28 de agosto de 2015

Eu choro

Talvez eu o veja como meu irmão mais velho. Aquele bem mais velho. Talvez eu o veja assim porque nunca tive muito contato com meu irmão mais velho mesmo. Talvez seja a possibilidade de perder contato com mais esse irmão mais velho que me desespere e me deixe com essas crises de choro. 

Eu sei que ele gosta de mim, sei que em alguma medida ele também me vê como uma irmã mais nova, mas eu fico me perguntando em que medida, se não é coisa da minha cabeça, se ele sente por mim esse carinho que eu sinto por ele. Até porque ele não demonstra, ele deve ser o melhor jogador de poker da mundo. 

Eu acho que simpatizo até com a esposa dele, sem nunca conhecer. Acho que em alguma medida eu a acho incrível e a idolatro um pouco. Um misto de admiração e inveja que me dói um pouco admitir... Talvez nem seja inveja, talvez seja ciúmes...

E eu choro, choro com a mera possibilidade de perder o contato, choro com a possibilidade de não perder o contato, choro porque já não faz parte do dia a dia, porque sinto saudades, porque não sinto a apreciação... Eu choro. 

É a primeira vez que me permito sentir algo assim, que não barro essa tristeza nem fujo, é a primeira vez que deixo meus sentimentos fluirem. Talvez seja mais dolorido, talvez seja o caminho das pedras, mas acho que estou indo bem, estou me sentindo bem, sentindo que a minha reação é a correta. Entenda, eu não gosto dessa tristeza e incerteza, mas acho que é o que eu deveria sentir.

22 de agosto de 2015

Quando entender não é tudo

Eu entendi, entendi mesmo o porque de sentir o que sinto, mas isso não quer dizer que não vai mais doer. Talvez esse seja o grande aprendizado, entender que as vezes dói e que não vai parar de doer só porque se descobriu onde está machucado. Leva tempo para cicatrizar e enquanto isso vai doendo, mas cada vez vai doendo menos.

Em meio a dor me lembro que é um mal necessário, que nada é eterno e que tenho um porto seguro, um porto que nem sei se é tão seguro assim, mas com o qual estou contando. E entre um nó na garganta e um sentimento de que "eu não sou obrigada" percebo que fui estragada para a vida, que gostar demais de uma coisa que não tenho mais fez com que todas as coisas que viessem depois disso não fossem tão importantes. Isso alivia a pressão neste lugar novo, mas me impede um pouco de me dedicar como deveria, até por uma questão de aprendizado.

Eu estou tentando lidar com tudo de uma maneira diferente, mas não é fácil. Eu tenho que ignorar meu instinto me dizendo para engolir e aguentar, tenho que me deixar sucumbir um pouco, mas não demais porque a vida segue... É um equilíbrio em que eu ainda preciso descobrir o ponto certo.

E nesse novo jeito de lidar eu percebi que entender não é tudo quando nós nos deixamos sentir, entender não faz a dor sumir, só nos faz saber o porque ela está ali. Só o tempo vai resolver essa dor. Não é falta de criatividade, lugar comum, ou fraqueza, é só a verdade: o tempo é o melhor remédio.

20 de agosto de 2015

O que será que é...

Eu passei a semana toda tentando saber o que era, o que era que me sufocava e deixava aquele nó na minha garganta. Resolvi não engolir. Resolvi por pra fora, chorei até soluçar, até meu rosto ficar inchado e eu sentir sono de cansaço. Eu fiquei esgotada. E depois de falei, falei sobre estar triste, contei que sabia ser irracional, mas que simplesmente sentia aquilo. Me deixei perder o apetite e a força de vontade pra vida, não tentei racionalizar e foi por um escorregão que eu pensei que uma hora ia passar. No fim o que eu fiz foi me deixar sentir aquela dor sem especular sua origem, deixando ela extravasar, sem tentar conter. Me deixei ser vulnerável e mais que isso, me deixei parecer vulnerável. E o mundo não acabou, nada explodiu e ninguém morreu, só eu que fiquei mais leve sem nem entender direito o que se passava. Foi diferente e enriquecedor. 

