27 de março de 2015

Uma vontade tão grande

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Algumas coisas, para serem ditas, exigem uma coragem enorme, uma coragem maior do que eu mesma talvez, mas não por medo de reações negativas, por medo de reações positivas. Esse sempre foi meu problema, nunca consegui dizer o que sinto ao outro por medo de que ele fosse dizer que sente o mesmo. Esse seria um território totalmente novo e desconhecido. Levar um fora? Gostar de alguém sem ser correspondida? Isso eu vivi sempre, isso eu sei lidar, o fora dói no começo, mas depois passa e não dói mais, fica só uma lembrança. O não fazer nada? Esse perturba de tempos em tempos, em forma de arrependimento pela minha apatia, arrependimento por eu não ter tentado, isso vira um espinho dentro de mim e conforme eu me mexo machuca.

Por isso falar alguma coisa é tão imperioso, por isso essa vontade vem me sufocar agora, porque eu sei que se deixar passar vai machucar para sempre. Mas me congela o medo da reação do outro. Me congela não saber se ele vai surtar, ficar bravo, ficar com pena, ficar feliz, não se importar… De todas a menos provável é não se importar, mas surtar e agir estranho comigo é uma forte candidata e ficar com pena é outra. Sou negativa assim, ficar feliz pode acontecer, mas acho improvável, chame de insegurança. E se fosse uma reação que eu visse a distância tudo bem, mas eu veria na base do dia após dia, eu veria nos olhares dos outros porque eu sei que ele não sabe se calar.

E quando eu estou quase desistindo e deixando virar espinho ele volta e abre a ferida sendo atencioso, me dando aquelas migalhas de atenção que me põe um nó na garganta. Eu não quero mais migalhas de atenção, eu não quero mais essa incerteza, eu quero falar, quero gritar para o mundo, mas não quero lidar com as consequências do depois. Até porque, e se ele falar que corresponde? O que eu faço aí? Essa situação seria tão brutalmente diferente para mim que a simples possibilidade me congela também. Eu não sei o que fazer no depois e ter que dividir com alguém me dá mais medo ainda, porque aí eu teria uma audiência para a situação, mesmo que essa audiência fosse a outra incógnita da equação.

Então eu me deixo estar travada, mas com um bicho dentro de mim que está crescendo e querendo quebrar essa minha carapaça dura, controladora e medrosa, e esse bicho luta contra essa carapaça mais racional e essa luta dói. Essa luta me deixa exausta e me faz querer fugir de toda essa situação, porque é sempre isso que eu faço quando meu racional entra em conflito com meu emocional, eu ignoro o problema, ou eu fujo dele. O problema aqui é que já tentei fazer os dois e não consigui êxito em nenhum.

Assim fico nesse dilema, nessa vontade não ralizada que me mata aos poucos porque sou mimada demais para não realizar meus quereres. Fico exausta, irritada, desanimada, triste, numa TPM crônica e completamente perdida sem saber o que fazer.

25 de março de 2015

Papel de trouxa na vida

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Não sei qual é o meu problema, mas eu certamente tenho um. Acabei decidindo recentemente chamar ele de “fazer papel de trouxa na vida”. Meu problema é que eu faço papel de trouxa na vida.

Entre o ano passado e esse eu amadureci muito com a terapia, mas quando fui viajar dei um tempo e ainda não pude retomar, nesse periodo eu virei uma grande idiota. Não me leve a mal, não regredi, mas deixei de avançar e me joguei nos velhos hábitos, naquele meu ciclo vicioso e venenoso de me apaixonar platonicamente, de sonhar acordada, de viver em troca de um sorriso dele. Eu já estava caidinha por ele, mas sob controle, depois que parei a terapia me deixei sucumbir. Ou talvez eu já deixasse antes e só não tinha coragem de adimitir. Afinal, antes da viagem eu já tinha ficado mal quando ele chamou a moça com quem saía de namorada.

Depois da viagem ele mal falou comigo, não sei se por timidez ou descaso, mas eu estranhei. Depois ele parou de falar comigo. Tenho para mim que ele parou de falar comigo porque parou de falar com gente que anda comigo, mas eu não nasci grudada a ninguém. Ele parou as gracinhas que ele mesmo vivia dizendo serem feitas como simples expressão de carinho. Ele fez algumas coisas para atingir quem ele está brigado que me atingiram, me chame de egocêntrica, mas machucaram. Doeu e eu relevei, neguei, barganhei, fiquei com raiva e aí… aí quem ele está de birra, e eu digo birra porque é uma briga bastante infantil, sai de cena por uns dias e ele aparece. Aparece como sempre, cheio de sorrisos e elogios, sendo aquela pessoa carinhosa e boa que ele sempre foi. Dois meses sem falar comigo e ele surge na maior bohemia.

