se não eu iria cair. Bom, eu desci e o skate continuou andando, entrou na rua e foi pra baixo do ônibus. Ouvi um barulho e quando o ônibus terminou de passar vi o skate na rua, parecia inteiro, aí com carro parou para eu passar eu peguei ele correndo e agradeci o cara. O skate estava inteiro, mas o truck (acho que é assim que chama o negócio que segura a roda) foi invertido, os dois, e parecia solto. Fui levando o skate na mão até chegar perto de casa, onde tem uma ciclovia e subi de novo nele para andar, porque eu, idiota, queria saber se ele ainda funcionava. Resultado? Dei uma remada e levei um tombo enorme de cara no chão. Só não quebrei a cara, literalmente, porque segurei o impacto com a mãe, que ralou e meu joelho foi com tudo no chão também e vai ficar bem roxo.

Não vou mentir, é desencorajador. Eu estou dolorida, com o skate precisando de manutenção (desinverter o truck) e um pouco cansada. Mas a boa notícia é que eu não penso em desistir. Primeiro por causa do investimento que eu fiz, segundo porque eu sei o que fiz de errado e terceiro porque quando eu estou em cima do skate e ele está andando eu sinto uma sensação boa que eu gostaria de continuar sentindo. O que eu preciso fazer agora é arrumar o skate e começar a andar no parque. E eu também não quero desistir porque sempre desisto de tudo, porque todo mundo já acha que eu vou desistir depois do primeiro tombo, porque eu acho que é só fogo de palha meu e quero provar a todos, inclusive a mim mesma, errados. É, é uma atitude quase infantil de tão orgulhosa, mas é a minha realidade.

28 de novembro de 2015

Aprendendo coisas novas

Eu sempre falo para minha mãe fazer algum curso ou atividade nova e ela sempre diz que vai fazer, mas não faz. Isso sempre me incomodou muito, porque ela precisa conhecer novas pessoas, sair um pouco da zona de conforto dela, explorar a vida e aproveitar melhor o tempo livre. São coisas que todos deveriam fazer, na verdade, sempre, mas, quem de nós realmente faz? Quem de nós tem coragem de fazer coisas novas sempre? Aprender novos truques e, principalmente, se dispor a aprender novos truques é algo extremamente difícil. Existe uma insegurança natural que nos impede, quase um instinto de sobrevivência que se manifesta na forma de medo de parecer ridículo, será que ainda tenho idade pra isso? Será que não vou pagar mico? E se você decide fazer um curso novo, ou atividade nova sozinha então... Quem vai passar vergonha com você? Se existe alguma solidariedade na atividade de seus amigos, então, por alguma razão, existe alguma segurança. 

Eu senti tudo isso hoje. Já vinha sentindo há algum tempo, mas hoje  um pouco mais, porque antes era só o pensamento de fazer algo novo, a ideia, o plano. Mas ontem fui na loja e comprei o skate, acho que comprei mais porque o vendedor era bom do que porque pelo plano que eu tinha, mas comprei. Assim que comprei me arrependi. Imagina? Eu, quase 25 anos nas costas e decido começar a andar de skate... É demais né? Além de velha ainda não me encaixo sabe? Não sou o tipo de menina que anda de skate, qualquer um vai bater o olho em mim e sacar e me achar uma patricinha velha ridícula. Mas hoje eu coloquei o equipamento e fui pra quadra de cima tentar andar, porque por mais que eu estivesse morrendo de vergonha, sozinha e achando que todas as pessoas do ponto de ônibus estavam rindo de mim, eu gastei uma grana nesse skate e minha mãe já estava duvidando de mim, então virou uma questão de orgulho.

Foi nessa caminhada de uma quadra eu entendi o porquê da minha mãe não fazer um curso ou atividade nova. Deve fazer mais de 10 anos desde o último curso que ela fez, e ela só fez porque era obrigatório e ela estava com os amigos do trabalho. Minha mãe deve ter todos esses pensamentos que eu tive. E se para mim estava sendo difícil, eu com 24 anos, imagina para ela com 65? 

Fazer algo novo, aprender algo novo é algo que exige de nós uma coragem muito grande, mas vale a pena e se você superar as inseguranças vai descobrir isso. Não importa se você tem 15 ou 65 anos, a coragem é a mesma e o prazer vai ser também. Eu nem caí nenhuma vez e mal posso esperar para ir de novo.

16 de novembro de 2015

Demônio do meio dia

Eu sinto que preciso descarregar, mas ainda não tenho certeza do que. Aquela agonia já não me domina, mas ainda tem dias melhores que outros. Via de regra, tenho focado no futuro, é um escape fácil, se pensar muito no presente começo a sentir seu peso e não acho que possa carregá-lo. 

Acho que aprendi a cooperar, lidar com essa parte pessimista e desesperada de mim, então no inverno fico sonhando com o verão e no verão me preparo para o inverno, só não tenho certeza de qual estação estou nesse exato momento, as vezes elas se confundem.

Talvez fosse mais fácil se minha relação com a liderança não fosse tão... Inominada. Temos um vínculo em comum, alguém que eu admiro muito e por isso tenho medo de decepcionar, mesmo sabendo que eu nunca o decepcionaria, primeiro porque desfruto de uma confiança que eu não sei de onde veio, segundo, porque não é do feitio dele se decepcionar, ele é realista demais pra isso. Em todo caso fico com medo de não corresponder às expectativas dela e assim decepcionar a ele, ao mesmo tempo que acho que ela já simpatiza comigo, por causa desse vínculo e por outro lado, ainda acho que ela já não simpatiza comigo por causa desse vínculo. Eu não sei onde piso com ela e isso é assustador.

Então eu coopero, penso no futuro, que apesar de incerto é leve e cheio de possibilidades e vou levando o dia a dias sem pensar muito. O problema é que eu sou o tipo de pessoa que precisa parar e pensar um pouco, no silêncio da natureza e na calma da solidão. 

Acho que estou ficando viciada em meditação.

5 de novembro de 2015

Vamos fazer um escândalo

Imagine você que ao entregar o abstract da minha iniciação científica ao meu irmão recebi dele a seguinte opinião: "Talvez eu esteja meu chato hoje, mas você tem que parar com esse negócio de feminismo e ficar pensando nisso. Isso é coisa de mal comida". Eu não disse nada sobre esse comentário e me atentei à gramática inglesa que precisava de correção. Não que eu não tenha ficado revoltada, eu fiquei, e deveria ter entrado na briga, deveria ter discutido e mostrado que não é bem assim. 

Para uma mulher que conhece o feminismo é quase natural pensar sobre isso no dia a dia. Nós pensamos no feminismo quando estamos no metrô e um cara te olha fixamente durante mais de 20 minutos, nós pensamos no feminismo quando recebemos uma cantada, seja ela um fiu fiu, ou seja ela um "quero te chupar todinha, delícia". Nós pensamos no feminismo quando o instrutor da auto escola fica colocando a mão na nossa coxa, e quando o senado ignora nossa opinião sobre estupro, mesmo que nós sejamos a grande maioria de vítimas desse crime. Nós pensamos no feminismo porque temos que aguentar diariamente o machismo, mesmo quando ele aparece em sua forma mais sutil, não tem nada a ver com a nossa vida sexual. Aliás, outra demonstração de machismo: ser "mal comida" implica que o cara que me comeu não o fez direito... Eu não tenho controle nem sobre isso?

É triste escutar esse pensamento do meu irmão, principalmente depois de que, em uma de nossas conversas sobre o assunto, eu fiquei com a certeza de que ele tinha entendido nossa luta. Ele claramente não entendeu. E eu, ao me calar e mudar o assunto da conversa, fui cúmplice do comportamento dele. Porque não adiante pesquisar o assunto, ver vídeos e textos no facebook e não se manifestar diante de comentários assim. Parafraseando a Jout Jout: temos que fazer um escândalo.

Claro que a reação dele foi quase que natural, ele (nós) foi criado por uma mãe machista, num círculo social machista, estudou em uma faculdade machista e alguns de seus amigos foram acusados de estupro na CPI da USP e ele deve estar de saco cheio. Eu entendo a reação dele. Mas também entendo que o mundo está mudando, que ele e os amigos que ouviram a vida toda que pegar mulher bêbada é mais fácil vão ter que aprender que isso também é crime. Porque nós estamos aprendendo a fazer um escândalo e ele vão ter que aprender a viver nessa nova realidade, que ao meu ver é muito mais justa. 

Perder privilégios não é fácil para ninguém, mas a mudança vai vir mesmo assim, porque está chegando nossa vez e nós nem queremos privilégios, queremos apenas a equidade.

1 de novembro de 2015

Perspectiva

Eu tenho estado em uma crise tão grande na minha vida que acabei perdendo uma coisa muito importante: perspectiva.

Hoje dando uma olhada em alguns arquivos antigos do meu computador me lembrei de uma coisa que meu pai disse uma vez ao meu irmão, talvez até tenha dito para mim também, mas não me recordo. O que ele disse foi que nós devemos, de tempos em tempos, fazer um planejamento do futuro, mas não algo para o ano que vem, um planejamento de vida inteira. É algo extremamente difícil de se fazer, mas é algo importantíssimo para adquirir perspectiva. Ter um objetivo distante, um sonho é o que nos move, e eu tenho estado tão bitolada com minha realidade que não faço isso há algum tempo.

