23 de outubro de 2016

Seu eu de 15 anos


- Eu não posso mais fazer isso - disse ela se deixando desabar sentada na cama sem coragem de encarar a ele e fixando seu olhar no tapete - a gente continua insistindo nesse namoro que nunca vai dar certo e para quê? Por que a gente ainda insiste? Para agradar meu eu de 15 anos? Para agradar o seu eu de 15 anos?

Ele encostou na parede em frente a ela e escorregou até o chão. Ela ainda encarava o tapete e ele acabou fazendo o mesmo.

- A gente não concorda em nada! Eu acho seus amigos um bando de babacas e você acha os meus amigos chatos. Eu gosto de ficar em casa vendo série quando tenho um tempo livre e você gosta de ir para a balada. Isso para não entrar no mérito política porque somos tão diferentes nisso que nem vale a pena começar.

Ela levantou um pouco a cabeça e olhou para ele, que sem levantar os olhos do tapete disse:

- Seus amigos fazem eu me sentir meio idiota - ele começou falando muito baixo, mas logo levantou o tom de voz - e meus amigos fazem eu me sentir o cara mais legal do mundo, eu não preciso me esforçar para agradar a eles e seus amigos... eles sabem que você merece alguém melhor - ela abriu a boca para rebater e o defender das próprias acusações, mas ele levantou o rosto e a encarando continuou a falar - mas você precisa sair mais, não gostar muito de balada é normal, mas se deixar você vira uma daquelas pessoas absolutamente antissociais e isoladas do mundo - ela não conseguiu se impedir de dar uma leve risada com isso, ele provavelmente tinha razão - e eu gosto de séries e talvez precise sair um pouco menos porque esses últimos meses me mostraram que tem um mundo muito legal longe das baladas. Você talvez possa me ajudar com isso e eu te ajudo a ser mais social - ele começou a se levantar sem parar de falar - e antes de você me responder eu ainda preciso falar sobre política porque a verdade é que - ele chegou mais perto dela e pegou na sua mão - eu não sei muito sobre o assunto - admitiu ele de modo dramático arrancando mais um sorriso dela - e acho que você não sabe tanto quando mostra por aí também - ele levantou a mão indicando para que ela esperasse antes de se defender daquela acusação gravíssima - mas também acho que podemos aprender juntos sobre o assunto, porque... Porque meu eu de 15 anos estava certo. Ele achava que a gente tinha que ficar juntos porque você era a menina mais incrível que eu conheci e quinze anos depois você ainda é a mulher mais incrível que eu conheci. Eu não posso desistir da gente sem ter a certeza de que eu fiz tudo que eu podia para te fazer feliz, para gente ser feliz junto.

Ana levantou e o abraçou com toda força que possuía, Murilo quase caiu para trás com o peso e a surpresa, mas depois de se recuperar a abraçou com força também.

- Talvez meu eu de quinze anos também tivesse razão - sussurrou ela afrouxando o abbraço para poder olhar nos olhos ele

- O que ela dizia? - perguntou ele intrigado

- Ela achava que a nós tínhamos sido feitos um para o outro

Murilo a apertou contra si novamente, mas dessa vez em um beijo repleto de amor.