29 de junho de 2015

Brasília

As vezes preciso esquever para assentar as emoções em mim, processar o que vivi, entender como me sinto. Para isso preciso do silêncio, da paz, entrar em contato comigo mesma e colocar no papel aquilo que se sobressai. A última semana foi uma semana que me exige esse exercício, Brasília me trouxe sentimentos e descobertas que exigem a escrita para serem processadas.

Viajar para Brasília pela segunda vez foi uma coisa de extrema importância para mim, eu não tinha muitas expectativas, mas o que vivi ali foi incrível. Foi uma viagem em que adquiri conhecimentos acadêmicos, mas sobretudo pessoais, eu descobri partes de mim e me passei a me enxergar de uma forma diferente da que existia antes.

Eu não imaginava que aquele mundo fosse me fascinar, não esperava ficar tão hipnotizada com os assuntos discutidos ali, nem compreender tão pacientemente o processo legislativo e o trabalho dos deputados. Para minha grande surpresa, mesmo com a atual onda conservadora que vivemos eu me senti representada no congresso, por poucos e seletos deputados, que em sua maioria eu não conhecia por serem de outros estados. No fundo o congresso reflete bem a sociedade, com seus poucos progressistas, seus ferrenhos conservadores e uma grande massa levemente egoísta e sem ideologia fixa. Eu entendo o Congresso agora, são pessoas como nós, perdidas, desesperadas e donas da verdade como qualquer um. E uma coisa que escutei ali mais de uma vez e que mexeu muito comigo foi a incitação para que nós fôssemos os agentes das mudanças que queríamos ver. E eu percebi que se aqui fora eu não tento combater o que acho errado no mundo, como posso esperar isso dos outros? A mudança começa comigo! E decidi que vou ser mais incisiva, vou tentar ser um pouco mais o agente dessa mudança que eu quero para o mundo. Vão me chamar de chata, mas pelo menos vou ter feito minha parte. Chega de ter preguiça de confronto, chega de ter preguiça de assumir responsabilidades, vou fazer minha parte. E não só isso, lá vi jovens deputados que estavam ali porque se dedicaram aos seus sonhos, eu não tenho nenhum grande sonho, mas vou conquistar meus pequenos sonhos e não mais ter medo de me jogar neles. 

São descobertas bobas, quase que fruto do bom senso, mas que eu só pude ver com clareza ali. Sei lá... O processo democrático não é simples, muitas vezes não é justo e leva tempo, mas é algo que vale a pena, assim como lutar pelos nossos ideais, então acho que já é hora de eu deixar a preguiça de lado e começar a lutar pelos meus.

14 de junho de 2015

Família... todo tipo de família

  Eu venho de uma família absurdamente disfuncional. Meu pai era depressivo, meus pais eram um pouco ausentes, meu irmão mais velho saiu de casa aos 17 anos, só conheci a família da minha mãe e quase a totalidade dos irmãos dela tem problemas com bebidas, além de ciúmes uns dos outros e rancores e frustrações pelas próprias vidas mal vividas. Mas mesmo com as brigas, entre as coisas boas e ruins de cada um, mesmo que as vezes seja necessário engolir a raiva, uns ajudam os outros na hora do sufoco. Talvez depois eles te joguem na cara isso, mas eles estarão lá para te estender a mão quando você precisar.

  E a maior parte do tempo eu não tenho paciência para aguentar as disfuncionalidades desses meus tios, mas eu sempre admirei isso e uma das coisas que mais me doeu foi quando meu irmão mais velho não conseguiu superar as disfuncionalidades dele para estar conosco no enterro do nosso pai. Aquilo foi a gota d'água. Foi ali que eu cortei relações com ele, porque o que me veio à cabeça naquele momento foi que estava todo mundo lá, todos aqueles tios problemáticos, alguns primos que eu sempre achei egoístas, além de todos os outros e os que não estavam não foram por impossibilidades maiores e não falta de vontade.

  Com isso eu comecei a ter uma visão diferente de família. Eu comecei a perceber que família não é uma coisa que você não escolhe, você pode até escolher, eu tenho amigas que são como família e o que faz com que elas sejam família é a ordem de preferência. Família é aquilo pelo qual você faz o que precisar, é aquilo que está em primeiro na ordem de prioridades e como tudo nesse mundo, tem que ser recíproco. É muito mais do que amar alguém incondicionalmente, exige esforço, paciência, dedicação, tempo e as vezes exige até esquecimento, perdão... Mas se você consegue ultrapassar isso tudo, se você tem essa família ao seu lado, então você tem alguém que não só vai te apoiar, mas vai lutar com você as suas batalhas.