Eu achava que queria ser advogada da ONU, ajudar os pobres africanos, viajar bastante e ser rica, assim, sem motivo algum, apenas ser rica. Hoje, com os pés um pouco mais no chão, acho que quero ser advogada sim, e acho que quero ser advogada cível, ainda que recentemente isso tenha me parecido chato. Na verdade, eu estou em dúvida entre três campos: cível, administrativo e tributário. Estou tentando tributário e vamos ver se eu gosto, estou tentando ir de peito aberto e não tenho odiado ou achado inútil como quando eu trabalhava com cível, apesar de saber que estou trabalhando para o demônio (aka Banco).

E, por ter o pé mais no chão, sei que não vou conseguir ficar só nisso, sei que vou querer fazer mais alguma coisa da minha vida que pode ser a escrita, e/ou o teatro. São duas coisas que quero fazer e estou decidida a fazer no máximo no primeiro semestre após a faculdade. É que ano que vem é OAB e TCC, se no último semestre da faculdade eu estiver mais livre posso adiantar o curso de escrita, quem sabe? Não tenho certeza se vou fazer jornalismo ainda, mas quero dar um jeito de melhorar minha escrita para lá na frente ganhar dinheiro com ela também, ou mesmo nem ganhar, só ser lida já seria bom. Já o teatro vai ser uma tentativa de realizar um sonho, talvez continue fazendo parte da minha vida, talvez não, isso vou ver depois de começar as aulas.

Algo que recentemente me fez brilhar os olhos foi dar aulas, acho que pode ser uma boa forma de alimentar meu ego, e eu sempre gostei de estudar, porque não dar aulas? O único medo que eu tenho quanto a isso é não ser boa, se eu não for, não vou insistir, não quero ser como alguns professores que eu tenho que estão ali só por estar.

Pensando nisso decidi algumas coisas para minha vida: no último semestre da faculdade, ou no semestre imediatamente seguinte vou fazer um curso de extensão do novo CPC, no semestre seguinte vou fazer minha pós na área que eu estiver trabalhando, que deve ser uma das três acima. Quero fazer o teatro nesse meio tempo e o curso de escrita criativa também. Acho que vai ser quase impossível, mas é o que pretendo. O teatro e o alemão seriam só de sábado, de modo que acho que posso encaixar, a extensão eu levo numa boa com a faculdade e o trabalho, ou se fizer no semestre seguinte faço o curso de escrita criativa junto. E a pós é só duas vezes por semana, dá pra fazer.

A única coisa que eu não tenho certeza é sobre a advocacia, onde irei exercê-la, se na administração pública, se em uma empresa, ou se em um escritório. É algo que eu acho que terei que ir na tentativa e erro e talvez eu esteja ficando melhor nisso, superei mais rápido a mudança para este escritório então... quem sabe?

No meu futuro imediato eu sei que quero passar na OAB, entregar meu TCC e me formar. Depois disso fazer o curso de extensão do novo CPC, um curso de escrita criativa e então teatro e pós, isso sem largar o alemão. Depois da pós talvez eu faça mestrado, para dar aulas, mas não tenho certeza se é necessário, então talvez só o faça se eu realmente achar que o magistério é para mim. Daqui a uns 15 anos eu me vejo advogando, escrevendo e dando aulas, além de com uma família. Não tenho certeza de onde vou estar, se em SP, ou no litoral, se no Brasil ou em outro país, mas hey, tenho meio caminho andado na coisa da perspectiva, conte suas vitórias.  

28 de outubro de 2015

A Onda

Eu lembro quando eu era criança, tinha seis ou sete anos, e estava na escola desde os cinco, ou antes ainda. Eu não tinha muitos amigos, na verdade, eu não tinha nenhum amigo, passei a ter amigos apenas depois dos oito anos, e a escola não era algo que eu amava, mas eu também não odiava. 

Tinha um menino que implicava comigo, e claro que você vai dizer que é porque ele tinha uma quedinha por mim, mas a verdade é que, pensando em retrospecto, ele fazia bullying comigo, foda-se as razões dele, eu me sentia mal e o evitava. Não tenho certeza do peso que esse menino teve no que se passou, mas achei pertinente mencionar.

Bom, eu não me lembro exatamente como foi, lembro apenas que um belo dia eu fiz birra e não quis ir para a escola, minha mãe estava viajando e deixaram que eu fosse com meu tio buscá-la, mas então teve outro dia que eu não quis ir e fiz birra e dizia, como da primeira vez, que queria ficar com a minha mãe. Não lembro se essa foi a última vez, ou se teve mais uma, o que eu me lembro é que minha mãe, muito brava comigo porque precisou faltar no trabalho, me levou a um psicólogo. Eu fiquei muito feliz de não ir a escola, e de ficar com a minha mãe, mesmo que ela estivesse puta comigo, porque eu não estava fazendo birra, eu verdadeiramente sentia que não queria de jeito nenhum ir a escola e queria ficar com a minha mãe. O psicólogo(a) me fez algumas perguntas e depois conversou com a minha mãe e comigo, mas não lembro o que foi dito, sei que no dia seguinte e nos outros fui à escola e o que houve comigo nunca mais voltou a acontecer.

Eu lembrei disso esses dias porque acho que o que tenho sentido esses dias tem muito a ver com isso, eu não posso ter certeza porque não lembro com clareza, mas o sentimento me soa parecido. É uma ânsia horrível que me invade e eu não quero ir ao trabalho, quero ir para casa, queroe chorar e não consigo e quero minha mãe, por mais que eu saiba que minha mãe não é do tipo fofa que vai me consolar. Esse sentimento vem sem razão alguma, e eu sei que uma vez que eu estiver no trabalho não vai ser tão ruim. Mas ele sempre vem, alguns dias mais fortes que outros, e alguns dias mais rápido que outros... Me lembra um pouco o mar. Tem dia que parece o mar revolto, de ressaca, e ele quase me engole, tem dia que é uma marola suave que molha só meus pés. Eu não me afogo nesse mar, eu sempre vou para o trabalho e cumpro com as minhas responsabilidades com um sorriso no rosto, que alguns dias sai com mais dificuldade, e no fim do dia estou feliz.

Não sei de onde vem essa felicidade também, acho que é porque mais um dia passou e deu tudo certo, acho que é porque estou saindo de lá e indo para casa, acho que é porque o trabalho simplesmente não é ruim. E por um breve momento eu quase esqueço a onda que quase me engoliu mais cedo, no começo da tarde, por pior que ela tenha sido. Quase, porque no fundo eu sempre sinto um pouco de medo da intensidade com que ela vai voltar.

26 de outubro de 2015

Have you ever seen the rain?

Não me pergunte por quê, nem que mesma saberia dizer.

Está tudo bem, está tudo caminhando, estou aprendendo e, mais rápido do que eu esperava, estou superando a mudança, acho até que posso estar gostando. Mas não estou tranquila. Não consigo, não deixo esse sentimento bom me dominar, fico com meu coração apertado a espera de alguma coisa que dê errado.

Não sei de onde vem essa expectativa negativa, não sei de onde tirei essa ideia de que algo vai dar errado, é só uma questão de tempo. Cadê aquela confiança no X quando preciso dela? Eu estava tão cheia dela antes de começar e agora parece que ela evaporou!

Talvez minha mãe tenha razão, talvez eu fuja do sucesso. Talvez eu tenha razão, talvez seja só uma questão de tempo até dar errado.

Acho que escutei vezes demais aquela música... Someone told me long ago, there is a calm before the storm...

25 de outubro de 2015

São Paulo


São Paulo é parte de quem eu sou, e eu sou paulista da gema, Corintiana e bairrista, tenho birra com carioca, happy hour é no barzinho da Augusta, passeio é na Paulista e acho o Centro lindo e poético. Sempre estou louvando a minha cidade, tecendo comparações com as outras, e o sentimento de "estar em casa" em outra cidade só se deu em NY... Acho que pelo ritmo. Então a ideia de morar em qualquer lugar que não fosse São Paulo sempre me soou estranha, eu sempre imaginei que eu não conseguiria, em 2010 eu fugi de Franca e de uma faculdade pública, sem nem tentar, porque não era SP.

Porque Sampa tem luz própria, tem uma vida que pulsa nas suas ruas e avenidas com uma força inigualável, tem variedade, força... Capital gastronômica do mundo, vida cultural agitada e intensa, acho que a cidade com maior poder econômico e político do país, esses dias foi citada pela prefeita de Paris como exemplo em gestão de transporte!

Mas esses tempos de "crise do quarto ano" me deram outra perspectiva. Na faculdade a maior parte dos meus amigos é do interior e uma amiga começou a se questionar esses dias se gostaria de continuar em SP depois de formada. É que o ritmo de vida em São Paulo é muito intenso, porque é caro, é uma das cidades mais caras de se viver no Brasil e, por consequência, se trabalha mais, muito mais. Ela pontuou que na cidade dela, no interior do estado, a vida era mais barata e tinha mais qualidade, que talvez voltar para o interior e trabalhar lá não fosse a pior coisa do mundo, na verdade, talvez seja muito melhor do que viver em São Paulo.

