29 de dezembro de 2015

É preciso caminhar


Eu vejo a vida como uma longa caminhada, quase um jogo de video game dos anos 90, alguma coisa entre Mario e Sonic. Estamos sempre caminhando e por vezes encontramos um obstáculo, nós caímos, nos machucamos feio, as vezes é nossa culpa, as vezes não e a única escolha que temos é ficar no chão, abandonar a caminhada e game over, ou levantar e seguir em frente. Eu caí muitas vezes nesse jogo, mas sempre me levantei e continuei, mesmo que depois de enrolar um pouco, curtindo o machucado, mesmo sabendo que continuar andando ia ser difícil. Tem sido uma longa caminhada e, confesso que, não estou em um dos meus melhores momentos.

2015 foi um ano muito bom em vários sentidos difíceis de lembrar porque a única memória que se destaca em um pensamento rápido é a dor de sair da 7, de me separar deles todo e neste exato momento a má escolha de ir pro lima. Eu sei, também foi o ano do Canadá, que a minha avó venceu o câncer, que meu sobrinho nasceu, que eu reduzi os seios como queria e várias outras coisas boas, mas elas não se destacam no meu olhar rápido, porque essas alegrias se apagam um pouco quando comparadas a dor que eu também senti neste ano. E cada vez que me lembro disso fico querendo que 2015 acabe logo e que chegue de uma vez 2016 me trazendo algum sentimento de paz, quem sabe as respostas para a crise economica do país e pessoais profissionais minhas?

Acho que é a primeira vez em anos em que eu não estou sonhando com um grande amor nesse ano que vai chegar e pensando em retrospecto de uns seis meses para cá essa foi uma questão muito pouco pensada por mim. Eu preciso me achar. Antes de qualquer coisa eu preciso me definir e 2016 vem aí para isso. Eu não vou ter paz. Eu vou ter TCC, OAB, faculdade, alemão, buscar um novo emprego para poder me demitir do meu, vou viajar sozinha para o Chile, vou me formar na faculdade e em meio a tudo isso ainda vou precisar achar tempo para curtir meu sobrinho, meus amigos, andar de skate e me achar! Eu vou ter um ano tão frenético que não terei tempo para ter paz. Em um primeiro momento a perspectiva de 2016 ser assim me assustou, desesperou, eu só queria rotina! Mas agora... Me acalmei. Comecei a olhar para o ano que vem aí como um novo caminho, um que estará me levando cada vez mais para quem eu quero ser, mesmo que eu ainda não saiba bem quem é. 

21 de dezembro de 2015

O pré e o pós operatório

Parte de mim sente como se essa cirurgia não fosse ser nada demais. Para que o escândalo? Para que todo mundo falando disso? Você quer visitar no hospital? 

Mas outra parte de mim está ansiosa, ansiedade boa, sempre se faz necessário dizer. Eu sinto como se essa cirurgia fosse mudar minha vida, como se daqui para frente tudo fosse ser diferente... E pior que eu sei que não é assim, mas fico ansiosa do mesmo jeito. 

Minha psicóloga disse que pode ser significativo, mais do que eu acho, que a cirurgia seja das mamas, algo tão feminino, tão representativo do materno. Eu que sou toda paternal, masculina... Ela disse que poderia acabar mexendo mais comigo do que eu esperava... Vamos ver.

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Sabe quando você vai cortar o cabelo e depois fica achando que o cabeleireiro cortou demais? Então! Num primeiro momento olhei meu reflexo na janela do hospital, ainda usando o avental e ele parecia tão grande em mim... Me senti muito mais delicada do que antes, como se finalmente minha figura fosse feminina.

Então hoje, dois dias depois já sinto algo diferente, quase oposto. Sinto que estou com os seios pequenos demais e isso ressaltou minhas costas e agora minha figura está mais masculina do que nunca. E eu estou inchada, então ainda por cima me sinto gorda. 

Eu sei que vai ser um longo processo até me acostumar novamente com o meu corpo, mas minha vontade era pular o processo e ir logo para as partes boas, como as roupas que poderei usar.

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Uma semana e meia depois, com boa recuperação atestada pelo médico, sem ter ficado em nenhum momento de cama, quase sem dor o tempo todo e me irritando apenas com o fato de não pode dormir de barriga para cima, começo a me acostumar com a minha nova forma. Comecei a me olhar no espelho e reparar que minha figura parece... não sei se seria correto dizer mais agradável, mas quando vejo meu reflexo os seios não são a primeira coisa que eu noto. Eu me pesei também, vi que mantive meu peso, menos o que tirei, e talvez com isso eu tenha começado a ver que eu não estou gorda.

