30 de janeiro de 2015

Impaciência, covardia e teimosia.

 

4158575044_5120dc6059 Agora eu sei exatamente o que me seduz em você, é essa sua mania de fazer com que eu me sinta especial no meio da multidão cada vez que você fala comigo. Não que suas palavras sejam todas lisonjeiras, algumas sim, mas as outras… as outras são apenas grãos de atenção que você e dá e isso já faz com que eu me sinta especial. Não sei se minha auto estima é muito mais baixa do que eu imaginava, mas agora percebo que foram duas palavras lisonjeiras que me fizeram crescer os olhos para você: inteligente e madura. De lá para cá eu me encantei e me torturei, me encantei cada dia mais com sua atenção e me torturei cada vez que não a tinha.

Eu te idealizei como um príncipe cheio de bondade e carinho, que você de fato é na maior parte das vezes que fala comigo, mas com alguma distância recente me dei conta de que você não é só isso. Você também é o cara das piadas iguais, memória fraca e palavras vãs, o cara que para o mundo aparenta ser uma coisa, mas que, e aí não sei se foi idealismo meu ou só a impressão que você me deu, para mim é um encanto de pessoa. Você me parece inteligente e bobo, mas te observando de longe percebi que você talvez seja também esnobe e infantil, que talvez eu tenha te idealizado demais sem nem perceber que o fazia. Eu vejo você se afastando do cara que eu queria que você fosse sem ter a certeza de que você não é ele, sem ter nem idéia de quem você é. E cada vez que me lembro de você falando comigo, seu sorriso, seus olhos brilhando… eu me encanto, você me encanta.

Talvez seja aquele meu velho hábito de fim de amor platônico, odiar aquele por quem eu me deixei afundar na idealização. Talvez seja simplesmente esse meu medo de sair de trás da porta que faz com que eu veja apenas defeitos naquele que eu não tenho coragem de amar. E parte de mim acha que eu devo te esquecer e partir para algo mais concreto, ainda que eu não tenha em vista nada mais real, mas outra parte me diz que eu estou fugindo mais uma vez com medo da realidade. Talvez esse seja um bom assunto para discutir com a minha psicóloga.

O problema é que eu sinto que ser especial quando você fala comigo já não basta. Eu quero ser especial, me sentir especial com você declaradamente me achando especial, quero ser lembrada no meio do seu dia porque você viu alguma coisa acontecer na rua, o tipo de coisa que eu acho engraçado, ou que me deixaria furiosa. Quero que você me veja como a adulta que eu sou e que agora e cada vez mais eu consigo ver que sou e não uma menininha de 12 anos que ainda precisa descobrir o mundo. Você mesmo disse que eu era madura e inteligente, e você tinha rãzão, eu sou, sou também impaciente. E estou ficando cansada de esperar algum passo seu, mas também não tenho coragem ainda de dar um passo eu mesma. Nós ainda vamos nos estender um pouco mais, eu tenho medo de fazer qualquer coisa, mas sou teimosa e orgulhosa, também sei que se desistir talvez esteja me ferindo ainda mais do que se eu arriscar.

Quem sabe com a nova psicóloga eu consiga desanuviar essas minhas dúvidas? Quem sabe eu consiga finalmente dar um passo? Esse ano que passou eu consegui abrir a porta, eu sei o que quero e sei um pouco do que me segura, agora eu preciso dar o passo, caminhar em direção ao que eu quero e isso talvez seja o mais difícil.  

22 de janeiro de 2015

Lembranças

Estou preenchendo esse livro que eu comprei em dezembro do ano passado e cuja proposta é escrever diversas listas cujos temas são dados pela autoura e inúmeras lembranças vem surgindo na superfície da minha memória. Como tais lembranças não cabem nessas listas trago elas para cá, com o intuito de eterniza-las no papel com medo do futuro da minha memória.

Eu lembro de ser criança e querer muito um ursino gigante, minha mãe nunca quis me dar um porque ursinho junta muito pó e eu tenho alergia. Então um dia, eu, minha mãe e meu irmão, estamos parados no trânsito, na saída de São Paulo, a caminho de Ilhabela, e passa um cara vendendo ursinhos grandes e minha mãe para ele e decide comprar o gato, que na verdade era de tamanho médio, e me dá. O gato era branco, durinho com recheio de isopor, uma qualidade pra lá de duvidosa e eu adorei! Nunca entendi o que fez minha mãe mudar de ideia, se era só porque era barato, ou porque ela gostou, mas eu lembro que virou um dos meus brinquedos favoritos, que eu sempre levava comigo nas viagens para Ilhabela e deixava ele em cima da minha cama, porque ele tinha a posição de um gato deitado e assim ele ficava deitado na minha cama.

Lembro de um brinquedo que meu pai comprou para gente, eram dois bonequinhos em um ringue e cada um controlava um boneco, mas depois de algumas semanas o brinquedo quebrou e meu pai levou para concertar, mas eu nunca mais o vi. Acho que ele trocou por outro brinquedo e eu não lembro qual. O intuito do primeiro brinquedo era que eu e o Nikolas parassemos de brincar de luta, que eu adorava, mas sempre saía chorando. No fim, nós continuamos brincando de luta.