Com isso eu comecei a me questionar, porque a crise que ela vem tendo, eu também tenho. Agora estou trabalhando na iniciativa privada e vejo os advogados entrando as nove da manhã no trabalho e saindo as sete da noite, ou ainda mais tarde. Essa minha amiga trabalhou em dois escritórios onde ela saía às 10h da noite, e em um deles ainda precisava levar trabalho para terminar em casa. Que vida é essa? Isso não é viver, é sobreviver, é você viver em função do trabalho. No último escritório que trabalhei vi três advogadas, amigas, falavam quase que o dia todo dos filhos pequenos, uma das crianças nem idade para escola tinha ainda, e eu ficava imaginando que droga de vida, porque elas trabalhavam dez horas por dia, mal deviam ver os filhos. Fiquei me imaginando naquela situação e fiquei tão incomodada. Eu não quero ter um filho só para conversar sobre ele com as minhas amigas no trabalho, quero ter um filho e curtir a criança, poder ajudar na lição, jantar junto, tomar café da manhã junto.

Eu tenho percebido que um dos pontos mais fortes da minha crise do quarto ano é que o ritmo de vida dos advogados que eu vejo por aí não é o que eu quero para mim. Percebi que eu tinha uma idéia muito fixa do que eu queria para meu futuro e agora essa ideia vem se quebrando diante dos meus olhos. Hoje já não olho com preconceito para concursos, na verdade tenho olhado com os olhos quase brilhando, porque seria uma forma de ter uma qualidade de vida boa. E também venho abrindo o leque para outras cidades.

São Paulo é ótima, eu amo essa cidade e o fato de que ela tem inúmeras possibilidades de coisas a serem vividas, mas quem eu estou enganando? Eu não curto nenhuma dessas possibilidades. Eu adoro saber que tenho vários parques a minha disposição, mas vou sempre no mesmo; amo saber a quantidade de lugares para se passear, mas sempre vou pra Paulista, ou um dos dois Shoppings perto de casa; sou apaixonada pela ideia que tenho inúmeras possibilidades de teatros, cinemas, shows, exposições... mas eu nunca saio a noite. Para dizer a verdade, talvez eu não seja apaixonada por SP, talvez eu seja apaixonada pelas possibilidade de São Paulo.

Claro que na região que eu moro e frequento cada lugar que passo tem uma história para contar, me traz uma memória a mente e eu sempre tive dificuldade de abandonar o passado, então abandonar a cidade não é fácil, mas eu estou ficando mais disposta. Estou considerando porque, se eu fizer isso, sei que não vai ser uma abandono cru e seco, ainda venho visitar, até porque não vou conseguir abandonar a minha família, muito pelo contrário.

Então comecei a abrir minha mente para outras ideias: concurso público, inclusive em cidades do litoral e interior próximo (no máximo Sorocaba, porque não sou obrigada a viver muito longe do mar, e restrinjo ao estado, porque ainda não quero cortar o cordão umbilical); magistério, porque dar aulas em faculdades pode ser algo interessante, a vida acadêmica pode ser algo bem legal, ainda que eu não tenha certeza sobre exercê-la só; trabalhar em empresas, porque eu não sei, só trabalhei em empresa pública, mas acho que é diferente do que trabalhar em escritório e acho que pode ser um diferente bom; realmente tentar o jornalismo e/ou o teatro, porque acho que seria uma boa forma de dinamizar minha vida e talvez ser uma válvula de escape, não necessariamente não remunerada; e a última ideia, e mais hipotética do que as outras, é a de ir morar em outro país e quem sabe não voltar. Quem sabe? Ir para estudar e melhorar minha vida acadêmica e me deixar ficar após o Master, dependendo de como for lá.

No momento tudo faz parte dos planos das ideias, mas é tão bom ter ideias! E é tão bom estar disposta e seguir todas elas e trabalhar em direção a elas! É um peso que eu tirei do meu peito.   
 

15 de outubro de 2015

Confiança

Uma amiga minha me disse: "Nossa, mas você confia nele mesmo, né?" e mais uma vez uma pessoa de fora me mostrou como eu me sentia. Não tinha consciência do quanto eu confiava nele até escutar aquela frase e perceber que ela tinha razão. E eu não sei quando foi que comecei a confiar assim nele, acho que ganhei isso com o tempo, talvez tenha vindo junto com a amizade e a admiração, só sei que um dia minha amiga disse essa frase e eu soube que era real.

Ele insistiu um bocado para que eu fizesse a entrevista, durante quase um ano ele sugeriu para mim que a fizesse e eu neguei, disse não, não era minha área e de repente... ok! Eu faço. Porque se ele insistiu tanto talvez ele tenha razão, talvez ele deva saber melhor, talvez ele veja algo que eu não estou vendo, porque, afinal, ele está vendo de fora. Ele a conhece, ele me conhece, talvez seja mais que uma sugestão de "olha, tem uma oportunidade aqui", talvez seja algo mais premeditado da parte dele. Mas veja, tudo isso são conjecturas, eu não sei se é realmente assim, eu estou dando um salto no escuro, de venda, e braços abertos, só porque ele disse que eu devia fazer isso.

Confiança, isso é confiança. É eu fazer uma coisa sem questionar os motivos dele porque eu confio nele. Eu fui sincera com ela, sei que pode não dar certo e o fato de eu ter sido honesta me desonera de qualquer culpa futura por abandono precoce. Pelo menos eu vou ter tentado, o que consola a mim, e vou ter sido sincera, o que deveria consolar a eles, ou pelo menos evitar surpresas. É engraçado, eu nem se quer perguntei porque ele sugeriu que eu fosse, mas eu fui, vamos ver como é, porque, de verdade, o que eu teria a perder?   

Hoje, agora, sinto como se a despedida da CET tivesse me feito mais forte, sinto como se agora eu estivesse realmente pronta para mudar, começar algo novo. É como se o escritório tivesse sido meu rebound sex e agora eu estivesse pronta para me apaixonar de novo. Foi triste me despedir deles, talvez eu até sinta saudades, mas a função deles mesmo foi me desintoxicar na CET, sanar meu período de luto e talvez me preparar um pouco para o que está por vir.

Eu sempre acho que o fato de eu passar um ano novo diferente significa que passarei um ano diferente... talvez eu tenha alguma razão. O ano nem acabou e tanta coisa já aconteceu!

Papéis

Eu descobri recentemente o meu apego aos papéis, era algo bastante óbvio, mas eu não via, precisei ajuda para enxergar e uma vez que o fiz foi como se algo tivesse entrado no eixo na minha vida. De repente tudo fazia mais sentido e ao me dar conta do que se passava eu decidi enfrentar o problema.

Sim, porque por mais que eu sempre tenha gostado de desempenhar papéis e fizesse de tudo para cumprir bem o meu (independente de qual fosse e onde fosse) isso acabou virando um problema quando eu passei a achar que eu era só aquele papel. Eu acho que o fato de eu o  desempenhar bem acabava encobrindo alguma insegurança minha, que eu nem sabia que estava lá, e quando o papel terminava, ou mudava, eu ficava com a sensação de não pertencer àquele grupo, procurava um novo papel para desempenhar em em outro lugar.

"Eu não sou o meu papel" virou quase um mantra nessa última semana e é incrível como fiquei mais leve com ele. Envolve certa dificuldade, a de confiar em mim mesma, mas eu vou tentando, porque em contra partida tenho mais convicção de mim mesma. Nunca foi só o papel, tinha eu também e nisso existe algo substancial. 

19 de setembro de 2015

Crise do Quarto Ano

Não se trata de uma crise exclusiva do quarto ano de faculdade, algumas pessoas a sentem logo no primeiro, outras no terceiro, outras só depois de formadas, de modo que a época varia bastante e os sintomas também. Tem gente que sente essa crise quando o escritório em que trabalha é abalado pela crise econômica, outros simplesmente enjoam de onde estão, alguns se deparam com ela ao encontrar mais uma vez um escritório que não agrada, e outros ainda podem estar absolutamente felizes, mas simplesmente não se dão por satisfeitos. O que é a crise do quarto ano? Você não entendeu ainda?

A crise do quarto ano é quando você começa a questionar suas escolhas, repensar seu futuro, suas certezas caem por terra e você fica absolutamente perdido e sem saber como será seu mundo após a formatura, não importa o quão certo você estava dele a alguns meses atrás. A crise do quarto é você começar a se questionar se o que você quer para sua vida é o que você se preparou para fazer até agora, é você olhar ao seu redor e não ter certeza de que você decidiu certo quando preencheu a ficha de inscrição da faculdade. No meu caso ela se manifestou quando eu mudei de trabalho e vi que aquele dia a dia não era o que eu queria para minha vida, pelo menos não agora que eu estava vivenciando ele e aí bate um desespero porque você já cursou mais da metade da faculdade, não pode abandonar agora, e muitas vezes nem quer, então entra em crise sobre seu futuro. Essa crise é bem semelhante a do terceiro ano do colegial, quando você faz a escolha, é o futuro batendo a sua porta e você não ter certeza se quer abrir porque não sabe o que quer que ele seja.

Eu escolhi cursar Direito principalmente porque depois de formada eu teria um leque de opções para trabalhar. Eu posso ser juíza, promotora, procuradora dos mais variados órgãos, professora de faculdade, advogada nas mais diversas áreas, delegada, analista ou mesmo técnica em algum concurso, além exercer funções não diretamente ligadas ao direito, como assessoria à administração de empresas, trabalhar em ONGs e algumas outras opções. É realmente um leque invejável, mas hoje já não tenho certeza se é necessariamente bom isso, porque é exatamente esse leque que me desespera. Por um lado, é bom que ao ter essa crise no Direito posso me deslocar dentro da minha área, fazendo assim valer a faculdade, mas por outro lado não conheço todas as áreas, não tenho como saber sem tentar e tentar diversas áreas agora é um pouco arriscado, porque se eu quiser ser efetivada preciso ficar um tempo em algum lugar. E atualmente fico com medo da semelhança entre as diversas áreas, as coisas semelhantes são exatamente as que eu não gosto e eu começo a me questionar se o que eu realmente quero está na área do Direito.

