8 de fevereiro de 2015

Pseudointelectual revoltado

 

Ele admira um país que nunca visitou, porque tem um ótimo IDH. Ele não reconhece nenhum mérito do próprio país e passa longe de tudo o que diga a respeito das maravilhas de sua terra natal. Ele detesta o calor, odeia quando chove e vive reclamando da política, da economia e da sociedade. Ele lê Dostoievski e Tolstói, posta reclamações pomposas no Facebook e se dá ao trabalho de comentar notícias toscas com recados constatando a tosquice da notícia. Ele age como se fosse muito mais inteligente do que o resto, acho que ele realmente se acha assim. E muita coisa do que ele fala faz sentido, suas críticas são bastante pertinentes e até enriquecedoras. Mas o problema é que são sempre apenas críticas.

Ele nunca está feliz e por tabela acaba deixando todos nós miseráveis. Ele se acha mais inteligente por sempre fazer essas críticas, mas a verdade é que ele é simplesmente mais infeliz. Ele está tão acostumado a apontar as coisas ruins que esqueceu com o que se parecem as coisas boas. Ele é uma boa pessoa, pode ser uma pessoa bastante doce até, conquanto que não mexam em sua imagem de perfeição, se não…

Ele é o pseudointelectual revoltado. Pseudo porque se fosse intelectual de verdade saberia onde peca, seria capaz de reconhecer suas frustrações emocionais descontadas em um alvo fácil como esse país que tem sempre e tantas coisas a serem melhoradas. E eu gosto dele, acho que sim, mas também me frustro com ele, provavelmente não o mesmo tanto que ele deve estar frustrado com si mesmo. Eu o entendo, eu o respeito, só gostaria que ele fizesse o mesmo.

Nenhum comentário: