25 de abril de 2015

One, two, three…

 

Eu posso sentir a atração, o que é engraçado porque eu nunca sinto ela vindo em direção a mim, mas com você… Talvez seja alguma coisa no seu jeito de me olhar, talvez seja alguma coisa no tom da sua fala ou simplesmente seu sorriso discreto, mais de canto de boca do que qualquer outra coisa, quando me vê. Mas eu sinto essa atração. E mesmo sabendo que não vai acontecer nada entre a gente, por vontade dos dois mesmo, discrição dos dois, comprometimento alheio, essa atração me diverte, levanta a auto estima, né? Tudo bem, pode concordar, porque eu sei que  você tem por mim você também sabe da atração que eu tenho por você. E nós estamos bem com isso. Na verdade, acho que de todos você é o que mais me vê como mulher, talvez seja o toque de sexualidade, a física entre nós, talvez seja só seu jeito de me olhar.

Eu posso sentir o carinho que você tem por mim. É engraçado porque eu sempre achei que fosse algo só meu, sabe? Eu sempre achei que eu sentia carinho por você, mas fosse só um biscoito naquele escritório e você me fez perceber, com muita discrição, que não. Que eu sou digna de carinho da sua parte, parece até bobo falando assim, mas é por causa da admiração que eu tenho por você. E ele? Ele que sempre está calado no canto dele também aprendeu a fazer graça comigo, talvez eu seja mais carismática do que pensava. E esse carinho de vocês, a confiança nos trabalhos significa muito para mim, aumenta minha confiança e aquece meu coração, e eu sei que você, e ele também, sabem disso. Eu queria que não precisa acabar nunca, uma palavra de vocês e eu me desviraria em duas para fazer dar certo.

Eu posso sentir sua… Cara, não sei o que vem de você. Isso me deixa maluca, me tira o sono! Ok, não me tira o sono, mas me deixa inquieta. Porque eu não só não sei o que vem de você como não sei o que vai de mim para você. Eu já não sei o que sinto, nem sei racionalizar isso. Quando você me dá atenção meu coração se enche de paz e quando você não me dá atenção eu fico inquieta, irritadiça, até meio cabisbaixa ou mau humorada. Eu acho que você é o que mais me vê como criança e isso me mata, ainda mais agora que nem eu mesma me vejo assim. Talvez Freud explique, mas cada vez que você me trata como criança eu sinto necessidade de provar que não sou. E quando você me elogia e mostra que talvez não me veja assim… ah, um sorriso que seja e eu já ganho minha semana. Eu só queria saber o que te passa na cabeça quando olha para mim, só uma espiada e já me bastaria.

Na contramão do mundo

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É impressionante como algumas coisas que para mim parecem simplesmente intuitivas e naturais parecem absurdas e ameaçadoras aos olhos dos outros. Sei que essa diferença faz parte da natureza humana, mas as vezes me assusta. Ao ganhar consciência de mim mesma como feminista percebi como esse é um assunto que algumas pessoas não são só contra, mas como as revolta e ameaça. Blogueiras são ameaçadas de morte por escreverem sobre a igualdade de gêneros. Gente… igualdade de gêneros! É uma coisa que todos deveriam querer, é uma coisa que beneficia a todos!

Essa revolta me parece ter inúmeros motivos, ao observar as pessoas próximas de mim percebi que um deles é o medo da mudança, ou de estar errado. Talvez a pessoa sempre viu a sociedade machista, ainda que inconscientemente, como certa e agora ter que alterar essa visão de mundo as assusta. Temos aqui o orgulho em jogo, pois envolve admitir que faz várias coisas erradas na vida, e o medo de sair da zona de conforto, de mudar de pensamento depois que ele já é algo confortável. Entra aí também o sentimento de se sentir ameaçado que faz as pessoas ameaçarem as feministas, a idéia de sair da zona de conforto e admitir que estava errado já é assustadora, e em cima disso ainda temos que esse novo pensamento, essa igualdade pode ameaçar uma posição de poder, ou que algumas pessoas creem ser de poder. Ninguém gosta de perder poder.

O problema é que recentemente tenho percebido que essas pessoas, contra toda a minha lógica, devo dizer, são a maioria! Mesmo as pessoas próximas a mim, as que são contra o feminismo são maioria, algumas tentam, mas não se esforçam na mudança, outra se revoltam com a simples sugestão de. Quando me dei conta disso me assustei, me desanimei e me revoltei. Senti que ando na contramão do mundo, buscando a liberdade e a igualdade quando todos os outros buscam a segregação, a rotulação e a padronização das pessoas, seja da forma que for. Isso me desanimou, me fez querer parar o mundo e descer, me fez desejar que eu fosse mais ignorante e não percebesse as opressões, que eu não sentisse essa vontade louca de fazer todos verem a luz.