É assustador e não sou só eu que tenho sentido essa incerteza com o futuro, alguns colegas meus também, por diferentes razões, como eu disse acima, mas é algo que é muito mais recorrente do que eu esperava. Um amigo disse que o melhor é a gente parar de pensar no futuro, no pós formado, dedicar nossos pensamentos ao hoje e ao agora, ver o que nos desagrada no presente e tentar mudar isso para fazer com que ele fique mais agradável. O futuro? O pós formatura? Isso a gente vê quando chegar a hora, com essas coisas foram o presente. Talvez ele tenha razão, e não é como se eu fosse desistir da faculdade e fazer outro curso a essa altura do campeonato, até porque eu gosto do direito, mas é difícil esse viver um dia de cada vez, muito difícil.

18 de setembro de 2015

O verão está chegando

O verão está chegando, mas parece que o inverno vai ser longo.

Eu queria estar feliz, queria estar sentindo aquele clima bom de caminhar na Av. Paulista no fim da tarde e sentir uma paz inenarrável no meu peito, sentir vontade de sorrir para os prédios e me imaginar em um filme, caminhando livre, leve e solta pelo maior ponto turístico da minha cidade. Essa Avenida é um lugar no qual eu sempre me senti em casa, que às vezes me enjoava a paisagem, mas no qual eu nunca me senti acuada.

Bom... as coisas mudaram.

Eu não me sinto acuada, mas se no meu tempo livre eu puder ir para outro lugar, ou pelo menos para um ponto mais distante do meu trabalho eu agradeceria, só para não ter que lembrar dele quando eu não quero. Outro dia eu fui visitar meu antigo trabalho e cada canto daquele centrão me dava tristeza e saudade, eu nunca pensei que fosse sentir falta daquele lugar que muitas vezes me deu nos nervos e o qual eu nunca realmente apreciei até trabalhar ali. Ah! Que saudade do centro!

De novo, eu vivo repetindo isso para mim mesma e para os outros: não é que eu não goste do meu novo trabalho, é só que... é só que não é o meu antigo. Eu acho as pessoas ali legais, elas são simpáticas, educadas, boas pessoas, o trabalho não é algo que eu deteste ou que eu não entenda e as horas são absolutamente normais, nunca fiz hora extra e nem nunca precisei me matar para dar conta. Eles não exigem nada demais de mim, nunca me destrataram ou deram motivos para não gostar deles, aliás comparando a algumas experiências de alguns amigos eu até acho que tive muita sorte e que estou reclamando de barriga cheia.

Mas por outro lado eles não entendem muito bem meu senso de humor, não há muito espaço para piadas ou amizades, é como se fossem todos colegas e só, simpáticos e educados, mas sem grande interesse na sua vida, pelo menos não mais do que o necessário. São todos muito focados no trabalho, até porque tem bastante trabalho e as conversas e brincadeiras não podem atrapalhar isso, ou algo poderia dar errado, o escritório poderia perder clientes, dinheiro e você certamente perderia seu emprego. Em geral os advogados não fazem horas loucas, mas sempre fazem um pouco de hora extra para dar tempo de fazer tudo e eventualmente trabalham de fim de semana, alguns estagiários também fazem hora extra, mas nada demais. Mas eu não consigo deixar de torcer o nariz para isso, não consigo deixar de achar um absurdo que eles tenham apenas por colegas aquelas pessoas com quem passam a maior parte dos dias. Eles não conversam quase nada, mas passam mais tempo com essas pessoas do que com os filhos, ou a pessoa com quem escolheram passar o resto da vida. Eu me sinto sufocada só de pensar em viver assim para sempre.

E vamos falar em promoção? Venhamos e convenhamos, quem você promoveria, eu, que faço meu trabalho o suficiente para ir embora, ou o outro estagiário que faz o trabalho dele e ainda pede mais e fica mais tempo para dar conta de tudo? Eu faço o meu e, se eu achar que não vai dar tempo, quando o advogado for me passar mais digo não, que já tenho muita coisa. Me irrita não poder me dedicar tempo o suficiente para cada processo, me irrita não conhecer todos os processos e que todos eles sejam muito parecidos, que tudo o que eu tenha para fazer seja sempre muito igual. E o trabalho não é exatamente novo, eu não estou aprendendo muito, a maior parte das coisas eu já aprendi, já sei o que fazer, como fazer. Eu queria ver coisas diferentes e fazer peças, poder exercitar meu poder de escrita mesmo, elaborar teses e ver o processo nascer e desenvolver na minha mão. Ali tem tanto processo, tanto processo igual, que eu não vou poder fazer isso. Como vou evoluir profissionalmente assim?

E uma coisa leva a outra. Eu não realmente conheço meus chefes, não sei o que eles pensam e nem o que eles gostam, somos colegas, e assim não crio nenhum tipo de admiração por eles. Por causa disso acabo não me importando com o que eles pensam de mim e não me esforço para agradá-los. Como o trabalho é repetitivo e não é novo, eu não aprendo nada e aí é outro fator desmotivador que me leva a não me esforçar nas tarefas, porque não me acrescentam muito. Eu não me importo em agradar meus chefes e não tenho motivação para me agradar com novos conhecimentos e assuntos diferentes, então simplesmente não me esforço nada. Eu tenho vivido no maior metro-boulot-dodo, como eles mesmos e aí me sinto mais desmotivada ainda com a perspectiva de um futuro assim, e aí vivo cada vez mais assim, talvez até como medida de auto sabotagem, para não ser promovida e viver assim sempre e aí entramos na "crise do quarto ano", mas sobre isso falo depois.

Meu antigo trabalho me estragou para vida, essa é a verdade. Talvez todos esses desgostos acima sejam simplesmente para mascarar que eu estou de luto por ter saído dele. Talvez eu tenha esse sentimento de insatisfação com o novo porque realmente não quero deixar o velho. E pode ser que seja pelas pessoas, em certo nível éramos apenas colegas e não conversávamos quase nada fora do trabalho, mas por outro ângulo éramos amigos, eu me importava com eles, conhecia o gosto de todos, admirava a todos eles e me esforçava para agradá-los. Eu queria fazer um bom trabalho para que eles de alguma forma achassem mais de mim, ficava brava comigo mesma quando errava alguma coisa, porque eu me importava com a opinião deles e com o bom desenvolvimento do trabalho. E eu me importava com o trabalho porque estava sempre aprendendo alguma coisa nova, era muito dinâmico, eu buscava as tarefas, não me importava de ficar até mais tarde e me sentia próxima dos meus superiores o suficiente para poder dizer que tinha preguiça de trabalhar e eles sabiam que mesmo falando isso eu iria me esforçar naquela tarefa. Eu podia fazer piadas (e eles entendiam meu senso de humor) e descontrair de tempos em tempos e se isso me atrasasse, ou nos atrasasse tudo bem, porque eu não me importaria de ficar até mais tarde. O trabalho não era só trabalho, era convivência, era até prazeroso.

Eu não sei. Tenho uma amiga que trabalhou lá comigo e disse que seu eu estou insatisfeita porque acho que posso encontrar um outro lugar como lá vou me frustrar enormemente. Claro que eu disse que não era tão ingênua, mas para falar a verdade, talvez eu seja. Porque fico pensando que deve existir sim um lugar onde as pessoas trabalhem e se importem com o trabalho, mas não só com o trabalho, se importem também uns com os outros. Um lugar onde eu possa me sentir a vontade para ser eu mesma e tenha prazer em ir trabalhar porque vou encontrar amigos e fazer algo que me interesse.      

Faz um mês que mudei de trabalho, mas parece uma eternidade e hoje, em meio a esse calor absurdo que fez, até pensei que ainda bem que o verão está chegando, que o inverno vai passar, que vai ficar tudo bem daqui a pouco. Mas foi um sentimento passageiro, logo eu já sentia o inverno de novo e acho que tinha razão, ele vai ser longo, mas muito mais severo do que eu esperava.

17 de setembro de 2015

Me deixa sorrir

É engraçado, vc passa meses trabalhando com as mesmas pessoas, você conversa com elas, dá risadas e faz amizade. Então você sai e, mesmo que mantendo algum tipo de contato, quando você volta para visitar fica um clima meio estranho. Você fala das mudanças na sua vida, conta sua vida nova, mas quem ficou não tem muitas novidades. Quem ficou escuta, olha, sorri, conta um pouco como as coisas estão, mas com receio. 

É quase que um medo de que ao conversar muito, ao falar demais como as coisas estão você vai se sentir mal, vai sentir saudades. Eu já sinto saudades. Eu sinto saudades todos os dias, para falar a verdade, saudade é quase que a única coisa que eu tenho sentido desde que saí e vocês falarem ou não da vida aí não vai aumentar... Acho que isso é impossível de ser feito.

E que nem se fale em me chatear com os relatos, me sentir entediada. Isso não acontece porque, se você quer saber, tudo o que eu tenho mais vontade de escutar é sobre como está a vida aí. Eu vou me sentir mal, vou sentir saudades irremediáveis, mas não vou me chatear, jamais vou me entediar. No máximo vou sentir um pouco de ciúmes e um nó na garganta, e me chame de masoquista, mas eu acho que quero sentir isso. Talvez assim eu sinta que ainda faço parte desse lugar que eu nunca pensei ser tão importante para mim.

