16 de julho de 2015

O futuro te prende


Me dê liberdade, vivo por ser livre.

Carinho, paixão, risadas, isso tudo a gente sempre encontra em um amor, qualquer forma de amor, mas a liberdade, essa só o amor de verdade dá. Liberdade para estar com, ou sem, o outro, para desapegar porque a gente sabe que sempre volta. É uma raiz que nos prende ao chão, onde está nossa origem, nossa razão, nosso ombro amigo e o nosso maior porto seguro. É o amor que nos permite voar para longe e por muito tempo até, porque nós sabemos que quando quisermos voltar ele estará lá pronto para nos receber, porque quem ama de longe ama de perto também.

É difícil viver esse amor de longe, deixar a família, os amigos e até o bichinho de estimação para morar fora, viver longe, passear por muito tempo, mergulhar rumo ao desconhecido... Nós não sabemos o que será de nós quando voltarmos, se vamos voltar, o que será dos outros então? Mas tem alguma coisa maior que te impulsa, que pulsa dentro de você com cada vez mais força, que te impele para o desconhecido, uma voz que sussurra o tempo todo ao seu ouvido, que te suplica para que você abra suas asas, voe. Você não sabe de onde vem essa vontade, se é desejo de fugir de tudo, se é gana de conhecer o mundo, se é querer se libertar das amarras da vida burguesa que te cerca (e que só não te corrompe por na verdade você já toda ela)...

Por que não aproveitar essas raízes sólidas de amor, os frutos da sua vida burguesa ($$$) e sua vontade quase cega? Por que não seguir seu coração? O que te prende? 

O futuro prende.

Porque não basta ter uma família, amigos e um cachorro, nós temos que ter estabilidade financeira, um plano de vida, uma carreira, trabalho, não dá pra viver de brisa! E mais uma vez as amarras da sociedade (capitalista) te seguram, destroem seus sonhos aos poucos sob a fantasia de que é só um adiamento, até sua vida estar mais estável, depois até você ter mais tempo, estar mais disposto... Quando você vê passou a vida inteira se conformando com a sua realidade. O mal do mundo é esse: esse vício em estabilidade, o medo da aventura, a fixação por dinheiro... O dinheiro passa de instrumento da vida para objetivo de vida. Por que acumular? Por que ter tudo do bom e do melhor? Por que ter o que os outros tem?

Eu tenho planos, tenho muitos planos! Eu quero morar fora, quero voltar, quero escrever um livro, ou um roteiro, ou os dois! Fazer teatro, estrelar uma peça! Quero produzir um filme! Advogar, ter filhos, casar, viajar sempre! Quero brigar, dar risada... viu? Muitos planos. Mas eu não tenho um objetivo e eu me recuso a ter um objetivo de vida, porque ele vai postergar todos meus planos, vai se resumir a dinheiro, vai dar um jeito de ser a estabilidade e a minha vida mesmo vai acabar ficando de lado.

Eu queria poder abortar isso tudo, ser capaz de viver de brisa, queria que o meu conforto não dependesse de dinheiro, que para ganhar dinheiro eu não tivesse que perder qualidade de vida, queria dar um jeito de conciliar meus planos, meus sonhos, minhas aptidões e o dinheiro, mas eles parecem inconciliáveis.

Eu queria voar, mas o futuro me prende.       

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