Na verdade, hoje comecei a sentir que eu estou exatamente com o corpo que eu queria estar e é uma sensação incrível poder usar tudo quanto é roupa que eu quero sem me preocupar com o soutian aparecendo atrás. Ver as roupas servindo com facilidade e ficar feliz olhando o próprio reflexo. Não me leve a mal, eu era uma peituda um pouco acima do peso bem resolvida, mas hoje me senti um pouquinho mais feliz, como se antes eu amasse meu corpo, mas agora amo um pouquinho mais.

12 de dezembro de 2015

E 2015 que não acaba nunca?

O que dizer desse ano que foi tão atribulado, cheio de descobertas, confusões e dor?

Acho que o que vai ficar é a dor. A dor da sair da 7, de deixar para trás aquelas pessoas de quem gosto tanto, mesmo sempre voltando para visitar a dor da saudade ainda é forte e cada vez que os vejo de novo ela cresce e demora a diminuir. Dor também de ter ficado confusa, de não saber ao certo o que quero do meu futuro e ver ele cada vez mais próximo, de não me sentir em casa em mais nenhum trabalho. Talvez seja porque ainda não tive tempo disso, talvez ficando mais eu deixe de me sentir uma visita, mas por enquanto vai doendo. Dor daquela agonia de ansiedade, de medo do novo, do futuro, do fato de que simplesmente não era a 7. Dor da distância de quem foi meu mentor e eu passei a ver como irmão e dor do medo de ser um sentimento em uma via de uma mão só.  E, por que não?, dor de ter me afastado dele, que um dia foi meu amor platônico, mas que virou criança esse ano, saudades dele. Acho que o que vai ficar é a dor, a gente sempre lembra mais da dor. Mas tiveram coisas muito boas também.

2015 foi o ano em que meu sobrinho nasceu e com isso a família deu uma ampliada, porque eu meio que acabei ganhando 3 sobrinhos e não um só. Acabei ficando mais próxima do meu irmão de alguma forma e ainda não é o ideal, mas estamos muito bem. É o ano em que eu fiz o voo de parapente, achei uma psicóloga que tem me ajudado muito também e me faz ver coisas em mim mesma que eu não percebia sozinha, e também um ano em que emagreci os 4 kilos que queria, e talvez antes do fim do ano perca mais um. Esse ano também decide fazer a cirurgia de redução dos seis, e eu ainda não fiz, mas pretendo fazer daqui a uns dias, porque eu sinto que vai ser libertador de alguma forma e 2015 precisa de alguma outra coisa boa antes de terminar.

E eu que, na postagem final do ano passado, pedi por um ano diferente, com mais acontecimento tive exatamente o que queria, mas uma vez eu me lembro daquela frase "cuidado com o que você pede, pode acabar conseguindo". Eu sei que é a ordem natural das coisas, que é a vida que segue, mas nesse exato momento sinto que a vida que segue é uma droga e que mais me valia a vida parada de 2014, eu acho que lá eu era mais feliz.

Então para 2016 eu quero paz. Eu quero dar risadas, me sentir em casa, me sentir apoiada, me sentir segura. Eu quero o sentimento de 2014. Eu quero fazer um coaching para direcionar minha carreira e de alguma forma descobrir o que quero, quero passar na OAB sem sobressaltos e me formar na faculdade. Eu adoraria se eu conseguisse fazer do Skate um hobby também e fazer alguma luta seria interessante. Outra coisa que eu quero muito fazer, e vou fazer, é ir para o Chile em julho, passar pelo menos 15 dias, conhecer Santiago, o deserto do Atacama e Uyuni. São planos, os primeiros parecem os mais simples mas eu sei que serão os mais difíceis, mas mais uma vez vou eu aí, tentar fazer dar certo. É a vida que segue, espero que em 2016 ela seja mais feliz.  

10 de dezembro de 2015

No chão da livraria mais próxima

Eu criei um hábito de antes do trabalho, tendo uns minutinhos, passar na Fnac e ficar em um canto qualquer sentada no chão, lendo, escrevendo, pensando... É uma forma de meditação, um tempo meu, uma coisa que dribla a ansiedade e me traz paz. Então aqui estou eu novamente, dessa vez pensando na semana que eu tive, repensando tudo e vendo qual a melhor pauta para a terapia hoje. Foram tantas coisas... 