Eu não consigo ignorar. Não consigo deixar de sofrer, de deixar ele me atingir! Ele me ignora, me atinge em uma briga boba e depois surge cheio de carinho… eu recuei. Eu estou arisca. Eu estou doída e querendo colocar para fora, dizer para ele mesmo, o que eu sinto, porque não é justo ele fazer isso. Ele pode estar doente a ponto de se internar, mas continua sendo injusto comigo. E eu não sei que gosto dele de verdade por continuar me doendo mesmo depois de tudo, ou se é só mais um loop desse meu coração que teima em ficar em modo paixão platônica.

Parte de mim até acha que pode ser pensado, cada sorriso, cada encanto, propositalmente feito para me desconcertar, derreter, ficar horas a fio pensando e no fim do dia me irritar. Me irritar por me deixar levar, por não fazer nada, por ele fazer o que faz, por ele ter me machucado, por que perdi o ônibus e a culpa é dele que me fez ficar até um pouco mais tarde só para ver se eu descia de elevador com ele.

Essa incerteza toda me estressa, eu só queria falar com ele abertamente, mas e depois? Depois vou continuar trabalhando com ele e se ele não se importar comigo? Ou não gostar de mim assim? Ou se ele ficar bravo comigo por dizer que a birra dele atinge a mim? Sinto minhas mão atadas e isso só me dá mais vontade de arrebentar as cordas… Talvez seja o empurrão que eu preciso, talvez eu seja otimista demais e corajosa demais no papel.

Ainda assim, com todos esses sentimentos misturados que as vezes até me dão um nó na garganta, prevalece o sentimento de querer tanto que ele gostasse de mim, ou que gostasse mais de mim.

22 de março de 2015

Foi quando eu descobri

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Eu tinha dez anos, ou algo por aí, quando descobri o que queria fazer da minha vida: eu queria acabar com as injustiças. Foi lendo um livro chamado “Nó na Garganta” que descobri isso. O livro trata de uma menina de dez anos, negra e pobre, que sofre preconceitos e injustiça por causa da sua cor e classe social, o livro, com o perdão da redundância, me deixou com um nó na garganta durante toda leitura e quando eu terminei soluçava sem parar.

O tempo passou e mais de uma vez meu pai me chamou de “defensora dos fracos e oprimidos”, “advogada do diabo”, na época, eu adolescente, não gostava, até porque o tom dele era de deboche, mas eu cresci e hoje sinto orgulho daqueles apelidos. Hoje posso ver que desde pequena eu queria uma coisa na minha vida: acabar com as injustiças. Talvez por isso tenha acabado na faculdade de direito, talvez, mesmo que eu só tenha me dado conta agora, meu  subconsciente tenha me levado a esse caminho para que na faculdade eu realizasse  a minha vontade de acabar com as injustiças, afinal, na faculdade de direito aprendemos a fazer justiça, não? E fazer justiça é o mesmo que acabar com as injustiças, né?

Não.

Fazer justiça é fazer coisas justas, acertar as contas talvez, mas acabar com a injustiça é ser capaz de criar um mundo onde as injustiças não ocorram. Meu desejo é muito mais utópico, é acabar com as injustiças de tal maneira que não é necessária a justiça. Isso a faculdade não vai me trazer. Aliás, depois de estudar três anos eu posso dizer com segurança que fazer justiça no mundo real na maioria das vezes não passa de ganhar um conflito de interesses. Pobre da pessoa que decidir fazer direito para lutar pelo ideal de justiça, mal sabe ela a decepção que terá ao presenciar tantas injustiças. A Justiça no mundo real obedece ao capital, raros os caos em que ela obedece ao justo, tão raros que quando os encontro choro. Porque o justo na maioria das vezes não está na lei, como posso eu fazer justiça usando as leis se o justo não está nas leis?

A faculdade, apesar da boa vontade do meu subconsciente não saciou a mnha utopia de acabar com as injustiças. O meu desejo é de uma mudança muito mais profunda do que a que Direito pode proporcionar. O que eu quero é acabar com os injustiças advindas do preconceito, toda forma de preconceito, mesmo aquelas contra as quais eu mesmo luto contra. E eu sei que é um sonho, uma utopia como eu disse mais acima, algo que nunca conseguirei realmente conquistar então eu aceito me contentar com as pequenas doses de justiça que o direito me traz, ainda que recentemente eu tenha me dado conta de que ainda não parei de tentar buscar um jeito de conquistar o meu sonho, a minha utopia.

