27 de janeiro de 2016

E vão fazer o que?

Me demitir?

Existe algo estranhamente reconfortante em não gostar do seu trabalho. É que quando não se gosta do lugar, do que faz, ou das pessoas, você não se importa em ser demitido, você não liga muito para o que faz, pode se dar ao trabalho de ser preguiçoso porque se for demitido, tudo bem, eles apenas precipitaram sua saída que iria ocorrer de qualquer modo. E por mais que você não goste de onde está, você está em uma zona de conforto, você sabe onde está e como se portar, isso é um tanto reconfortante.

Minha ansiedade se pronuncia quando eu estou incerta de onde estou, como me comportar, como lidar com as pessoas e como elas lidarão comigo, então, por mais que eu não goste de onde estou, estou confortável. Eu gosto das pessoas de forma geral, não gosto como uma ou outra pessoa lida comigo e com o trabalho de forma geral, mas sei como ela é. Não gosto do clima, mas sei qual é o clima, sei o que me espera quando cruzo a porta de vidro e isso me conforta um pouco.

Não me leve a mal, eu estou louca de vontade de sair, praticamente não aguento mais a pressão do dia a dia e me irrita apenas o olhar de algumas pessoas, sem contar as cobranças desnecessárias e injustiças... é só que eu sei que uma vez que estiver em um lugar novo minha ansiedade pode atacar e eu sinto um pouco de medo dos momentos de inverno. 

Sinto saudades dos outros lugares, todos eles, onde não havia pairando no ar esse clima tenso, onde eu me dedicava não por medo de represálias, mas porque eu me importava o suficiente para isso, saudades de uma equipe cooperativa, onde as pessoas pudem, quem sabe?, ser amigas! Eu tenho medo do inverno que pode vir, mas eu estou disposta a enfrentá-lo de novo porque o quebeu mais quero é ver o verão que pode vir depois dele.

20 de janeiro de 2016

Entendendo um pouco mais

Eu comecei a fazer um esboço de diário escrito, mas existem certas coisas que são grandes demais para serem escritas na velocidade da caneta, é necessário o teclado. Pena para você, que um dia vai pegar todos meus escritos esparsos (blog, caderno de pensamentos, diários de viagem...) e tentar ler em ordem cronológica, boa sorte em tentar juntar tudo, porque eu mesma não consigo me juntar em um só lugar.
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É tosco que cada vez que eu vá encontrar o pessoal da CET eu fique absolutamente contente sem razão aparente. É tosco porque eu sei que a cada despedida eu vou ficar inexplicavelmente triste, com um sentimento de vazio... É a alegria de se saber parte de algo e o vazio da saudade de não fazer mais parte de algo. Sorte daqueles que tem alguém, ou algum lugar, do qual é tão difícil se despedir... Sorte.

O luto está oficialmente no fim e eu espero em breve cortar meu cordão umbilical e ir para outro local de trabalho e parte disso se deve ao fato de que eu estou aprendendo que a distância não quer dizer separação, que o fim, pode não ser o fim de tudo. As coisas se transformam e eu acho que minha amizade com o z se transformou, ou está se transformando, pelo menos eu espero que sim. Acho que isso me pareceu claro hoje com ele, com os outros não foi tão natural, algumas pessoas com quem não conversava nada antes puxaram mais assunto do que outros com quem o contato era mais próximo e isso não precisa ser bom nem ruim, só diferente. Confesso que minha relação com o z pareceu a mesma especialmente porque o assunto fluiu naturalmente e ele é sempre muito legal, em uma visita de uma hora de duração ele conseguiu não apenas nos fazer sentir em casa, mas também demonstrar aquela confiança de sempre em mim, que ele, a cada vez que o vejo, parece que demonstra. Isso é muito mais importante para mim do que eu gostaria que fosse. Envolve minha confiança nele, minha carência de alguma forma de amor incondicional e a indefinição de nossa relação, que é meio amizade, meio paternal.

E ele me contou o porque que o c saiu, eu imaginava, mas ao descobrir porque ele saiu descobri também que ele se juntou a uma moça, praticamente casado. Fiquei meio baqueada e não tenho certeza se o z notou. Porque o c merece ser feliz, ele é meio temperamental, mas é uma das pessoas mais doces que eu já conheci e merece ser feliz, feliz de verdade. E essa moça... bom, eu a considero sortuda por tê-lo ao lado dela, de verdade, mesmo com todos os defeitos dele.

E isso me leva a reflexão de que eu sinto falta daquele amor incondicional que eles me davam, sinto falta da atenção, sinto falta do carinho que nessa família tão masculina é raro, por ser um sentimento quase feminino.