Eu não sei o que me prende, não tenho certeza de como me soltar ou de como me sentir bem de novo. Não tenho ideia de como foi que eu me apeguei tanto a esse lugar ou mesmo se quero me desapegar. O que eu queria mesmo era voltar a rir e sorrir como antes. Eu sinto tanta saudade daquele bem estar, daquelas risadas.

15 de setembro de 2015

Leva meu desamor

Ela estava sentada na cama, lençól quase que enrolado no corpo e ele buscava sua roupa no chão e começava a se vestir. Ela só queria que ele fosse embora logo, que ele não fosse embora nunca, que ele apagasse a luz e ficasse ali com ela em silêncio.

Uma vez vestido ele se virou para ela, sentou na cama ao seu lado e durante alguns segundos eles permaneceram em silêncio, olhos nos olhos e o coração acelerado. Depois desses longos segundos ele abriu a boca para dizer alguma coisa, mas ela não deixou, virou o rosto e o empurrou para longe de si. 

Ela não tinha o mínimo interesse no que ele tinha para falar. O que ele poderia dizer que a faria se sentir melhor? Ele provavelmente diria que ela não deveria se sentir culpada, mal sabia ele que ela tinha bem claro na cabeça que aquela culpa não era dela para ser sentida. Ele era comprometido, ele deveria respeitar a esposa, ela... Ela o amava e seu único arrependimento era esse: amar quem não era minimamente digno de seu amor.  

Enquanto o via se afastar sentia vontade de gritar, mas não tinha certeza do que. Em sua memória ainda estava fresca a lembrança da noite proibida que haviam tido juntos, do beijo proibido trocado na noite anterior, semente de toda a culpa que ela sentia. Não por ele, mas por ela mesma. Sentia culpa por se deixar amá-lo e contentar-se com essas migalhas de amor que ele lhe dava.

Ele saiu do quarto apagando a luz e em silêncio, ela ainda escutou quando ele fechou a porta do apartamento, só então se deitou novamente para tentar dormir um pouco. A manhã estava chegando e levaria essa noite embora, com sorte levaria também seu desamor.

12 de setembro de 2015

E se eu interpretei tudo errado?

 Eu li de novo e nessa nova leitura interpretei tudo de forma diferente. Agora acho que não vou ser chamada, vou simplesmente mudar de ideia e deixar essa história para trás e eu não quero isso. Não quero abandonar esse desejo de voltar. Era um lugar onde eu me sentia em casa, eu podia ser eu mesma e aqui não posso. Sabe quando você deposita todas as suas esperanças em alguma coisa? Eu não queria fazer isso, mas foi o que eu fiz e agora estou mal de novo pensando que essa vontade de voltar vai ser só uma vontade mesmo e me dói o peito pensar nisso. 

A ideia de ficar onde estou me... Me enoja um pouco. É um sentimento estranho e eu não sei de onde vem já que eu acho todos ali simpáticos, mas se assemelha muito ao que eu sentia quando pensava em estudar em Franca. Eu não mudei de ideia quanto a isso. Mas esse enjoo veio também quando eu vi que iria estudar no Mackenzie e eu gosto da minha faculdade...

Eu sei. Um dia de cada vez e eu vou conseguir passar por todos eles. Mas eu tenho pressa, eu quero saber agora o que vai acontecer. Se minha vida fosse um livro ou uma série eu estaria all over the internet procurando spoilers.

Ai que angústia! Que impaciência! 

10 de setembro de 2015

Eu sonho longe

Eu olho as cartas e mesmo, sabendo que eu não devo tirar para mim mesma, eu tiro. Eu tiro e quando não mistra um futuro que me agrada, que me faz sonhar e ficar satisfeita eu choro. Choro e fico com raiva porque mentiram para mim, porque eu não vou ter o que tanto faz meus olhos brilharem quando me sinto insatisfeita com meu atual trabalho. E é choro de tristeza, coisa rara em mim. Choro de amargura por não ser tão querida, tão respeitada quanto queria. 

Então eu tiro de novo, uns dias depois. E mesmo sabendo que pode não dar certo, que posso quebrar ainda mais meu coração, eu deposito todas as minhas esperanças naquilo. E quando aparece que meu futuro vai ser do jeito que eu quero... Ah eu fico parecendo uma criança que ganhou o melhor presente do mundo de natal. Eu fico feliz, meus dias ficam mais leves, meu humor mais agradável e meus pensamentos? Meus pensamentos estão lá no futuro imaginando como vai ser quando eu estiver lá, eu sonho longe e sonho alto.

E eu sonho sem base nenhuma. 

Vamos ser realistas aqui: eu não acredito em Deus, mas acredito no destino e na minha cabeça as cartas me mostram meu futuro por me mostrarem meu destino. Tenho plena consciência de quão tosco isso é, de que as cartas são só um monte de imagens que eu interpreto como eu "quero", mas é tão boa a felicidade e o alívio que eu sinto quando elas me mostram que vai dar tudo certo. É tão bom ficar nessa bolha de alegria! Eu sei que não é racional, mas eu acredito nas cartas. E sei que não é racional eu ter essa vontade tão grande em voltar a trabalhar com meus ex chefes, até porque, eu estou gostando de onde estou, mas eu sinto isso e não vou reprimir. 

Sei que o futuro está ali na esquina e logo eu chego ali e talvez quando eu chegue eu já tenha mudado de vontade, meus sonhos sejam outros, ou eu simplesmente fique arrazada porque as cartas "mentiram" para mim e o futuro que eu sonhava não é o que eu vou encontrar. Mas enquanto isso eu vou sonhando, quase uma obsessão, um escape, um jeito de lidar com a realidade

28 de agosto de 2015

Eu choro

Talvez eu o veja como meu irmão mais velho. Aquele bem mais velho. Talvez eu o veja assim porque nunca tive muito contato com meu irmão mais velho mesmo. Talvez seja a possibilidade de perder contato com mais esse irmão mais velho que me desespere e me deixe com essas crises de choro. 

Eu sei que ele gosta de mim, sei que em alguma medida ele também me vê como uma irmã mais nova, mas eu fico me perguntando em que medida, se não é coisa da minha cabeça, se ele sente por mim esse carinho que eu sinto por ele. Até porque ele não demonstra, ele deve ser o melhor jogador de poker da mundo. 

Eu acho que simpatizo até com a esposa dele, sem nunca conhecer. Acho que em alguma medida eu a acho incrível e a idolatro um pouco. Um misto de admiração e inveja que me dói um pouco admitir... Talvez nem seja inveja, talvez seja ciúmes...

E eu choro, choro com a mera possibilidade de perder o contato, choro com a possibilidade de não perder o contato, choro porque já não faz parte do dia a dia, porque sinto saudades, porque não sinto a apreciação... Eu choro. 

É a primeira vez que me permito sentir algo assim, que não barro essa tristeza nem fujo, é a primeira vez que deixo meus sentimentos fluirem. Talvez seja mais dolorido, talvez seja o caminho das pedras, mas acho que estou indo bem, estou me sentindo bem, sentindo que a minha reação é a correta. Entenda, eu não gosto dessa tristeza e incerteza, mas acho que é o que eu deveria sentir.

22 de agosto de 2015

Quando entender não é tudo

Eu entendi, entendi mesmo o porque de sentir o que sinto, mas isso não quer dizer que não vai mais doer. Talvez esse seja o grande aprendizado, entender que as vezes dói e que não vai parar de doer só porque se descobriu onde está machucado. Leva tempo para cicatrizar e enquanto isso vai doendo, mas cada vez vai doendo menos.

Em meio a dor me lembro que é um mal necessário, que nada é eterno e que tenho um porto seguro, um porto que nem sei se é tão seguro assim, mas com o qual estou contando. E entre um nó na garganta e um sentimento de que "eu não sou obrigada" percebo que fui estragada para a vida, que gostar demais de uma coisa que não tenho mais fez com que todas as coisas que viessem depois disso não fossem tão importantes. Isso alivia a pressão neste lugar novo, mas me impede um pouco de me dedicar como deveria, até por uma questão de aprendizado.

Eu estou tentando lidar com tudo de uma maneira diferente, mas não é fácil. Eu tenho que ignorar meu instinto me dizendo para engolir e aguentar, tenho que me deixar sucumbir um pouco, mas não demais porque a vida segue... É um equilíbrio em que eu ainda preciso descobrir o ponto certo.

E nesse novo jeito de lidar eu percebi que entender não é tudo quando nós nos deixamos sentir, entender não faz a dor sumir, só nos faz saber o porque ela está ali. Só o tempo vai resolver essa dor. Não é falta de criatividade, lugar comum, ou fraqueza, é só a verdade: o tempo é o melhor remédio.

20 de agosto de 2015

O que será que é...

Eu passei a semana toda tentando saber o que era, o que era que me sufocava e deixava aquele nó na minha garganta. Resolvi não engolir. Resolvi por pra fora, chorei até soluçar, até meu rosto ficar inchado e eu sentir sono de cansaço. Eu fiquei esgotada. E depois de falei, falei sobre estar triste, contei que sabia ser irracional, mas que simplesmente sentia aquilo. Me deixei perder o apetite e a força de vontade pra vida, não tentei racionalizar e foi por um escorregão que eu pensei que uma hora ia passar. No fim o que eu fiz foi me deixar sentir aquela dor sem especular sua origem, deixando ela extravasar, sem tentar conter. Me deixei ser vulnerável e mais que isso, me deixei parecer vulnerável. E o mundo não acabou, nada explodiu e ninguém morreu, só eu que fiquei mais leve sem nem entender direito o que se passava. Foi diferente e enriquecedor. 

