28 de novembro de 2015

Aprendendo coisas novas

Eu sempre falo para minha mãe fazer algum curso ou atividade nova e ela sempre diz que vai fazer, mas não faz. Isso sempre me incomodou muito, porque ela precisa conhecer novas pessoas, sair um pouco da zona de conforto dela, explorar a vida e aproveitar melhor o tempo livre. São coisas que todos deveriam fazer, na verdade, sempre, mas, quem de nós realmente faz? Quem de nós tem coragem de fazer coisas novas sempre? Aprender novos truques e, principalmente, se dispor a aprender novos truques é algo extremamente difícil. Existe uma insegurança natural que nos impede, quase um instinto de sobrevivência que se manifesta na forma de medo de parecer ridículo, será que ainda tenho idade pra isso? Será que não vou pagar mico? E se você decide fazer um curso novo, ou atividade nova sozinha então... Quem vai passar vergonha com você? Se existe alguma solidariedade na atividade de seus amigos, então, por alguma razão, existe alguma segurança. 

Eu senti tudo isso hoje. Já vinha sentindo há algum tempo, mas hoje  um pouco mais, porque antes era só o pensamento de fazer algo novo, a ideia, o plano. Mas ontem fui na loja e comprei o skate, acho que comprei mais porque o vendedor era bom do que porque pelo plano que eu tinha, mas comprei. Assim que comprei me arrependi. Imagina? Eu, quase 25 anos nas costas e decido começar a andar de skate... É demais né? Além de velha ainda não me encaixo sabe? Não sou o tipo de menina que anda de skate, qualquer um vai bater o olho em mim e sacar e me achar uma patricinha velha ridícula. Mas hoje eu coloquei o equipamento e fui pra quadra de cima tentar andar, porque por mais que eu estivesse morrendo de vergonha, sozinha e achando que todas as pessoas do ponto de ônibus estavam rindo de mim, eu gastei uma grana nesse skate e minha mãe já estava duvidando de mim, então virou uma questão de orgulho.

Foi nessa caminhada de uma quadra eu entendi o porquê da minha mãe não fazer um curso ou atividade nova. Deve fazer mais de 10 anos desde o último curso que ela fez, e ela só fez porque era obrigatório e ela estava com os amigos do trabalho. Minha mãe deve ter todos esses pensamentos que eu tive. E se para mim estava sendo difícil, eu com 24 anos, imagina para ela com 65? 

Fazer algo novo, aprender algo novo é algo que exige de nós uma coragem muito grande, mas vale a pena e se você superar as inseguranças vai descobrir isso. Não importa se você tem 15 ou 65 anos, a coragem é a mesma e o prazer vai ser também. Eu nem caí nenhuma vez e mal posso esperar para ir de novo.

16 de novembro de 2015

Demônio do meio dia

Eu sinto que preciso descarregar, mas ainda não tenho certeza do que. Aquela agonia já não me domina, mas ainda tem dias melhores que outros. Via de regra, tenho focado no futuro, é um escape fácil, se pensar muito no presente começo a sentir seu peso e não acho que possa carregá-lo. 

Acho que aprendi a cooperar, lidar com essa parte pessimista e desesperada de mim, então no inverno fico sonhando com o verão e no verão me preparo para o inverno, só não tenho certeza de qual estação estou nesse exato momento, as vezes elas se confundem.

Talvez fosse mais fácil se minha relação com a liderança não fosse tão... Inominada. Temos um vínculo em comum, alguém que eu admiro muito e por isso tenho medo de decepcionar, mesmo sabendo que eu nunca o decepcionaria, primeiro porque desfruto de uma confiança que eu não sei de onde veio, segundo, porque não é do feitio dele se decepcionar, ele é realista demais pra isso. Em todo caso fico com medo de não corresponder às expectativas dela e assim decepcionar a ele, ao mesmo tempo que acho que ela já simpatiza comigo, por causa desse vínculo e por outro lado, ainda acho que ela já não simpatiza comigo por causa desse vínculo. Eu não sei onde piso com ela e isso é assustador.

Então eu coopero, penso no futuro, que apesar de incerto é leve e cheio de possibilidades e vou levando o dia a dias sem pensar muito. O problema é que eu sou o tipo de pessoa que precisa parar e pensar um pouco, no silêncio da natureza e na calma da solidão. 

Acho que estou ficando viciada em meditação.

5 de novembro de 2015

Vamos fazer um escândalo

Imagine você que ao entregar o abstract da minha iniciação científica ao meu irmão recebi dele a seguinte opinião: "Talvez eu esteja meu chato hoje, mas você tem que parar com esse negócio de feminismo e ficar pensando nisso. Isso é coisa de mal comida". Eu não disse nada sobre esse comentário e me atentei à gramática inglesa que precisava de correção. Não que eu não tenha ficado revoltada, eu fiquei, e deveria ter entrado na briga, deveria ter discutido e mostrado que não é bem assim. 

Para uma mulher que conhece o feminismo é quase natural pensar sobre isso no dia a dia. Nós pensamos no feminismo quando estamos no metrô e um cara te olha fixamente durante mais de 20 minutos, nós pensamos no feminismo quando recebemos uma cantada, seja ela um fiu fiu, ou seja ela um "quero te chupar todinha, delícia". Nós pensamos no feminismo quando o instrutor da auto escola fica colocando a mão na nossa coxa, e quando o senado ignora nossa opinião sobre estupro, mesmo que nós sejamos a grande maioria de vítimas desse crime. Nós pensamos no feminismo porque temos que aguentar diariamente o machismo, mesmo quando ele aparece em sua forma mais sutil, não tem nada a ver com a nossa vida sexual. Aliás, outra demonstração de machismo: ser "mal comida" implica que o cara que me comeu não o fez direito... Eu não tenho controle nem sobre isso?

