25 de abril de 2016

Me organizando

Estou sentindo necessidade de me organizar. Organizar as coisas que quero, o que tenho que fazer para conseguí-las, e o que estou fazendo.

No momento não estou trabalhando, apesar de esporadicamente enviar um currículo. Verdade seja dita estou dando um tempo até a OAB, porque sei que será melhor assim, mas ao mesmo tempo ficar sem dinheiro e dependo da minha mãe é desesperador e eu queria voltar logo a trabalhar... Sem contar que sinto que estou perdendo tempo ficando "parada". 

Mas esse tempo tem me feito bem. Eu estou mais calma, mais feliz, me sinto mais completa do que quando estava em um lugar que eu não gostava. Ao sair de lá me dei conta de que eu gosto de tributário, decidi focar minhas investidas em cível e tributário mesmo e o que pegar pegou. Na faculdade vou fazer tributário, mas em estágio vamos ver o que chega primeiro. O que me preocupa é o TCC que não anda, preciso me esforçar mais nele, mas é complicado quando todos meus esforços estão voltados para OAB. Preciso do projeto e sumário prontos até o fim do mês, essa é a minha decisão.

E em termos de vida pessoal... Bom, eu sou uma covarde. Covarde porque as vezes não tenho coragem de falar nem com a minha psicóloga. Fico com vergonha. As coisas andaram um pouco, apareceu gente nova e eu me deixei encantar, mas passou. Acho que nós dois desencantamos, nele acho que faltou insistência e paciência e em mim talvez vontade. Eu vou a passos lentos, mas cada passo que eu dava eu notava nossas diferenças e isso me incomodava. Porque eu já tinha que desconstruir o físico, aí nossos pensamentos políticos não batiam, o senso de humor dele não era um arraso para mim e nossos temperamentos eram bem diferentes. Talvez eu tenho pulado fora por medo, talvez tenha só desencantado, talvez tivesse que ser assim. Seja como for já foi... Ainda que as vezes eu sinta falta da atenção. Preciso resolver essa carência.
 

17 de abril de 2016

O dever ser

Hoje eu sinto vergonha de ser brasileira. Eu sinto um nó na minha garganta, o nó que vem com a derrota. É como se a política nesse país fosse uma luta e nessa luta só quem se desgastasse e se machucasse fosse eu, fosse as pessoas que não pensam apenas em si mesmas, as pessoas que sofrem preconceitos diariamente e que todos os dias acordam para mais um dia de luta. 

Eu olho a câmara dos deputados votar o impeachment da presidenta Dilma e me sinto enojada. Aquelas pessoas que em sua grande maioria são corruptas, que louvam militares torturadores, que votam em nome de Deus, em nome da família... Essas pessoas estão lá porque foram eleitas! Elas foram eleitas porque representam o povo e sendo elas maioria na câmara, certamente são maioria na população. E é por isso que eu sinto vergonha de ser parte desse povo hoje. 

Eu sinto vontade de chorar quando penso nas pessoas que estão lá dentro e  me representam, as que me representam de verdade. Sinto vontade de chorar por elas porque são elas que estão na linha de frente dessa batalha. São elas que estão ali tentando defender meus interesses e se desgastando todos os dias em nome disso. Eu não teria essa força. Eu não teria essa coragem.

Eu não tenho essa coragem em casa, com a minha mãe que bradou com orgulho essa semana, que esperava que se não houvesse impeachment os militares nos salvassem. Não tenho forças para discutir com meus tios que leem a veja e reproduzem mentiras. Com as pessoas no ônibus que nunca se deram ao trabalho de pesquisar sobre o assunto. Para mim o errado é tão gritante que eu não consigo entender como alguém pode ser fisicamente capaz de ser assim. Eu não teria forças de lutar essa luta todos os dias na linha de frente e me sinto absolutamente fraca e derrotada por isso, porque sei que se eu não estou contente devo me mexer. Se eu não estou satiafeita devo brigar sim, brigar para defender aquilo em que acredito e tentar mudar ainda que apenas um pouco o país.

Hoje eu tenho vergonha de ser brasileira, eu penso em mudar de país, mas eu sei que eu deveria mesmo era me levantar e ir à luta.

9 de abril de 2016

Matando alguns demônios

Escrever é uma forma de matar meus demônios. Eu os coloco no papel e eles param de me assombrar. É uma pena que alguns demônios de carne e osso não somem assim, acho que seria muito mais agradável se sumissem, porque tem alguns que de tempos em tempos voltam e isso pode ser bastante cansativo.

São pessoa que eu teoria se ama, família é amor, né? Mas, não sei se sou eu que tenho empatia demais em mim, ou se eles que tem pouca, mas eles sempre levantam as mesmas questões, fazem as mesmas coisas que me importunam, coisas que eu já falei que não gosto, que me incomodam, que me machucam. Eles não se colocam no meu lugar, não tentam me entender. Eles me observam com os olhos deles, me julgam com a bagagem que eles acumularam na vida quando na verdade a minha bagagem é bem diferente da deles. Eles se quer reconhecem os próprios vícios.

Talvez eles tenham muito garantido essa coisa que família é amor, talvez eles tenham muito garantido que família é nunca abandonar ou esquecer. Família também se machuca, também cansa e uma hora, e essa hora está cada vez mais perto, minhas fugas não serão apenas momentâneas, serão mais permanentes. Não digo abandonar, mas distanciar. Morar longe, morar fora. Porque neste exato momento eu não sei o quão saudável é ficar e contar com o apoio deles e o quão libertador pode ser sair.

A coragem se acumula, a vontade vem vindo, distância nem sempre é ruim, as vezes é necessário.

Você


Você está sempre entrando e saindo dos meus pensamentos e eu não sei a razão. Eu queria parar de sonhar com você quando eu menos espero e de lembrar de você por razão nenhuma. Fazem dez anos que nós acabamos e eu acho que ainda não te superei. E nós nunca realmente fomos nada, não é mesmo? Nós nunca acontecemos. Você pode me culpar, eu me culpo um pouco, mas culpo você também e principalmente o nosso timing que não foi certo.

Ah... mas como eu queria te encontrar por aí, por acaso, sem querer. Eu não sei como iria reagir, não sei se iria falar com você ou tentar passar despercebida, porque eu tenho um pouco de medo de te encontrar. Eu tenho medo de tudo na vida, mas te encontrar é um medo mais específico, porque nesse tempo, a cada lembrança, a cada sonho, eu te idealizo um pouco e sei que você não atenderá minhas expectativas. E como da última vez, isso vai me frustrar. Você sempre foi um pouco filhinho de papai, eu lembro que aos 12 anos eu te achava mimado. Mas também lembro que aos 14 você era capaz de me aguentar nas piores TPMs, não só com paciência, mas com educação e um olhar de quem gosta de verdade.

Eu sinto falta de fazer nada com você. Eu queria conversar e saber como você está, ver se você é o que o Facebook me mostra e que não me agrada, ou se você ainda traz em você aquele menino bonito que você era, aquele menino capaz de amar. Eu estraguei isso em você? Porque eu te vejo por aí na internet com muitos amigos, mas nunca com um amor. Tenho medo de ter culpa nisso. É que nessas lembranças eu acabo sempre me perguntando se nós não somos o destino. Me pergunto se um dia, como nos filmes, nós não vamos nos encontrar por aí e dessa vez no timing certo e nos deixar amar. Depois assopro essa ideia boba da minha cabeça e passo mais um tempo sem pensar em você.

Mas você sabe né? A esperança, ela é a última que morre.