28 de maio de 2015

Duas de mim

Eu me escrevo, me jogo no papel e me encontro. Me encontro querendo fazer mil coisas e fazer nada. 
Eu quero ler, ver, escrever, aprender, sair, sorrir, comer e beber, dançar... Me divertir. 
Eu quero conquistar o mundo, ser alguém importante, fazer a diferença, mexer no macro, ser reconhecida. E quero ter uma vida mundana, casar, ter dois filhos, morar na praia, curtir a família e a paz de uma vida tranquila. Quero também ter liberdade para ir e vir, não ter amarras, estou cansada de toda essa responsabilidade. Mas quero sempre ter alguém do meu lado, um ombro amigo, alguém com quem contar. 
Vivo essa dualidade como se houvessem duas de mim vivendo no mesmo corpo, por vezes elas se complementam, por vezes elas se contrariam. Nessa minha sede de mundo elas teimam uma com a outra e jamais estão de acordo. 

26 de maio de 2015

Foi sem querer

Foi sem querer que eu sonhei com você. Eu não tive a intenção, mas quando me dei conta já tinha acordado e o sonho já tinha acontecido. Eu não percebi o quão funda foi a marca que a cena de ontem me fez até lembrar do sonho, porque com certeza foi aquela cena que o provocou.
Você estava ali conversando com uma colega, só vocês dois. Isso me bastou. Não que eu tenha ficado com ciúmes, nada disso, foi só que… Antes, nessas ocasiões você falava com todo mundo, você servia refrigente para todas as mulheres e depois para os mais velhos e os homens, você fazia graça comigo, fofocava com seus estagiários e a sala toda tinha um clima leve. Ontem você só falou com a sua colega. Não pesou a sala, nem acho que mais alguém reparou, mas eu senti aquela mudança e por alguma razão me pareceu uma mudança para pior, foi uma cena dolorosa de assistir, não achei que você estivesse feliz, mesmo sabendo que talvez seja assim que eu me sinto, que você talvez esteja bem.
Acho que foi essa vontade louca de mudar essa cena, de fazer tudo voltar a ser como antes, de ver você sorrir sempre, de sentir aquela leveza emanando de você que provocou meu sonho. Eu só lembro flashes. Lembro de mim te perguntando se estava tudo bem, você dizia que não, eu disse que se precisasse de qualquer coisa eu estaria aqui, que eu gostava muito de você, você sabia disso? E depois você chorou, ia saindo quando eu te puxei e te abracei porque… Porque eu senti vontade, senti que você precisava. Logo eu, que nunca abraço ninguém, te abracei e aquilo pareceu a coisa mais certa do mundo a se fazer na hora.
Talvez seja coisa da minha cabeça, eu me recusando a acreditar que você é um cretino, eu achando que você é mais frágil do que você realmente é, aumentando sua fragilidade para justificar essa mudança, essa birra… Pode que eu esteja ficando louca, transferindo para você minha chateação de perder amigos para a distância e para o orgulho. Pode que eu esteja sentindo saudade de você, mesmo que você esteja sempre ali do lado, mesmo que eu nem saiba como você me vê, mesmo que você nunca saiba como eu te vejo.
No meu sonho, durante aquele abraço, eu matei a saudade do que eu queria que um dia a gente fosse.

20 de maio de 2015

E se você não tivesse medo?


Se eu não tivesse medo? Ahh se eu não tivesse medo eu largaria a faculdade de direito e faria jornalismo, eu iria "all in"  na escrita, aliás, "all in" não , porque metade de mim seria atriz. Eu viajaria mais sozinha, eu iria para Colômbia, Índia, Tailândia... eu tiraria um ano sabático só para viajar, estilo mochilão! Nossa, eu realmente devia fazer isso.

Se eu não tivesse medo eu andaria só de moto, tiraria rachas e viveria num eterno "Velozes & Furiosos", eu pularia de paraquedas e tentaria a vida no exterior sem planejar nada... eu não faria mais tantos planos, ou tentaria mais colocar meus planos em ação.

Se eu não tivesse medo de cobra eu faria mais trilhas e iria em mais cachoeiras, eu realmente gosto disso. Eu talvez tivesse mais amigos, seria mais fácil me doar... e por isso talvez eu tivesse mais do que amigos.  E eu não seria tão responsável, talvez tivesse repetido algumas matérias, talvez tivesse aproveitado muito mais oportunidades.

Meu pai sempre dizia que existe uma linha tênue entre a coragem e a burrice e meu medo está diretamente ligado a minha responsabilidade, que por sua vez está diretamente ligada a minha racionalidade. Meu medo é racional e é meu guia. Se eu não tivesse medo eu seria mais solta, mais intensa, mais emocional, mais... eu não seria eu. Eu gosto de ser quem sou e o medo faz parte disso, mas se eu não tivesse esse medo... ahh as possibilidades são infinitas, eu poderia ser quem eu quisesse.