Acho que tudo começou no sábado, quando fui em uma festa com meu irmão e minha cunhada. Festa estranha, gente esquisita. Eu não conhecia ninguém a não ser eles dois, eles também não conheciam muita gente, mas pareciam muito mais confortáveis. Era numa casa grande, luz baixa, dj tocando mpb dançante, luz negra, pintura na pele e roupas de gente de humanas. Lá pelas três da manhã a polícia bateu, de boa, só conversaram e mandaram baixar a música. Logo depois deles, nós também fomos embora. Não que tenha sido aquele pesadelo que a ansiedade pinta, mas não foi exatamente bom. O ruim mesmo é meu irmão sempre me tratar como criança, é a tentativa de me agradar. Não agradou, mas não foi tortura também.

Depois temos a prova, que não foi bem e fiquei para a final. Tudo bem. Eu sempre pego uma subs, e o que é uma final quando se tem dez matérias? Parando para pensar, eu me superei. Sim, porque peguei uma final entre dez, porque foi um semestre sem meio período em véspera de prova, porque a turbulência emocional bloqueou muito a intelectual ao longo do semestre. Então é, estou com raiva, afinal, só me faltou meio ponto, mas estou conformada.

Temos ainda que me chamaram pra festa de fim de ano da 7. Sim, não basta deixar saudades, eles tem que ser incríveis depois também. Eu fiquei ansiosa, dessa vez uma ansiedade boa, altas expectativas, que eu sei que não serão alcançadas, mas que nascem mesmo assim. Claro que não fui a única a ser chamada, os outros dois também foram e ainda bem, sozinha eu não iria. A dani talvez não vá, mas eu e o lucas vamos. Comprei até um vestido novo pra isso... Não sei porque essa animação toda, mas fiquei muito feliz em ser lembrada, tão feliz que nem estou me pegando muito ao fato de que a L vai estar lá. É que com ela lá pode ser estranho, já que ela é minha atual chefe, mas ela é legal.

Essa semana no meu trabalho percebi isso. É que lá impera um controle de qualidade muito rigoroso e eu sei que deixo a desejar. Por um lado, é bom, tenho aprendido a ter mais atenção no que faço e a dar valor as coisas pequenas e a forma, não só ao conteúdo, porque essas coisas são importantes pra eles e pro trabalho de forma geral. Por outro lado, isso coloca uma pressão extra em cada coisa que eu faço, e também acabo me preocupando mais com meus errinhos porque sei que eles se preocupam e sei (e temo) a descartabilidade das pessoas ali. Mas no fim do dia ela é legal, meu problema é que eu tenho medo de não alcançar as expectativas dela, e por consequência, não manter as dele. Mas eu sou assim com tudo! 

Sábado, logo depois da festa tive uma briga com a minha mãe sobre isso. As expectativas dela para mim são de que eu seja como meu irmão. Bom, eu não sou e me irrita e, machuca um pouco, que ela não aceite isso e ache valor em quem eu sou.

E aí, por último, mas não menos importante, temos essa entrevista que fiz hoje. Sociedade de economia mista. O salário é maior do que o meu atual, mas é sociedade de economia mista. Eu não sei se passei, até acho que não porque fui mal na entrevista, mas o que fica dessa entrevista é maior, é a pergunta "o que eu quero da minha vida?". Se eu passasse teria um trabalho mais tranquilo, teria meio período em época de prova, teria tempo pros estudos, oab, tcc, tudo o que tinha na CET, mas com um salário melhor. Mas também teria um grande desemprego ao fim do estágio, isso comigo quase sem experiência em escritório e ao fim da faculdade. Se eu quisesse concurso isso seria bom. Mesmo. Perfeito. Mas eu não sei o que quero. Prestar concurso me remete ao vestibular e toda aquela frustração e eu não sei se quero isso de novo, apesar de estar começando a a achar seriamente que só ali conseguirei a qualidade de vida que me interessa. 

E aí? Vamos falar sobre o que?

