22 de junho de 2016

Mãe

Essa semana aconteceu algo particular. Saiu a lista da OAB e eu não passei. E quando a gente não é aprovado em qualquer tipo de exame enfrentamos muitas coisas com isso, como ver os amigos e colegas passarem, ver que a nota foi abaixo do que você esperava e confiava em si mesma para tirar. É o momento em que nos arrependemos daquele episódio daquela série que a gente viu naquela noite, ao invés de estudar, e também o de questionar todas as decisões tomadas nesse período de estudo, que naquele momento parecem ter sido todas erradas. É quando temos que dizer aos outros que não passamos e a cada palavra sentir nosso ego ferido.

Eu fui contar para minha mãe com os olhos ainda inchados e o resto vermelho e assim que ela me viu perguntou o que havia acontecido. Aos soluços falei que não passei. Entenda, minha mãe nunca foi do tipo mãe urso, ela sempre foi um leão, e por isso ela sempre cobrou muito de mim, e eu sempre cobrei de mim viver a altura das cobranças dela. Pedir carinho depois de uma nota ruim, pedir colo porque a ansiedade é demais, comemorar uma aprovação... isso sempre foi problemático, porque se minha nota foi ruim, foi porque eu não estudei; se estou ansiosa tenho que passar por cima e seguir em frente, não posso ficar fugindo; se fui aprovada, não fiz nada mais que a minha obrigação. Em casa sempre foi assim e sempre vai ser, e acho que isso é parte da razão de eu nunca pedir colo.

Muitas vezes em arroubos de tristeza, em crises de ansiedade e até mesmo em explosões de alegria eu sentia vontade de compartilhar aquele momento com a minha mãe. Mas, além de tudo, eu sempre tive uma dificuldade muito grande em deixar as pessoas entrarem, em abaixar a guarda e me deixar ser vulnerável. Então em cada uma dessas situações eu acabava não deixando minha mãe participar direito, seja comemorando comigo, ou me amparando.

Mas nesse dia, logo após a minha resposta ela me abraçou. Foi o primeiro reflexo dela e o meu foi me deixar ser abraçada e abraçar forte. Falei um pouco sobre a prova, ela escutou, passou a mão na minha cabeça e me abraçou mais um pouco e eu me deixei ser amparada, porque existe alguma coisa de mágico em um abraço de mãe, alguma coisa que faz nosso mundo desacelerar e nada parece tão ruim.