Mas eu me contento com o microcosmo. Eu me contento ao ver que algumas pessoas perto de mim mudaram um pouco a visão de mundo delas por causa do que eu falei. Me dá um nó na garganta de orgulho de mim mesma e deles. Eu ando sim na contramão do mundo, mas muito bem acompanhada por todas aquelas pessoas incríveis que andaram antes de mim e por todas aquelas que estão por vir.

11 de abril de 2015

Contagia

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  Ao longo dos escritos deste blog, ao longo das minhas transformações, eu sempre me vi como uma pessoa que evolui para ser uma pessoa forte. Me orgulho de dizer que eu resiliente, que eu me adapto as situações em que me encontro e bato no peito para dizer que sou uma pessoa bem humorada. Mas talvez eu fale demais.

Eu ando desmotivada, sem muita coragem para vida, sem saber o que quero fazer depois de formada, sem saber o que quero “ser quando crescer”, sem me sentir amada por quem eu queria e ao mesmo tempo nem queria tanto assim, lidando com as farpas e o humor irritadiço e oscilante de uma amiga, com as críticas da bomba de relógio que é minha mãe e com essa nova idéia de ser amiga do meu irmão, dele ser pai… Depois vem as provas e a minha falta de empenho nos estudos, na academia, minha canseira da minha família… Ando há algumas semanas desanimada, irritadiça, melancólica, mais preguiçosa do que nunca e comecei a pensar que eu poderia estar com depressão. Ontem tive um pequeno ataque de ansiedade, se podemos chamar assim, quando me vi numa festa sem conhecer ninguém e ao invés de pegar na mão do meu irmão e ser apresentada para quem ele tentou me apresentar, eu surtei e dise que não, queria ir embora, estava com sono… Eu estava com sono, mas não precisava ser uma criança sobre isso. Até porque agora ele jamais vai parar de me patronizar.

Bom, eu fiquei hoje com esse pensamento, assustada, morrendo de medo de realmente ter depressão, é basicamente incurável, deve ser desesperados, a idéia me dá um pânico danado. Mas aí parei e pensei comigo mesma que eu estava fazendo aqui que eu acho que minha amiga faz e que eu não gosto: eu estava me deixando sucumbir. Eu fico silenciosamente nervosa pela minha amiga porque me parece que ela não luta, que a força de vontade dela não é grande o suficiente para mobilizá-la, ela deixa a depressão a dominar. Claro que eu estou sendo idiota pensando assim, afinal, a doença domina ela, mas ela tem lutado contra, é só que essa dominação da doença sobre ela me é ilógica e difícil de entender, para mim a vida é simples: não gosta de algo? mude. Mas aí entram sentimentos e meu sistema da tilte, não posso equalizar sentimentos e o problema da minha amiga são exatamente sentimentos.

Mas naquele momento tudo que eu consegui pensar foi que eu estava deixando a doença me dominar, pior, estava deixando a doença me definir e eu não quero isso. Eu sempre me orgulhei de ser resiliente… pessoas resilientes não tem depressão, elas superam e seguem em frente. Então eu percebi que eu se quer tenho motivos para ficar triste e melancólica! O cara que eu gosto não gosta de mim? Fuck it! Ele que está perdendo e descobertas recentes me mostram que ele é meio babaca anyway, não conseguiria ficar dois minutos aos lado dele for real. Depois tem o ponto da minha família e da minha mãe e suas infinitas críticas e não aceitações que na minha visão limitada e utópica de mundo ela está indo na contra mão da sociedade. Na segunda vou marcar a psicóloga, ela me ajuda com isso, é um suporte contra todos os bombardeios a minha auto estima e também deve me ajudar com a coisa de amar e ser amada de verdade. Quanto ao meu irmão… Eu tenho que crescer, admitir minhas fobias a ele não é fácil, isso implica admitir que ele está certo, mas vou trabalhar com isso aos poucos, sou adulta e capaz disso, vou chamar ele para sair comigo um dia desses, junto com meus amigos, para ver se ele dá um tempo no patronizing. Minha família me dando preguiça por causa da visão de mundo deles me deixa decepcionada, mas eu faço o que posso e no meio de tudo isso alguma distância pode ser uma coisa boa. Andei pensando numa pós no exterior, ou segunda faculdade, quem sabe? Acho que o que eu preciso mesmo é esse novo foco, eu não sei trabalhar sem um objetivo, essa falta de projeto que deve ser o ponto principal, então depois do feriado, quando as provas chegarem ao fim eu vou achar alguma coisa, sempre acho.

Eu não tenho depressão e não vou deixar ela chegar perto de mim, seja por causa da minha resiliência, pavor de sentir os sintomas da doença e viver com ela, ou orgulho… comigo o orgulho sempre está em jogo. Eu estou no controle da minha vida, seja ela o que eu decidir que seja.