7 de dezembro de 2015

Desamarra

É como se sair da 7 tivesse bagunçado todos meus planos, mesmo que ficar ali para sempre nunca tivesse feito parte desses planos. Eu me sinto tão perdida... Minha vontade era jogar tudo para o alto e passar um mês viajando e descobrindo o que eu quero, mas vamos ser realistas: não tenho dinheiro para isso. E se tivesse, se fizesse isso, seria apenas fugir do problema. Acho que meu futuro profissional, e talvez todo o meu futuro, depende de uma série de tentativas e erros, mas não consigo apontar exatamente o erro dessa vez. 

Eu saí do último emprego ainda no luto, ainda comparando tudo, e hoje, um mês e pouquinho depois, começo a achar que talvez eu tenha me apressado, que não era tão ruim lá, que eu tinha chances de crescer lá. É complicado, eu acho que me sinto assim por conta desse apego ao passado que eu sempre carrego comigo, então uma vozinha grita lá no fundo tentando me lembrar de como eu me sentia lá. E também... o que passou passou, é preciso focar no presente e descobrir como eu me sinto aqui e agora para não voltar a cometer o que talvez tenha sido um erro.

Hoje eu me sinto perigosamente descartável, consequentemente sinto necessidade de sair antes de ser descartada. Mas não tenho certeza de quão descartável eu realmente sou, porque não tenho noção do quão insegura eu sou. E também sinto uma constante pressão para não errar, porque um erro pode me descartar e aí entra a dosagem de insegurança também. Eu preciso apagar esses fatores do local, preciso focar no fato de estar fazendo algo diferente, na área, na aprendizagem, no trabalho, para então decidir se eu quero me manter ali. Preciso me libertar das pessoas, me desamarrar da insegurança... Preciso me empoderar para ter certeza do que eu quero. 

Preciso pensar.

5 de dezembro de 2015

Ansiedade

Eu não sei se as outras pessoas entendem o quão difícil é, para mim, fazer determinadas coisas. Eu acabo fazendo essas coisas do mesmo jeito, porque sei que são coisas necessárias, porque sei que se não as fizer vai ser pior, mas isso não diminui a dificuldade que eu tenho de fazê-las e acho que tem alguma coisa a ver com ansiedade e não acho que seja uma ansiedade saudável.

Tenho uma amiga com transtorno de ansiedade e depressão e me assusta um pouco saber que a fobia do demônio do meio dia, que eu senti algumas vezes nos momentos anteriores ao trabalho, era muito semelhante ao que ela senti diariamente, mas em escala maior. É uma angústia enorme que cresce no seu peito, sem aviso prévio e que te imobiliza, você sente que não quer fazer determinada coisa, no meu caso era ir ao trabalho, e que se eu fizesse aquilo estaria me forçando a ser infeliz. Essa sensação causa em você um torpor que exige uma força de vontade enorme para simplesmente se mexer, seja para fazer a coisa, ou seja para ceder e não fazer, porque se você fizer vai se forçar a ser infeliz e se não fizer vai ceder e mais tarde ter que acertar as contas com a realidade, e a realidade sempre cobra suas dívidas. É tão bizarro que ao mesmo tempo que você sente tudo isso, uma voz no fundo da sua mente, provavelmente seu bom senso, fica te dizendo que você tem que fazer aquilo que não quer, fica te lembrando que depois a realidade vai cobrar a conta, fica te lembrando que na verdade você sabe que se fizer aquilo não vai ser infeliz, não vai ser tão ruim quanto te parece ali, vai ser no mínimo normal. E nos momentos em que essa angústia toda não te domina você não come, porque não tem apetite, porque a ideia de comer te enjoa, e você fica irritada, descontando sua ansiedade nos outros e você sabe que não deveria fazer essas coisas, mas faz mesmo assim porque não consegue evitar.

Eu acho que essa ansiedade toda é uma das piores sensações que eu já experimentei e acho que as pessoas não tem plena consciência da força que eu preciso ter para superar a ansiedade, fazer o que devo fazer e se for algo contínuo então a força é enorme e precisa ser contínua até que a ansiedade passe e pode demorar semanas.