E nesse tempo me questionei sobre minhas decisões e sentimentos, as primeiras eu tinha certeza, eram fruto de raciocínio lógico, eu tinha agido corretamente e não me arrependia, ainda que não tivesse certeza de quais decisões tomaria no futuro, resolvi deixar o tempo fazer seu trabalho aí. Meus sentimentos... Esses me confundiram. Afinal, porque tanta saudade? Porque tanta necessidade de manter contato? Porque o medo de estar longe? Será que eu não estava sentindo algo a mais? Será que eu não estava reprimindo nada porque era o correto a fazer?

Foi só com ajuda que eu comecei a entender o porque dessa saudade desenfreada, desse nó na minha garganta me sufocando. Eu entendi que eu estava em um lugar novo onde tenho que lutar para obter a confiança dos outros, onde eu sou inferior hierarquicamente e tenho menos poder, onde as pessoas que lidam comigo vão me patronizar e eu não vou ter a liberdade que tinha. Eu tenho que provar meu valor de novo. Onde eu estava meu valor já estava provado, eu tinha poder e a confiança dos outros, eu era tratada de igual para igual. Eu me sentia em casa lá, como se tivesse achado meu lugar no mundo, porque lá eu era tratada de igual para igual. Talvez pela primeira vez na minha vida as pessoas que eu respeitava e admirava não me tratavam como inferior, me tratavam como igual.

E essa saudade é nada mais do que o desespero que me batia ao ver que agora eu não mais me veria em uma relação onde alguém que eu admiro me respeita igualmente, mas em uma relação onde eu vou ter que provar que sou igual. Lá onde eu estava nunca tive que provar nada a ninguém, foi tudo natural e sem eu perceber. Eu não sinto saudades porque amo, pelo menos não como eu temia, eu sinto saudades porque aquela confiança que tinham em mim era o que me sustentava e eu sinto falta desse apoio. Foi a única vez que alguém que eu admiro confiou em mim, me vendo como um igual, sem me subestimar por causa da minha posição inferior na relação, ou me inferiorizar, mesmo se as vezes eu fizesse isso comigo mesma.

Foi com ajuda que percebi que isso pode ser a raiz de muitos problemas. Ser inferiorizada, me deixar ser inferiorizada, pode ser a raiz de eu não conseguir me relacionar. Relações iguais são o que faltam na minha vida, lugares onde eu posso assumir quem sou e o que eu sinto sem receio de ser inferiorizada. Eu preciso aprender a não me deixar ser inferiorizada.

E é mais uma daquelas coisas que parecen tão bobas, mas que fazem tanto sentido que me surpreende nunca ter percebido isso sozinha.

16 de agosto de 2015

O que me aguarda amanhã

É difícil deixar para trás algo que foi, ou que é, importante para nós. É difícil sair de um lugar onde me sei querida e competente para abraçar novos desafios cheios de novas inseguranças para mim. É difícil deixar para trás pessoas especiais por quem temos carinho porque sabemos que é o que devemos fazer.

Eu sei que vai ficar tudo bem, que vai dar tudo certo e que eu vou ser feliz, meu problema é outro. Meu problema é a mudança, é não estar mais na minha zona de conforto com pessoas que me entendem tão bem, por quem tenho um carinho imenso. Mais do que medo de não gostar do novo emprego, eu tenho medo de gostar. Medo de esquecer ou passar por cima de tudo o que esse emprego do qual eu saí significa pra mim. Eu tenho medo de esquecer essas pessoas que foram tão importantes na minha vida, medo de que elas deixem de ser importantes.

