25 de abril de 2015

Na contramão do mundo

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É impressionante como algumas coisas que para mim parecem simplesmente intuitivas e naturais parecem absurdas e ameaçadoras aos olhos dos outros. Sei que essa diferença faz parte da natureza humana, mas as vezes me assusta. Ao ganhar consciência de mim mesma como feminista percebi como esse é um assunto que algumas pessoas não são só contra, mas como as revolta e ameaça. Blogueiras são ameaçadas de morte por escreverem sobre a igualdade de gêneros. Gente… igualdade de gêneros! É uma coisa que todos deveriam querer, é uma coisa que beneficia a todos!

Essa revolta me parece ter inúmeros motivos, ao observar as pessoas próximas de mim percebi que um deles é o medo da mudança, ou de estar errado. Talvez a pessoa sempre viu a sociedade machista, ainda que inconscientemente, como certa e agora ter que alterar essa visão de mundo as assusta. Temos aqui o orgulho em jogo, pois envolve admitir que faz várias coisas erradas na vida, e o medo de sair da zona de conforto, de mudar de pensamento depois que ele já é algo confortável. Entra aí também o sentimento de se sentir ameaçado que faz as pessoas ameaçarem as feministas, a idéia de sair da zona de conforto e admitir que estava errado já é assustadora, e em cima disso ainda temos que esse novo pensamento, essa igualdade pode ameaçar uma posição de poder, ou que algumas pessoas creem ser de poder. Ninguém gosta de perder poder.

O problema é que recentemente tenho percebido que essas pessoas, contra toda a minha lógica, devo dizer, são a maioria! Mesmo as pessoas próximas a mim, as que são contra o feminismo são maioria, algumas tentam, mas não se esforçam na mudança, outra se revoltam com a simples sugestão de. Quando me dei conta disso me assustei, me desanimei e me revoltei. Senti que ando na contramão do mundo, buscando a liberdade e a igualdade quando todos os outros buscam a segregação, a rotulação e a padronização das pessoas, seja da forma que for. Isso me desanimou, me fez querer parar o mundo e descer, me fez desejar que eu fosse mais ignorante e não percebesse as opressões, que eu não sentisse essa vontade louca de fazer todos verem a luz.

Mas eu me contento com o microcosmo. Eu me contento ao ver que algumas pessoas perto de mim mudaram um pouco a visão de mundo delas por causa do que eu falei. Me dá um nó na garganta de orgulho de mim mesma e deles. Eu ando sim na contramão do mundo, mas muito bem acompanhada por todas aquelas pessoas incríveis que andaram antes de mim e por todas aquelas que estão por vir.

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