É triste escutar esse pensamento do meu irmão, principalmente depois de que, em uma de nossas conversas sobre o assunto, eu fiquei com a certeza de que ele tinha entendido nossa luta. Ele claramente não entendeu. E eu, ao me calar e mudar o assunto da conversa, fui cúmplice do comportamento dele. Porque não adiante pesquisar o assunto, ver vídeos e textos no facebook e não se manifestar diante de comentários assim. Parafraseando a Jout Jout: temos que fazer um escândalo.

Claro que a reação dele foi quase que natural, ele (nós) foi criado por uma mãe machista, num círculo social machista, estudou em uma faculdade machista e alguns de seus amigos foram acusados de estupro na CPI da USP e ele deve estar de saco cheio. Eu entendo a reação dele. Mas também entendo que o mundo está mudando, que ele e os amigos que ouviram a vida toda que pegar mulher bêbada é mais fácil vão ter que aprender que isso também é crime. Porque nós estamos aprendendo a fazer um escândalo e ele vão ter que aprender a viver nessa nova realidade, que ao meu ver é muito mais justa. 

Perder privilégios não é fácil para ninguém, mas a mudança vai vir mesmo assim, porque está chegando nossa vez e nós nem queremos privilégios, queremos apenas a equidade.

1 de novembro de 2015

Perspectiva

Eu tenho estado em uma crise tão grande na minha vida que acabei perdendo uma coisa muito importante: perspectiva.

Hoje dando uma olhada em alguns arquivos antigos do meu computador me lembrei de uma coisa que meu pai disse uma vez ao meu irmão, talvez até tenha dito para mim também, mas não me recordo. O que ele disse foi que nós devemos, de tempos em tempos, fazer um planejamento do futuro, mas não algo para o ano que vem, um planejamento de vida inteira. É algo extremamente difícil de se fazer, mas é algo importantíssimo para adquirir perspectiva. Ter um objetivo distante, um sonho é o que nos move, e eu tenho estado tão bitolada com minha realidade que não faço isso há algum tempo.

Eu achava que queria ser advogada da ONU, ajudar os pobres africanos, viajar bastante e ser rica, assim, sem motivo algum, apenas ser rica. Hoje, com os pés um pouco mais no chão, acho que quero ser advogada sim, e acho que quero ser advogada cível, ainda que recentemente isso tenha me parecido chato. Na verdade, eu estou em dúvida entre três campos: cível, administrativo e tributário. Estou tentando tributário e vamos ver se eu gosto, estou tentando ir de peito aberto e não tenho odiado ou achado inútil como quando eu trabalhava com cível, apesar de saber que estou trabalhando para o demônio (aka Banco).

E, por ter o pé mais no chão, sei que não vou conseguir ficar só nisso, sei que vou querer fazer mais alguma coisa da minha vida que pode ser a escrita, e/ou o teatro. São duas coisas que quero fazer e estou decidida a fazer no máximo no primeiro semestre após a faculdade. É que ano que vem é OAB e TCC, se no último semestre da faculdade eu estiver mais livre posso adiantar o curso de escrita, quem sabe? Não tenho certeza se vou fazer jornalismo ainda, mas quero dar um jeito de melhorar minha escrita para lá na frente ganhar dinheiro com ela também, ou mesmo nem ganhar, só ser lida já seria bom. Já o teatro vai ser uma tentativa de realizar um sonho, talvez continue fazendo parte da minha vida, talvez não, isso vou ver depois de começar as aulas.

Algo que recentemente me fez brilhar os olhos foi dar aulas, acho que pode ser uma boa forma de alimentar meu ego, e eu sempre gostei de estudar, porque não dar aulas? O único medo que eu tenho quanto a isso é não ser boa, se eu não for, não vou insistir, não quero ser como alguns professores que eu tenho que estão ali só por estar.

Pensando nisso decidi algumas coisas para minha vida: no último semestre da faculdade, ou no semestre imediatamente seguinte vou fazer um curso de extensão do novo CPC, no semestre seguinte vou fazer minha pós na área que eu estiver trabalhando, que deve ser uma das três acima. Quero fazer o teatro nesse meio tempo e o curso de escrita criativa também. Acho que vai ser quase impossível, mas é o que pretendo. O teatro e o alemão seriam só de sábado, de modo que acho que posso encaixar, a extensão eu levo numa boa com a faculdade e o trabalho, ou se fizer no semestre seguinte faço o curso de escrita criativa junto. E a pós é só duas vezes por semana, dá pra fazer.

A única coisa que eu não tenho certeza é sobre a advocacia, onde irei exercê-la, se na administração pública, se em uma empresa, ou se em um escritório. É algo que eu acho que terei que ir na tentativa e erro e talvez eu esteja ficando melhor nisso, superei mais rápido a mudança para este escritório então... quem sabe?

No meu futuro imediato eu sei que quero passar na OAB, entregar meu TCC e me formar. Depois disso fazer o curso de extensão do novo CPC, um curso de escrita criativa e então teatro e pós, isso sem largar o alemão. Depois da pós talvez eu faça mestrado, para dar aulas, mas não tenho certeza se é necessário, então talvez só o faça se eu realmente achar que o magistério é para mim. Daqui a uns 15 anos eu me vejo advogando, escrevendo e dando aulas, além de com uma família. Não tenho certeza de onde vou estar, se em SP, ou no litoral, se no Brasil ou em outro país, mas hey, tenho meio caminho andado na coisa da perspectiva, conte suas vitórias.