E nesse tempo me questionei sobre minhas decisões e sentimentos, as primeiras eu tinha certeza, eram fruto de raciocínio lógico, eu tinha agido corretamente e não me arrependia, ainda que não tivesse certeza de quais decisões tomaria no futuro, resolvi deixar o tempo fazer seu trabalho aí. Meus sentimentos... Esses me confundiram. Afinal, porque tanta saudade? Porque tanta necessidade de manter contato? Porque o medo de estar longe? Será que eu não estava sentindo algo a mais? Será que eu não estava reprimindo nada porque era o correto a fazer?

Foi só com ajuda que eu comecei a entender o porque dessa saudade desenfreada, desse nó na minha garganta me sufocando. Eu entendi que eu estava em um lugar novo onde tenho que lutar para obter a confiança dos outros, onde eu sou inferior hierarquicamente e tenho menos poder, onde as pessoas que lidam comigo vão me patronizar e eu não vou ter a liberdade que tinha. Eu tenho que provar meu valor de novo. Onde eu estava meu valor já estava provado, eu tinha poder e a confiança dos outros, eu era tratada de igual para igual. Eu me sentia em casa lá, como se tivesse achado meu lugar no mundo, porque lá eu era tratada de igual para igual. Talvez pela primeira vez na minha vida as pessoas que eu respeitava e admirava não me tratavam como inferior, me tratavam como igual.

E essa saudade é nada mais do que o desespero que me batia ao ver que agora eu não mais me veria em uma relação onde alguém que eu admiro me respeita igualmente, mas em uma relação onde eu vou ter que provar que sou igual. Lá onde eu estava nunca tive que provar nada a ninguém, foi tudo natural e sem eu perceber. Eu não sinto saudades porque amo, pelo menos não como eu temia, eu sinto saudades porque aquela confiança que tinham em mim era o que me sustentava e eu sinto falta desse apoio. Foi a única vez que alguém que eu admiro confiou em mim, me vendo como um igual, sem me subestimar por causa da minha posição inferior na relação, ou me inferiorizar, mesmo se as vezes eu fizesse isso comigo mesma.

Foi com ajuda que percebi que isso pode ser a raiz de muitos problemas. Ser inferiorizada, me deixar ser inferiorizada, pode ser a raiz de eu não conseguir me relacionar. Relações iguais são o que faltam na minha vida, lugares onde eu posso assumir quem sou e o que eu sinto sem receio de ser inferiorizada. Eu preciso aprender a não me deixar ser inferiorizada.

E é mais uma daquelas coisas que parecen tão bobas, mas que fazem tanto sentido que me surpreende nunca ter percebido isso sozinha.

16 de agosto de 2015

O que me aguarda amanhã

É difícil deixar para trás algo que foi, ou que é, importante para nós. É difícil sair de um lugar onde me sei querida e competente para abraçar novos desafios cheios de novas inseguranças para mim. É difícil deixar para trás pessoas especiais por quem temos carinho porque sabemos que é o que devemos fazer.

Eu sei que vai ficar tudo bem, que vai dar tudo certo e que eu vou ser feliz, meu problema é outro. Meu problema é a mudança, é não estar mais na minha zona de conforto com pessoas que me entendem tão bem, por quem tenho um carinho imenso. Mais do que medo de não gostar do novo emprego, eu tenho medo de gostar. Medo de esquecer ou passar por cima de tudo o que esse emprego do qual eu saí significa pra mim. Eu tenho medo de esquecer essas pessoas que foram tão importantes na minha vida, medo de que elas deixem de ser importantes.

Eu acho que posso ter um sério problema de apego ao passado. Eu não gosto de seguir em frente por medo de deixar o passado ir embora, mesmo sabendo que este é o certo, o natural... Que vai me fazer bem. Deveria ter um meio termo aí, um jeito de nós sempre seguirmos em frente, mas sem abandonar o que já faz parte de mim. Sem ficar com uma sensação de vazio cada vez que olhamos para trás. 

Eu sei que vai ficar tudo bem, que eu vou ser feliz, mas eu preferia não ter a mudança.



14 de agosto de 2015

Despedida

Um abraço que me fez chorar. Dizer tchau não é fácil, muito menos quando a despedida é de um grupo de pessoas com quem você conviveu durante um tempo relativamente longo. Nessa despedida eu sabia que iria chorar, só não sabia quando.

E eu comecei a chorar quando a porta do elevador fechou e ele começou a descer. Depois de um dia todo se despedindo, dando abraços, agradecendo votos de sucesso e sorte e focando na organização das coisas finais, para que tudo ficasse ok após a minha saída, para que ela se desse de forma suave. Eu sabia que iria fazer falta, que eu era necessária ali e que as pessoas gostavam de mim, mas sabia que tinha que ir embora, que era o melhor para o meu futuro e até para o meu presente. Eu nunca terminei um relacionamento, mas quando comecei a chorar me senti terminando um relacionamento com alguém que eu amava muito.

O que mais me balançou não foi o geral, o geral atendeu as expectativas, o que me balançou e colocou o nó na minha garganta foram os abraços finais. O Dr. foi um fofo como sempre, a Vivi uma linda, devo muito a eles dois e me despedir deles só não foi mais difícil que me despedir do meu chefe. Ele me ensinou tudo o que eu sei, ele tem um senso de humor parecido com o meu e as vezes eu nem tenho certeza se não gosto dele demais. Quando ele me abraçou e agradeceu, disse que se precisasse de alguma coisa era para ligar... Quando eu li o que ele escreveu no meu cartão de despedida... Eu vou sentir tanta falta dele. Sentir falta dessa sintonia, da companhia dele e da amizade e no que ele escreveu ele disse que sentiria falta disso também. E isso me dói a garganta porque eu, apesar de saber minha necessidade e que ele gostava de mim, não esperava que eu fosse importante para ele como ele é para mim. Talvez, mais uma vez, eu tenha subestimado o efeito que eu causo nas pessoas.

E eu não sei o que vai ser da minha vida daqui a um ano, quem dirá cinco, mas acho, eu espero que uma coisa não mude: minha vontade de voltar a trabalhar com essas pessoas fantásticas e com ele novamente. 

7 de agosto de 2015

Perdas

Não tem palavra que possa ser dita que suavize a dor que você sentirá. Não tem jeito certo de lidar com isso, não uma regra, uma conduta correta. No fim, o lugar comum tem razão: só o tempo ajuda. Tem gente que chora muito, tem quem fique com raiva do mundo, tem quem aja como se nada houvesse acontecido e tem quem misture tudo, em todos os casos a dor está ali, do jeito dela, adaptada a pessoa, mas ali, ocupando o espaço que lhe cabe naquele coração.

Tem gente que vai te dizer para ser forte pelo outros, tem gente que vai fazer piada querendo que você dê risada, vai ter alguém que vai compartilhar com você um silêncio confortável e alguns com quem o silêncio vai ser ensurdecedor. Sempre vai ter alguém te lembrando do tempo, da ordem natural das coisas, de uma outra perda (sua ou de quem te fala), vai ter quem chore muito, quem chore nada e a grande maioria não vai ter ideia de como agir perto de você, mesmo que finjam saber.

E cada perda gera uma reação diferente, sua, dos outros, na vida. Algumas, mesmo que possam ser as mais doídas, geram alterações imperceptíveis. No fim, é só o tempo que vai amenizar aquela saudade gritante que você vai sentir, ele que vai trazer as mudanças e te ocupar com novas rotinas. O tempo vai curar a ferida, mas a cicatriz vai estar sempre ali.

27 de julho de 2015

A brisa da mudança em um coração afundado na saudade


A pouco tempo meus planos se esfacelaram e eu fui obrigada a me confrontar com uma realidade que eu vinha adiando a algum tempo. Eu não tentei adiar mais porque sabia que não deveria, mas a cada currículo enviado meu coração afundava um pouco. Ao mesmo tempo eu sentia uma brisa revigorante a cada vez que eu pensava nas novas possibilidades que o dinheiro e a mudança me trariam. Eu sentia a brisa com o coração afundado. Fui chamada para uma entrevista, fiz uma redação sincera e senti que disse coisas demais, mas quando achei que não tinha sido chamada fiquei brava, minha redação estava ótima! Hoje recebi a ligação, fui contratada. Senti a brisa com o coração afundado mais do que nunca. Eu queria sorrir, mas não sentia minhas pernas e naquele momento isso era excludente.

Eu quero essa mudança, é o melhor para mim, se eu não tivesse essa mudança ficaria frustradíssima, mas sinto que para que ela aconteça eu preciso abandonar algo incrível que eu preferia que fosse eterno. Aquele lugar me ensinou tudo o que eu sei, meu chefe me ensinou tudo o que eu sei. A paciência dele, o humor dele, o senso crítico... o bom humor de todos ali, as piadas, as conversas, debates, o aprendizado que eu tive com cada um deles... Se no que nós somos está nossa bagagem de vida e o que nós éramos, eu posso dizer com orgulho que na advogada que vou ser está um pouco de cada advogado do DJ2/DJ1. E eu sinceramente não imaginava o quão importante seria esse estágio na minha vida, o quão incríveis seriam os meus superiores, os advogados e as meninas do administrativo.