Lembro de uma boneca que o Ernesto me deu, ela tinha o cabelo maior que o corpo, loiro e com algumas mechas que quando você colocava gelo mudavam de cor. Ele me deu um dia quando eu e o Nikolas saímos com ele e desde então eu tratava essa boneca como um tolkien, ninguém podia tocar nela, ela ficava sempre na estante e bem tratada porque era um presente do meu irmãozão. Eu idolatrava o Ernesto e nem sabia. Então, um dia, numa época criativa, eu comecei a cortar algumas roupas, cortei o cabelo da minha Barbie Rapunzel que era comprido demais e nada prático e resolvi cortar o cabelo dessa boneca também. Cortei bem curto e ficou bom, mas o feitiço do tolkien estava desfeito e eu não tratei ela mais com todo aquele cuidado, nem admirei meu irmão com tanta cega idolatria. Alguns anos depois numa limpeza dos brinquedos da minha infância eu dei ela, mas ela ainda foi uma das últimas. Demorei a me desapegar dela como a me desapegar daquele irmão desconhecido.





8 de janeiro de 2015

Pequenos novos pontos

Essa viagem me trouxe algumas conclusões que eu achei no mínimo interessantes. A primeira delas foi me dar conta de que eu sou capaz de morar em qualquer canto deste grande mundo, mas desde que eu tenha ao meu lado as pessoas que eu tanto amo. Pode até ser por telefone, whatsapp ou Facebook, mas sou incapaz de ficar sem elas. A segunda constatação foi a de que eu amo meu país. Não sei porque sinto um pouco de vergonha ao dizer isso, acho que é porque sei e reconheço todos os problemas dele, mas o amor é assim mesmo né? Se é amor sobrevive aos defeitos do outro. 
E eu também percebo que, ao contrário do que eu pensava, eu sou perfeitamente capaz de fazer novos amigos, cativar os outros, extrovertida após alguns encontros, minha timidez diminui no ritmo que meu conhecimento sobre as pessoas com quem estou me relacionando aumenta. E a verdade é que eu gosto de atenção, mais do que eu gostaria de admitir. 
Também descobri que o frio é ruim, mas se você sabe se vestir fica tudo bem, não importa quão frio esteja e isso serve para qualquer temperatura até -26, mas não por muito tempo. E a comida canadense é meio doce e/ou picante, mas não muito, porque aqui tudo é mediano em termos de comida, até o melhor hamburguer é só mais ou menos para mim.
Ahh e que metade da viagem em si é a preparação e a expectativa, que em geral são mais desesperadoras e longas do que a viagem em si.
São coisinhas pequenas, mas que me permitem me entender melhor, pequenos novos conhecimentos sobre mim mesma e sobre o mundo.


2 de janeiro de 2015

O ano passou...


E nele eu comecei a fazer terapia porque finalmente reconheci que sozinha não estava sendo capaz de lidar com meus problemas. E a terapia me ajudou, com a ajuda dela eu entendi que minhas dificuldades começam no recebimento de carinho, eu não sei receber ele, não estou acostumada a demonstrá-lo. Entendi também que eu ainda me vejo cono uma menina e não vou conseguir ser uma mulher enquanto não mudar essa minha visão. Que mais importante do que ansiar e me preparar para o futuro é reconhecer minhas conquistas passadas, não colocar tanto peso nas minhas decisões, no fim da tudo certo, no começo é assustador e a insegurança  bate forte, mas no fim tudo acontece por um motivo. Tudo vale a pena se a alma não é pequena. 

Em 2014 eu conheci Joinville, Aracaju, Montreal e nova yorque. Minha mãe começou a realizar a segunda parte do sonho dela, que era reformar a casa, e problemas com dinheiro e vizinhos a parte ela vai ficar linda. Eu também não peguei nenhuma dp, fiz parte de um grupo de estudos e terminei o curso de francês, mas para nenhum deles estudei o quanto deveria. Comprei coisas demais para satisfazer meu eu capitalista, li livros, mas talvez não tantos quanto eu gostaria e vi mais filmes e séries do que eu precisava.

Também conheci pessoas ótimas, algumas que eu queria levar para a vida inteira, como as pessoas do meu trabalho, ou algumas que eu conheci nesse finzinho de ano distante de casa, outra que eu queria poder logo ver se pode ser algo mais, e também tem aquelas que mal chegaram e já foram. Tem, como sempre, pessoas que eu já conhecia e só esse ano passei a ter mais contato e percebi que são incríveis e outras que a distância talvez tenha nos alcançado. 

E me dei conta de que a idade te traz certas coisas como paciência com quem você não pode, não deve e não quer manter longe, mas na mesma medida te traz coragem para afastar de você aquelas pessoas com quem você simplesmente não quer conviver, nem por educação, até porque educação envolve respeito e certas pessoas não merecem isso de você. Também me dei conta de que facebook no celular vicia, mas o blog facilita e que o mundo é muito machista, mas que o meu inimigo sou eu mesma e essa mania de julgar os outros, então comecei a parar com isso. Comecei a reparar e cortar muito machismo em mim e isso me foi libertador, mas libertou algumas outras pessoas do meu olhar severo também. Esse ano me decepcionei ao não ver mudanças nos eleitos como reflexo dos movimentos de 2013, mas me emancipei politicamente, aprendi muito e ainda tenho esperanças. 

2014 foi um ano cheio de acontecimentos, a Alemanha ganhou a copa, a Dilma ganhou as eleições e eu me conheci, me aceitei e cresci um pouco mais, nunca achando que isso um dia terá um fim, mas nunca deixando de buscar. 

Que em 2015 eu seja capaz de amar e me deixar ser amada, tenha em volta de mim todas as pessoas maravilhosas da minha vida e as que ainda vão chegar, conheça lugares incríveis, ria todos os dias até doer a barriga, aprenda tudo que eu puder e tenha muito a agradecer quando 2016 chegar.