15 de maio de 2015

Ela parece…


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Ela parece ter toda a segurança do mundo. Fala de si mesma e dos outros como se fosse a voz da razão, conhece línguas, se equilibra na política, cultura lhe agrada e sociedade… ah esse tema é um prazer a parte. Ela gosta de rir e de se desligar, mas as vezes quer pensar e se organizar e acaba se distraindo com o mundo. A escrita é um prazer, mas uma preguiça, ela pensa rápido demais e a demora para colocar no papel lhe dá urticária. mas carrega dentro de si milhares de histórias e seus pensamentos ela só organiza escrevendo. Ela diz que no papel ela se entende. Ela não gosta do frio, sua sensação preferida é sentir o sol queimar na pele, sozinha, se for na praia melhor ainda e se estiver deserta... aí ela se deliga de tudo, do mundo, da vida, das dores e angústias, até das felicidades e lembranças.

Ela vive em cima desse muro invisível que divide o mundo real do seu imaginário, cria história com a mesma facilidade com que faz planos, mas assim como não escreve seus contos não coloca em prática seus planos. Depois, ela ainda tem a cara de pau de se remoer por isso. E agora esse fantasma veio assombrá-la. Crise dos 25. Ela sente como se já devesse ter o mundo aos seus pés, mas tudo o que conseguiu foi se revezar entre carregá-lo nas costas e ser carregada por ele. É que ela quer tanta coisa e tem tão pouca paciência para esperar o tempo certo de conseguir que fica entre a frustração de não ter, mas o saber que tem que esperar. Ela vive se estressando por essa besteira, até que se enche e escapa pro mundo que só existe na cabeça dela, ou nos livros, ou na televisão.

Ela quer tudo, ela quer agora e ela não sabe o que quer. Mas ela gosta de sentir o calor do sol queimar sua pele, talvez o que ela devesse fazer fosse sentir mais.   

4 de maio de 2015

Sempre ele

Eu tenho tudo sob controle. O que eu não controlo não me abala. E o que sai do meu controle ou vai de encontro aos meus planos não me abala por muito tempo, porque eu controlo isso também. Eu tenho tudo sob controle. Tudo.

Minhas emoções estão sob meu controle, minhas frustrações são sufocadas com o pensamento no futuro, minhas tristezas são trocadas por distrações fáceis, meu choro eu engulo porque é o que sempre me disseram para fazer. Eu tenho que ser forte por mim mesma e pelos outros, eu tenho que ter tudo sobre controle porque alguém tem que ter. Eu planejo, eu penso, eu faço reflexões, eu cumpro com as minhas responsabilidades e busco por mais. Eu esquematizo meu futuro, não ter um objetivo me deixa louca. Eu controlo mesmo no meu descontrole, eu lidero mesmo quando digo que "você que sabe", eu faço do meu jeito ou do seu, só preciso que seja do jeito que eu esperar. Eu controlo tudo e isso pesa.

Eu controlo tudo, mas não sinto e descobri recentemente que sentir é absolutamente humano. Fugir do sentimento com o controle das emoções é inclusive perigoso, controlar e não sentir é uma forma de fuga, há outras, como as drogas. Controlar tudo é a minha droga, porque sentir também pode machucar, quando eu sinto eu não controlo o que sinto, não sei quando começa ou para, não fico funcional... Se deixar dominar pelos sentimentos e emoções é uma forma de loucura temporária. Descobrir esse equilíbrio é difícil, há uma linha muito tênue que eu não descobri ainda onde fica e eu não sei se um dia vou descobrir. Descobrir essa linha é uma forma de controle sobre a situação também, eu sei.

Talvez o medo seja o único sentimento que eu me permita sentir, ele que coloca o meu controle em prática, ele que me força a ser forte, o medo. O medo da dor, da tristeza, da frustração. O medo.

Esquece o destino e segue em frente

Acreditar no destino pode ser algo perigoso, pode ser te impedir de realmente se jogar no futuro, ou pior, se conformar com o presente. Confiar no destino e em tudo ver sinais de um futuro incerto, viver a esperar uma realidade diferente sem realmente fazer nada para buscá-la. Acreditar no destino e viver de passado não dá futuro.

Aquela música que toca no rádio e te lembra dele em uma terça feira chuvosa de março não é um sinal, é coincidência. Aquele sonho que você teve com ele em uma noite de lua crescente, aquele em que vocês eram um casal feliz, também não foi um sinal. Nem aquele dia em que você achou que o viu no ônibus e muito menos vocês terem confirmado presença no mesmo evento. É tudo um mero acaso, um sinal de que o mundo não é tão grande quanto parece, mas não passa disso. Não são sinais do destino te mostrando que seu futuro é ele.

Lembra? Do que tinha de errado com ele? Lembra do que você não gostava? Lembra que cada vez que você olha o perfil dele no Facebook você se sente enjoada? Ele se tormou tudo aquilo que você já esperava e isso sim menina, isso sim é um sinal de que ele não é seu destino. Ele não vai mudar por você, não busque seu passado esperando que ele seja seu futuro porque ele raramente é. Ele não vai mudar nem por você nem por ninguém. E se você quer saber, ele nem deve. Ele merece alguém que o aceite e ame completamente e você também.

Então vai, para de buscar no seu passado o seu futuro, para de buscar sinais do destino nessa sua insistência em não seguir em frente, aceita de uma vez e, mais importante ainda, supere-o. Você merece mais do que viver presa na lembrança de uma música, de um cara ou de uma história que poderia ter acontecido.