E, por mais que eu não tenha certeza do que eu acredito, eu acho que tudo acontece por um motivo, e trabalhar lá serviu não só para me construir profissionalmente, mas pessoalmente, trazendo leveza aos meus dias e agregando conhecimento de mundo, do mundo vivido pelas pessoas ali. Seu meu próximo trabalho for metade do que foi esse eu já vou ser vitoriosa. Eu acredito que se eu estou indo para esse outro escritório também há uma razão e isso me traz uma tranquilidade boa, não me dá vontade de me enfiar em baixo da cama chamando pela minha mãe como mudanças geralmente fazem comigo. Eu acho que vou gostar, se for muito ruim eu saio e busco outro, até nisso haveria aprendizado e eu também estaria tranquila, porque agora eu sei que em algum lugar existem advogados incríveis em quem eu vou me espelhar a vida toda.

E o coração afundado continua ali, morrendo de saudade desde já, mas feliz por sentir essa brisa de mudança no ar.

19 de julho de 2015

Auto encontro no papel

Eu nunca assisti a uma retrospectiva de final de ano na globo, mas vira e mexe faço uma retrospectiva da minha vida. Não necessariamente do ano que passou, mas dos últimos tempos, dos últimos aprendizados, acontecimentos. Eu gosto de tirar alguns minutos e fazer um balanço da minha vida, parar e avaliar onde estou indo, se estou indo à algum lugar. E ultimamente tenho sentido necessidade de fazer isso, seja porque acho que minha vida, como está, está prestes a mudar, seja porque não faço essa retrospectiva a algum tempo.

Teve um tempo em que eu sempre podia ver claramente como estava evoluindo, seja como pessoa, seja na vida (que a sociedade estipula como crescimento na vida). Eu entrei na faculdade, comecei a estudar francês, fazer estágio, fazia natação, terapia e passeava com o cachorro da minha avó, ia na padaria... meus dias eram cheios e ocupados e eu me sentia caminhando para um futuro sólido e brilhante. O tempo passou, eu mudei de estágio, saí da natação, dei um tempo na terapia e fui indo na faculdade. Viajei para o Peru e para o Canadá, passei ano novo em NY e carnavais no nordeste. Voltei para a terapia, continuei no mesmo estágio, continuei indo na faculdade, troquei o francês pelo alemão e deixei de passear com o cachorro da minha avó, as vezes nem na padaria eu vou. Agora quero mudar de estágio, penso sobre a OAB e o pós faculdade, sobre pós, estudar teatro, morar fora, lidar com a família e os amigos...

E com toda incerteza do futuro eu me lembrei do ensino fundamental e das aulas de história, quando todo começo de ano nós escutávamos que estudamos a história porque precisamos saber do passado para entender o presente e construir o futuro.

A verdade é que eu entrei na faculdade de direito querendo fazer justiça, querendo mudar a vida das pessoas, eu pensava em mudar o mundo, mas com o tempo, e cumprindo a profecia do meu pai, eu fui ficando cínica e percebi que o direito não serve à justiça ou a mudança social, mas ao dinheiro. E vendo as pessoas ao meu redor terem dinheiro fez com que eu quisesse ser uma delas. Cansa ter que fazer cálculos matemáticos antes de cada compra, cansa o peso na consciência depois de passar o cartão, eu só queria ter dinheiro para deixar de me preocupar com isso. E talvez isso me trouxesse felicidade, mas ser um agente da mudança, ainda que no microcosmo, também me trás. E quando eu entrei na faculdade eu queria escrever um livro, ler muito, sonhava em ser escritora, como os grandes escritores brasileiros que se formaram em direito, mas viviam da escrita. Com o tempo isso foi se perdendo, eu fui deixando de acreditar em mim mesma, fui me perdendo. Esse fim de semana eu me achei. Eu quero sim escrever, quero escrever um livro, uma novela e um filme, quero viver da escrita sem abandonar o direito porque ambos me fazem feliz.


Eu tenho um plano. Eu vou passar na OAB, me formar, fazer um curso de escrita criativa, outro de escrita de roteiro, enquanto faço teatro e junto dinheiro para morar fora. Não sei o que vou estudar lá fora. Não sei se uma nova graduação, não sei se uma pós ou mesmo se vou realmente fazer isso, mas nestes planos estão estudar jornalismo ou letras também. Um amigo me disse que eu estou indo à todos os lugares e a lugar nenhum. Ele tem razão. A verdade é que eu não tenho ideia do meu futuro a longo prazo, eu quero ser feliz, ter dinheiro e qualidade de vida e sei que não vou conseguir ter tudo isso, com ou sem um plano a longo prazo. Eu tenho medo do meu futuro, mas não de passar fome, por alguma razão eu tenho uma certeza infundamentada que nunca vou ficar tão mal, mas tenho medo de não ser feliz. Eu não quero que no meu trabalho tudo tenha a ver com dinheiro e esse seja meu único objetivo de vida, mas me desespera que mesmo que não seja, vai acabar sendo.

E eu vou seguindo, sabendo que vou precisar dar um jeito de ser advogada e escritora, com a ajuda da internet talvez nem seja tão difícil. Vou seguindo percebendo que no plano profissional as coisas se perderam, mas já se acharam e que no plano pessoal eu estou começando a me entender só agora, aliás, entender eu já me entendia, mas agora estou começando a me aceitar e, quem sabe, isso seja tudo o que eu preciso fazer.

16 de julho de 2015

O futuro te prende


Me dê liberdade, vivo por ser livre.

Carinho, paixão, risadas, isso tudo a gente sempre encontra em um amor, qualquer forma de amor, mas a liberdade, essa só o amor de verdade dá. Liberdade para estar com, ou sem, o outro, para desapegar porque a gente sabe que sempre volta. É uma raiz que nos prende ao chão, onde está nossa origem, nossa razão, nosso ombro amigo e o nosso maior porto seguro. É o amor que nos permite voar para longe e por muito tempo até, porque nós sabemos que quando quisermos voltar ele estará lá pronto para nos receber, porque quem ama de longe ama de perto também.

É difícil viver esse amor de longe, deixar a família, os amigos e até o bichinho de estimação para morar fora, viver longe, passear por muito tempo, mergulhar rumo ao desconhecido... Nós não sabemos o que será de nós quando voltarmos, se vamos voltar, o que será dos outros então? Mas tem alguma coisa maior que te impulsa, que pulsa dentro de você com cada vez mais força, que te impele para o desconhecido, uma voz que sussurra o tempo todo ao seu ouvido, que te suplica para que você abra suas asas, voe. Você não sabe de onde vem essa vontade, se é desejo de fugir de tudo, se é gana de conhecer o mundo, se é querer se libertar das amarras da vida burguesa que te cerca (e que só não te corrompe por na verdade você já toda ela)...

Por que não aproveitar essas raízes sólidas de amor, os frutos da sua vida burguesa ($$$) e sua vontade quase cega? Por que não seguir seu coração? O que te prende? 

O futuro prende.

Porque não basta ter uma família, amigos e um cachorro, nós temos que ter estabilidade financeira, um plano de vida, uma carreira, trabalho, não dá pra viver de brisa! E mais uma vez as amarras da sociedade (capitalista) te seguram, destroem seus sonhos aos poucos sob a fantasia de que é só um adiamento, até sua vida estar mais estável, depois até você ter mais tempo, estar mais disposto... Quando você vê passou a vida inteira se conformando com a sua realidade. O mal do mundo é esse: esse vício em estabilidade, o medo da aventura, a fixação por dinheiro... O dinheiro passa de instrumento da vida para objetivo de vida. Por que acumular? Por que ter tudo do bom e do melhor? Por que ter o que os outros tem?

Eu tenho planos, tenho muitos planos! Eu quero morar fora, quero voltar, quero escrever um livro, ou um roteiro, ou os dois! Fazer teatro, estrelar uma peça! Quero produzir um filme! Advogar, ter filhos, casar, viajar sempre! Quero brigar, dar risada... viu? Muitos planos. Mas eu não tenho um objetivo e eu me recuso a ter um objetivo de vida, porque ele vai postergar todos meus planos, vai se resumir a dinheiro, vai dar um jeito de ser a estabilidade e a minha vida mesmo vai acabar ficando de lado.

Eu queria poder abortar isso tudo, ser capaz de viver de brisa, queria que o meu conforto não dependesse de dinheiro, que para ganhar dinheiro eu não tivesse que perder qualidade de vida, queria dar um jeito de conciliar meus planos, meus sonhos, minhas aptidões e o dinheiro, mas eles parecem inconciliáveis.

Eu queria voar, mas o futuro me prende.       

14 de julho de 2015

Que nem menina


Fragilidade não é fraqueza. Fragilidade pode até ser uma arma, a depender da maneira que for usada. 

É engraçado que eu tenha demorado tanto tempo para perceber isso, perceber que as armas femininas também são armas, que não é jogo baixo usá-las. Eu, que bem gosto de uma briga, sempre achei que tinha que brigar de frente, que nem homem, que brigar como mulher fazia de mim uma oponente fraca.

A força da mulher pode se mostrar de diversos modos e não deve ser vergonha quando ela aparece, em qualquer dos modos que apareça. Choro, vulnerabilidade, pouca força física, gritos... Sempre vi essas coisas como fraqueza, sinal de histeria, de cara isso me faria perder qualquer briga. E logo eu, tão feminista que sou. 