20 de março de 2015

Aqui, amanhã, depois... o que?

Eu sou um dilema constante. Nunca sei o que realmente quero. As vezes tenho vontade de ser aquela mulher fina que sabe ser ameaçadora sem descer do salto, as vezes quero ser aquela mulher sempre sincera que passa até por doida, mas que ninguém desafia. As quero ser uma advogada rica e poderosa, as vezes acho que a mediocridade me convém por causa da tranquilidade e que essa qualidade de vida é o que eu devo buscar. Tem dias que nem sei se quero ser advogada, talvez eu tenha nascido para ser jornalista, atriz... Mas ai, essa vida nessas profissões em geral é muito mais sofrida. Escritora não posso ser, eu protelo demais. Aliás, taí outra coisa, tem dias que me odeio por ser preguiçosa, mas em outros dias tudo o que eu quero é viver na preguiça.  

Ontem eu queria continuar te amando porque o amor é amar as imperfeições também, é passar pelos momentos difíceis e saber perdoar, um relacionamento exige trabalho, não vem pronto, nem mesmo os imaginários. Mas hoje eu acho que você foi um grande babaca e que eu mereço melhor, acho que tenho que partir pra ojtra e não ficar te remoendo em mim que isso não me faz bem, você não está pronto para ficar comigo. E amanhã eu provavelmente vou estar triste porque você não veio na minha sala e porque eu, por alguma razão fortíssima, vou achar que você nem nunca gostou de mim.

Vivo nessa dualidade constante de quem não sabe o que quer. Não tenho foco ou objetivo certo de vida. De uns tempos para cá me permiti viver cada dia sem pensar muito no futuro distante, planejo as coisas, mas não arquiteto planos longos e agora me desespero sem ter certeza de que andei fazendo o certo. O sentimento que tenho é de que estou perdida no mar da vida. Eu sou jovem, tenho tempo de ser quem eu quiser, mas não sei quem quero ser. Talvez essa seja alguma crise comum aos vinte e poucos anos que em alguns meses, ou anos, vai me parecer boba...

Mas a vida não tem manual, quem é que vai me dizer que plano se vida seguir? Que decisões tomar? Como viver nessa dualidade? Aliás, nessa pluralidade?! E enquanto essas decisões não vem, nem me sufocam, eu vou descobrindo no dia a dia, no passo a passo, aproveitando as oportunidades que me aparecem sem deixar de me render as comodidades que me convém, esperando que no futuro isso não vá me prejudicar, que ser jovem não faça de mim uma velha amargurada

12 de março de 2015

Não posso dispor do meu amor

Um amor dolorido, um amor que me faz mal. E eu sei que mereço coisa melhor, todo mundo me diz isso e eu sei que é verdade. Eu sei que as migalhas de amor que ele me dá só me fazem sofrer, mas cada uma dessas migalhas faz meu coração voltar a bater... Quando ele se afasta de mim um pedaço do meu coração morre, uma dor lancinante atravessa meu peito e eu não sou capaz de fazer mais nada a não ser sofrer aquela dor e eu sei que não mereço me sentir assim. Eu faria qualquer coisa por ele, mas e se esse for o problema?

Eu faria qualquer coisa por ele, mas e ele? Ele não faria nada por mim. Ele não se doa nem um pouco a mim. Ele se mantém estrategicamente distante, talvez por estar também com alguma outra mulher por aí, como de costume, ou talvez porque ele tenha um jeito diferente de se relacionar. As vezes acho que ele tem tanto medo de se machucar quanto eu, mas eu continuo tentando como uma criança teimosa e ele se fecha e não deixa ninguém entrar como um velho ranzinza. E cada vez que a gente se separa eu juro que nunca mais caio na dele de novo, mas aí passa um tempo e ele me liga e eu atendo, porque já o primeiro toque do telefone me desperta da dormência em que eu fico a cada separação. E ele me alimenta com aquelas migalhas de amor que só ele tem, eu volto a sentir a vida ao meu redor e quando eu já estou confiando nele de novo, bem no auge da felicidade, ele me afasta.

Ele faz alguma besteira que me machuca e eu perdoo, e ele faz outra e eu perdoo, ou eu dou um ultimato e ele acaba me escapando por entre os dedos, me dando as costas sem a menor cerimônia. E a dor volta com tudo, me deixa imóvel, estagnada incapaz de sentir qualquer outra coisa que não seja meu coração quebrado.

Ele é a minha droga, meu vício, e eu mereço mais, eu sei que mereço alguém melhor do que ele, todo mundo diz isso e eu sei que é verdade... Mas eu não consigo.