4 de maio de 2015

Sempre ele

Eu tenho tudo sob controle. O que eu não controlo não me abala. E o que sai do meu controle ou vai de encontro aos meus planos não me abala por muito tempo, porque eu controlo isso também. Eu tenho tudo sob controle. Tudo.

Minhas emoções estão sob meu controle, minhas frustrações são sufocadas com o pensamento no futuro, minhas tristezas são trocadas por distrações fáceis, meu choro eu engulo porque é o que sempre me disseram para fazer. Eu tenho que ser forte por mim mesma e pelos outros, eu tenho que ter tudo sobre controle porque alguém tem que ter. Eu planejo, eu penso, eu faço reflexões, eu cumpro com as minhas responsabilidades e busco por mais. Eu esquematizo meu futuro, não ter um objetivo me deixa louca. Eu controlo mesmo no meu descontrole, eu lidero mesmo quando digo que "você que sabe", eu faço do meu jeito ou do seu, só preciso que seja do jeito que eu esperar. Eu controlo tudo e isso pesa.

Eu controlo tudo, mas não sinto e descobri recentemente que sentir é absolutamente humano. Fugir do sentimento com o controle das emoções é inclusive perigoso, controlar e não sentir é uma forma de fuga, há outras, como as drogas. Controlar tudo é a minha droga, porque sentir também pode machucar, quando eu sinto eu não controlo o que sinto, não sei quando começa ou para, não fico funcional... Se deixar dominar pelos sentimentos e emoções é uma forma de loucura temporária. Descobrir esse equilíbrio é difícil, há uma linha muito tênue que eu não descobri ainda onde fica e eu não sei se um dia vou descobrir. Descobrir essa linha é uma forma de controle sobre a situação também, eu sei.

Talvez o medo seja o único sentimento que eu me permita sentir, ele que coloca o meu controle em prática, ele que me força a ser forte, o medo. O medo da dor, da tristeza, da frustração. O medo.

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