  Família é raiz, é o que te dá sustentação mesmo a distância, é nunca estar sozinho mesmo estando só, é sempre ter um ombro para chorar e alguém que te faça rir. Família é complicado, é tudo igual, é a melhor do mundo, é a sua, do jeito que ela for.

6 de junho de 2015

Pratique o bem



Cada dia que passa eu sinto um pouco mais de tristeza, fico um pouco mais decepcionada, um pouco mais frustrada. Eu queria saber quando foi que machucar os outros se tornou algo tão banal. Quando a humanidade passou a ser tão insensível diante da dor dos outros? 

Nós falamos coisas duras na internet para pessoas que nem conhecemos, ao invés de sentir pena e oferecer ajuda a uma menina que foi estuprada nós dizemos que ela estava pedindo. Nós nem precisamos ir tão longe, só olhar para o lado de dizer que o menino que teve o iPhone roubado foi culpado disse porque deu bobeira quando atendeu o telefone no meio da rua, ou olhar a revista que fala que determinada cantora é um lixo. Quando foi que deixamos de nos solidarizar com a dor do próximo?

Eu não quero viver nesse mundo em que rimos de um cara dançando, afinal, ele é gordo, não deveria dançar. Não quero viver nesse mundo em que xingamos qualquer um porque a opinião dele sobre um filme diverge da nossa. Eu não quero mais amor, por favor, quero mais gentileza, solidariedade, tolerância. 

Me recuso a ser uma dessas pessoas que propagam sentimentos negativos, guarde-os para você mesmo, os exorcize de outra forma. Pratique atos diários de gentileza, mude o mundo ao seu redor respeitando a opinião alheia, tendo paciência, exercitando sua tolerância. 




3 de junho de 2015

De novo e de novo...

E de repente, não mais que de repente, eu me sinto uma completa idiota.

Eu penso em você, eu penso sobre você, eu faço planos, tenho diálogos e tudo isso mesmo quando estou evitando fazer essas coisas. A Flora me apontou que tem você. Foi uma coisa do tipo "você falou que não gostava de ninguém, ou que nunca tinha realmente gostado, mas tem ele". Ela provavelmente quer explorar mais o assunto para entender meus sentimentos, mas dá pra fazer isso quando tudo só se passa minha cabeça?

E hoje isso me apareceu de uma maneira tão forte e tão simples, foi só o fato de você sair de férias e de ir embora sem se despedir de mim... Isso me pegou de surpresa e deu uma doída. Talvez quando você voltar eu nem esteja mais por aí. E isso é uma coisa boa, isso é a vida seguindo seu rumo, a distância vai me fazer bem, me permitir te esquecer. Depois vou sentir aquele arrependimento de nunca ter feito nada, mas vou me resignar a viver na ideia de que foi melhor assim, seu histórico vai corroborar a minha desculpa.

Fica minha frustração comigo mesma, de fazer sempre a mesma coisa, de cair no mesmo conto de novo e de novo... E também a frustração de não ter nada a ganhar no final, todo mundo quer um final feliz, até eu.

2 de junho de 2015

Flores

Você que nunca escondeu seu amor pelas flores, que foi a única a ter coragem de me olhar fundo nos olhos e dizer o que pensa, que sempre preferiu uma risada a uma briga e que nunca teve muita paciência para televisão. 

Foi você que me abriu os olhos para o amor, ou melhor dizendo, que me abriu o coração para amar. Eu não tenho vergonha do clichê quando é para dizer que antes de você eu não sabia o que era o amor. Eu era um menino no corpo de um homem e nunca tinha me atentado para esse sentimento... É engraçado como só percebemos certas coisas quando são esfregadas na nossa cara.

Você esfregou seu amor na minha cara, me despiu dos meus pré-conceitos, me fez olhar a vida de outro ângulo e depois foi embora sem olhar para trás. Quando me dei conta estava andando novamente  sozinho pela vida, mas carregando comigo tudo aquilo que você me ensinou. 

Certas pessoas nunca nos deixam completamente e você é uma delas. A dor que você me fez sentir com a sua partida não foi nada mais do que um último aprendizado, o mais difícil talvez, mas o que mais me serviu de lição para enfrentar a vida. 

Hoje, eu sou uma pessoa completamente diferente daquela que você conheceu e essa mudança se atribui um pouco a você. E eu espero que eu também tenha deixado uma marca em você... que você se lembre de mim quando vê um violão, ou qualquer outra lembrança do tipo, do mesmo jeito que eu me lembro de você quando observo as flores.