As vezes não tenho essa ansiedade, as vezes enfrento as situações novas com a cara e a coragem, como no caso das viagens, principalmente na última onde fiz amigos, ou como começar na faculdade em que o desespero me dominou apenas por causa do "fracasso" de não ser a faculdade que eu queria. E as vezes, em situações idênticas eu posso ou não ter os sintomas, por exemplo: minha amiga me chama para o aniversário dela onde, a princípio, vão apenas ela e os amigos dela que eu não conheço e eu vou e sou simpática e alegre e até interessada e sem ter tido nenhum tipo de pré disposição a não gostar. Então, meu irmão me chama para o aniversário dele e eu fico enjoada com a ideia de aparecer, de ter que ser simpática com os amigos dele, de me forçar a aproveitar a festa e já vou pré disposta a não gostar da festa ou dos amigos dele e sabendo que vai ser extremamente desgastante para mim essa festa, porque vou precisar de toda aquela força para enfrentar a situação. E por mais que eu diga a ele que não estou a fim, e ele saiba em parte que é porque sou "antissocial", eu acho que ele não tem noção do quão difícil é para mim.

Talvez seja tão difícil para ele entender porque ele é muito mais social do que eu. Eu mesma não entendia minha amiga porque não entendia esse sentimento, me parecia falta de força, apenas. A diferença é que eu simplesmente aceitava minha amiga e recomendava cuidados médicos e etc... Meu irmão não, ele acha que eu devo simplesmente enfrentar a ansiedade, que vai ficando mais fácil, que devo viver algum tipo de terapia de choque que vai melhorar. E eu sei que ele está errado, então geralmente nego com todas as minhas forças e causo tempestades para não ir aos eventos sociais, principalmente os que ele me convida, porque, por alguma razão que provavelmente Freud explica, a ansiedade tende a sempre aparecer nesses convites dele.

Mas hoje não, hoje eu vou enfrentar esse enjoo, esse nó na garganta e juntar toda força que eu tenho dentro de mim, mas não porque estou escutando aquela vozinha me dizendo que eu sei que não vai ser tão ruim. Não. Hoje eu vou porque se for ruim ele nunca mais vai poder recusar meus "nãos" e muito menos passar o sermão da terapia de choque.  

Um tombo da cada vez

Hoje foi meu primeiro tombo de skate, e apenas a segunda vez em cima dele.

Não, eu não estava usando proteção. Machuquei a mão e o joelho e meu tornozelo está doendo um pouco, apesar de eu não o ter batido.

Foi uma sequencia de coisas que levaram ao tombo, a primeira delas foi que eu estava na ciclovia e ela era um pouco mais lisa do que eu esperava, então ouvi um carro passar, e pode ter sido minha imaginação, mas eu juro que escutei um "ê véia" ou algo do tipo. Já fiquei abalada e resolvi ir para calçada. Mas a calçada era toda irregular e eu mais fiquei andando segurando o skate do que qualquer outra coisa. Quando chegou em uma calçada boa eu subi, mas era um pouco descida e eu acabei pegando um pouco de velocidade e, por alguma razão, não estava bem equilibrada no skate e acabei indo para trás e desci do skate com ele em movimento, porque se não eu iria cair. Bom, eu desci e o skate continuou andando, entrou na rua e foi pra baixo do ônibus. Ouvi um barulho e quando o ônibus terminou de passar vi o skate na rua, parecia inteiro, aí com carro parou para eu passar eu peguei ele correndo e agradeci o cara. O skate estava inteiro, mas o truck (acho que é assim que chama o negócio que segura a roda) foi invertido, os dois, e parecia solto. Fui levando o skate na mão até chegar perto de casa, onde tem uma ciclovia e subi de novo nele para andar, porque eu, idiota, queria saber se ele ainda funcionava. Resultado? Dei uma remada e levei um tombo enorme de cara no chão. Só não quebrei a cara, literalmente, porque segurei o impacto com a mãe, que ralou e meu joelho foi com tudo no chão também e vai ficar bem roxo.

Não vou mentir, é desencorajador. Eu estou dolorida, com o skate precisando de manutenção (desinverter o truck) e um pouco cansada. Mas a boa notícia é que eu não penso em desistir. Primeiro por causa do investimento que eu fiz, segundo porque eu sei o que fiz de errado e terceiro porque quando eu estou em cima do skate e ele está andando eu sinto uma sensação boa que eu gostaria de continuar sentindo. O que eu preciso fazer agora é arrumar o skate e começar a andar no parque. E eu também não quero desistir porque sempre desisto de tudo, porque todo mundo já acha que eu vou desistir depois do primeiro tombo, porque eu acho que é só fogo de palha meu e quero provar a todos, inclusive a mim mesma, errados. É, é uma atitude quase infantil de tão orgulhosa, mas é a minha realidade.