Ser mulher não é, nem deve ser algo para se ter vergonha. Por que eu tenho que brigar como um homem para ganhar? Para merecer respeito? Eu sou mulher, eu gosto de ser mulher, eu tenho é que ter muito orgulho de ser desse "sexo frágil". 

Eu que choro no meio de uma briga e fico arrazada, eu que sempre escondi meu amor pelas flores e corações, que nunca gostei de ser chamada de menininha... Ahh está impregnado na sociedade, debaixo da minha pele, escancarado bem na frente dos meus olhos e eu só percebi agora, com outra pessoa falando, que mesmo comprando brigas diárias sobre o feminismo eu ainda sou uma das vítimas do machismo.

Mudar minha visão de mundo e aceitar essa feminilidade como algo bom não vai ser fácil, o feminismo sempre foi um caminho de pedras, mas eu quero ver essa outra versão de mim. Quero ver essa versão descontaminada e natural. Eu sou mulher, brigo que nem menininha e não tem absolutamente nada de errado com isso.

1 de julho de 2015

Mas é amor?

Qual a diferença entre o amor de amigos e o de namorados? Qual a linha que divide esses sentimentos? Quando eu sei que "ahh o que eu sinto é amor e não amizade"? Como eu sei? Como eu noto a diferença? E isso sem falar da admiração que eu também confundo com facilidade com o amor e com esses meus amores inventados.

Tenho um amigo que é muito meu amigo, é um passeio no parque, cavalheiro, educado, memória boa, ambicioso, não é feio, é engraçado, ainda que não hilário, dividimos a maior parte de nossos gostos e convicções e volta e meia eu paro e me pergunto se ele não quer nada a mais de mim, se eu quero algo a mais dele e, verdade seja dita, nunca realmente consegui responder essa pergunta. Eu acabo virando a página, afastando a possibilidade porque nós somos amigos, estou viajando, não sinto atração por ele, ele nem é bonito e por aí vai. Todos nossos amigos acham que ou somos um casal, ou deveríamos ser e quando eu penso em um relacionamento ideal sempre me vem à cabeça algo parecido com o que nós temos quando estamos juntos, o que não é tão frequente. 

Hoje eu o vi e passou pela minha cabeça, mais de uma vez, beijá-lo. Me vi tocando-o mais vezes do que costumo tocar meus conhecidos e amigos e fiquei procurando coisas no comportamento dele que indicassem se poderíamos ser algo a mais. Talvez seja algo que eu criei por carência, talvez seja genuíno, talvez seja confusão minha, e é provável que se ele quisesse algo comigo eu fugisse como sempre, mas parte de mim queria muito descobrir, a outra me diz que é mais um daqueles momentos de questionamentos e que devo ignorar, mas sempre fica essa partezinha que eu nunca ouço e que me diz para experimentar.

Eu não sei qual a linha divisória de sentimentos. Racionalmente falando eu estou perdida e emocionalmente eu sou um turbilhão, com muitos sentimento aparecendo ao mesmo tempo, por pessoas diferentes e com forças e questionamentos próprios. Eu só queria ser capaz de clarear tudo e me decidir.

29 de junho de 2015

Brasília

As vezes preciso esquever para assentar as emoções em mim, processar o que vivi, entender como me sinto. Para isso preciso do silêncio, da paz, entrar em contato comigo mesma e colocar no papel aquilo que se sobressai. A última semana foi uma semana que me exige esse exercício, Brasília me trouxe sentimentos e descobertas que exigem a escrita para serem processadas.

Viajar para Brasília pela segunda vez foi uma coisa de extrema importância para mim, eu não tinha muitas expectativas, mas o que vivi ali foi incrível. Foi uma viagem em que adquiri conhecimentos acadêmicos, mas sobretudo pessoais, eu descobri partes de mim e me passei a me enxergar de uma forma diferente da que existia antes.

Eu não imaginava que aquele mundo fosse me fascinar, não esperava ficar tão hipnotizada com os assuntos discutidos ali, nem compreender tão pacientemente o processo legislativo e o trabalho dos deputados. Para minha grande surpresa, mesmo com a atual onda conservadora que vivemos eu me senti representada no congresso, por poucos e seletos deputados, que em sua maioria eu não conhecia por serem de outros estados. No fundo o congresso reflete bem a sociedade, com seus poucos progressistas, seus ferrenhos conservadores e uma grande massa levemente egoísta e sem ideologia fixa. Eu entendo o Congresso agora, são pessoas como nós, perdidas, desesperadas e donas da verdade como qualquer um. E uma coisa que escutei ali mais de uma vez e que mexeu muito comigo foi a incitação para que nós fôssemos os agentes das mudanças que queríamos ver. E eu percebi que se aqui fora eu não tento combater o que acho errado no mundo, como posso esperar isso dos outros? A mudança começa comigo! E decidi que vou ser mais incisiva, vou tentar ser um pouco mais o agente dessa mudança que eu quero para o mundo. Vão me chamar de chata, mas pelo menos vou ter feito minha parte. Chega de ter preguiça de confronto, chega de ter preguiça de assumir responsabilidades, vou fazer minha parte. E não só isso, lá vi jovens deputados que estavam ali porque se dedicaram aos seus sonhos, eu não tenho nenhum grande sonho, mas vou conquistar meus pequenos sonhos e não mais ter medo de me jogar neles. 

São descobertas bobas, quase que fruto do bom senso, mas que eu só pude ver com clareza ali. Sei lá... O processo democrático não é simples, muitas vezes não é justo e leva tempo, mas é algo que vale a pena, assim como lutar pelos nossos ideais, então acho que já é hora de eu deixar a preguiça de lado e começar a lutar pelos meus.

14 de junho de 2015

Família... todo tipo de família

  Eu venho de uma família absurdamente disfuncional. Meu pai era depressivo, meus pais eram um pouco ausentes, meu irmão mais velho saiu de casa aos 17 anos, só conheci a família da minha mãe e quase a totalidade dos irmãos dela tem problemas com bebidas, além de ciúmes uns dos outros e rancores e frustrações pelas próprias vidas mal vividas. Mas mesmo com as brigas, entre as coisas boas e ruins de cada um, mesmo que as vezes seja necessário engolir a raiva, uns ajudam os outros na hora do sufoco. Talvez depois eles te joguem na cara isso, mas eles estarão lá para te estender a mão quando você precisar.

  E a maior parte do tempo eu não tenho paciência para aguentar as disfuncionalidades desses meus tios, mas eu sempre admirei isso e uma das coisas que mais me doeu foi quando meu irmão mais velho não conseguiu superar as disfuncionalidades dele para estar conosco no enterro do nosso pai. Aquilo foi a gota d'água. Foi ali que eu cortei relações com ele, porque o que me veio à cabeça naquele momento foi que estava todo mundo lá, todos aqueles tios problemáticos, alguns primos que eu sempre achei egoístas, além de todos os outros e os que não estavam não foram por impossibilidades maiores e não falta de vontade.

  Com isso eu comecei a ter uma visão diferente de família. Eu comecei a perceber que família não é uma coisa que você não escolhe, você pode até escolher, eu tenho amigas que são como família e o que faz com que elas sejam família é a ordem de preferência. Família é aquilo pelo qual você faz o que precisar, é aquilo que está em primeiro na ordem de prioridades e como tudo nesse mundo, tem que ser recíproco. É muito mais do que amar alguém incondicionalmente, exige esforço, paciência, dedicação, tempo e as vezes exige até esquecimento, perdão... Mas se você consegue ultrapassar isso tudo, se você tem essa família ao seu lado, então você tem alguém que não só vai te apoiar, mas vai lutar com você as suas batalhas.

  Família é raiz, é o que te dá sustentação mesmo a distância, é nunca estar sozinho mesmo estando só, é sempre ter um ombro para chorar e alguém que te faça rir. Família é complicado, é tudo igual, é a melhor do mundo, é a sua, do jeito que ela for.

6 de junho de 2015

Pratique o bem



Cada dia que passa eu sinto um pouco mais de tristeza, fico um pouco mais decepcionada, um pouco mais frustrada. Eu queria saber quando foi que machucar os outros se tornou algo tão banal. Quando a humanidade passou a ser tão insensível diante da dor dos outros? 

Nós falamos coisas duras na internet para pessoas que nem conhecemos, ao invés de sentir pena e oferecer ajuda a uma menina que foi estuprada nós dizemos que ela estava pedindo. Nós nem precisamos ir tão longe, só olhar para o lado de dizer que o menino que teve o iPhone roubado foi culpado disse porque deu bobeira quando atendeu o telefone no meio da rua, ou olhar a revista que fala que determinada cantora é um lixo. Quando foi que deixamos de nos solidarizar com a dor do próximo?

Eu não quero viver nesse mundo em que rimos de um cara dançando, afinal, ele é gordo, não deveria dançar. Não quero viver nesse mundo em que xingamos qualquer um porque a opinião dele sobre um filme diverge da nossa. Eu não quero mais amor, por favor, quero mais gentileza, solidariedade, tolerância. 

Me recuso a ser uma dessas pessoas que propagam sentimentos negativos, guarde-os para você mesmo, os exorcize de outra forma. Pratique atos diários de gentileza, mude o mundo ao seu redor respeitando a opinião alheia, tendo paciência, exercitando sua tolerância.