Eu acho que posso ter um sério problema de apego ao passado. Eu não gosto de seguir em frente por medo de deixar o passado ir embora, mesmo sabendo que este é o certo, o natural... Que vai me fazer bem. Deveria ter um meio termo aí, um jeito de nós sempre seguirmos em frente, mas sem abandonar o que já faz parte de mim. Sem ficar com uma sensação de vazio cada vez que olhamos para trás. 

Eu sei que vai ficar tudo bem, que eu vou ser feliz, mas eu preferia não ter a mudança.



14 de agosto de 2015

Despedida

Um abraço que me fez chorar. Dizer tchau não é fácil, muito menos quando a despedida é de um grupo de pessoas com quem você conviveu durante um tempo relativamente longo. Nessa despedida eu sabia que iria chorar, só não sabia quando.

E eu comecei a chorar quando a porta do elevador fechou e ele começou a descer. Depois de um dia todo se despedindo, dando abraços, agradecendo votos de sucesso e sorte e focando na organização das coisas finais, para que tudo ficasse ok após a minha saída, para que ela se desse de forma suave. Eu sabia que iria fazer falta, que eu era necessária ali e que as pessoas gostavam de mim, mas sabia que tinha que ir embora, que era o melhor para o meu futuro e até para o meu presente. Eu nunca terminei um relacionamento, mas quando comecei a chorar me senti terminando um relacionamento com alguém que eu amava muito.

O que mais me balançou não foi o geral, o geral atendeu as expectativas, o que me balançou e colocou o nó na minha garganta foram os abraços finais. O Dr. foi um fofo como sempre, a Vivi uma linda, devo muito a eles dois e me despedir deles só não foi mais difícil que me despedir do meu chefe. Ele me ensinou tudo o que eu sei, ele tem um senso de humor parecido com o meu e as vezes eu nem tenho certeza se não gosto dele demais. Quando ele me abraçou e agradeceu, disse que se precisasse de alguma coisa era para ligar... Quando eu li o que ele escreveu no meu cartão de despedida... Eu vou sentir tanta falta dele. Sentir falta dessa sintonia, da companhia dele e da amizade e no que ele escreveu ele disse que sentiria falta disso também. E isso me dói a garganta porque eu, apesar de saber minha necessidade e que ele gostava de mim, não esperava que eu fosse importante para ele como ele é para mim. Talvez, mais uma vez, eu tenha subestimado o efeito que eu causo nas pessoas.

E eu não sei o que vai ser da minha vida daqui a um ano, quem dirá cinco, mas acho, eu espero que uma coisa não mude: minha vontade de voltar a trabalhar com essas pessoas fantásticas e com ele novamente. 

7 de agosto de 2015

Perdas

Não tem palavra que possa ser dita que suavize a dor que você sentirá. Não tem jeito certo de lidar com isso, não uma regra, uma conduta correta. No fim, o lugar comum tem razão: só o tempo ajuda. Tem gente que chora muito, tem quem fique com raiva do mundo, tem quem aja como se nada houvesse acontecido e tem quem misture tudo, em todos os casos a dor está ali, do jeito dela, adaptada a pessoa, mas ali, ocupando o espaço que lhe cabe naquele coração.

Tem gente que vai te dizer para ser forte pelo outros, tem gente que vai fazer piada querendo que você dê risada, vai ter alguém que vai compartilhar com você um silêncio confortável e alguns com quem o silêncio vai ser ensurdecedor. Sempre vai ter alguém te lembrando do tempo, da ordem natural das coisas, de uma outra perda (sua ou de quem te fala), vai ter quem chore muito, quem chore nada e a grande maioria não vai ter ideia de como agir perto de você, mesmo que finjam saber.

E cada perda gera uma reação diferente, sua, dos outros, na vida. Algumas, mesmo que possam ser as mais doídas, geram alterações imperceptíveis. No fim, é só o tempo que vai amenizar aquela saudade gritante que você vai sentir, ele que vai trazer as mudanças e te ocupar com novas rotinas. O tempo vai curar a ferida, mas a cicatriz vai estar sempre ali.