23 de novembro de 2016

Professores

Ao longo da minha vida alguns professores me marcaram, eu talvez não lembre de todos os que cruzaram meu caminho, mas lembro boa parte deles e principalmente aqueles que me tocaram de alguma forma.

Na quarta série estudei em Ilhabela e lá tive três professoras que se destacaram de alguma forma: Mara, Lúcia e Cláudia. Nenhuma delas me marcou muito, mas a Mara se destaca porque lia livros em sala de aula e montou um teatro com a gente, foi meu primeiro contato com o teatro e cada vez que me lembro daquele ano esse teatro vem a mente. Encenamos um conto escrito por Graciliano Ramos e minha participação foi bem rápida, mas eu gostei muito. A Cláudia se destaca por causa do nosso teatrinho de festa junina, eu tive que falar na frente de todo mundo e me sentia muito feliz com aquilo, mais com a responsabilidade do que com qualquer outra coisa, ela era uma professora brava e nunca chamou minha atenção. Além disso, a letra "e" maiúscula dela tinha uma voltinha diferente que eu copiei e uso até hoje e ela foi a professora que nos forçou a ler "Fernão Capelo Gaivota" e eu não lembro do muito do livro, a não ser a sensação predominante de paz, mas pode ser que fosse por eu morar em Ilhabela, de qualquer modo ficou a sensação boa na memória. A professora Lúcia era nova na escola e nossa sala ficava "testando" ela, não ficava em silêncio nem nada do tipo, foi ela que me ensinou de verdade a fazer conta de divisão. Eu não tinha aprendido direito antes e ela um dia me chamou para ir à lousa, eu disse que não sabia fazer o exercício  e ela disse que eu aprenderia ali. Eu aprendi. Ela era uma pessoa de bom coração e eu me culpo um pouco por não ter feito alguma coisa para meus colegas pararem de "testar" ela.

Na sexta série entrou no Objetivo um professor muito legal de português, o nome dele era Silvio e o que eu mais gostei dele foi que nesse ano ele nos fez escrever uma história de mistério, algo curto e simples. Eu estava começando a descobrir meu amor pela escrita e escrevi uma história de 7 páginas, quando o resto da sala escreveu de 2 e em dupla. Minha nota foi 7, mas foi porque eu fugi do tema, coloquei romance e o mistério estava bem fraco hahaha. Na oitava série ele montou uma peça de teatro com a gente, eu achei super legal de novo, apesar de já sentir mais vergonha na hora de apresentar, e nesse mesmo ano ele nos fez filmar um jornal, podia ser gravado como rádio, mas fizemos um telejornal e eu fiz alguns personagens, uns entrevistados com sotaques diferentes, morri de vergonha na hora que foi exibido, mas ficou tudo bem. Nessa época teve também a Magda, ela já faleceu, apesar de nova, mas ela me marcou porque foi a primeira professora a me deixar de recuperação, e eu só peguei recuperação umas 4 ou cinco vezes ao longo de toda a escola. O Luciano também marcou um pouco porque foi na aula dele que fomos ensinados que as drogas eram ruins e para isso ele passou o filme "Aos 13" e também contou algumas histórias dessas que rolam na internet e que assustam as crianças, mas que me fascinavam pelo drama (interesse de escritora).

No colegial teve alguns professores que marcaram porque eram bonitos, como o Didoné, o Vicentini e o Gasparelo, mas era só isso. Teve também o Tony, um professor de matemática, pai de um amigo meu (na época) que marcou por ser muito bonzinho com a gente, ele tinha uma paciência infinita e eu até que aprendi com ele, sendo que a maior parte da matéria só fui aprender mesmo no cursinho. Teve também a professora Claudiane, que era bem legal e dava interpretação de texto, nessa época eu já sabia que era boa nisso e adorava literatura, matéria que ela também nos deu, então adorava as aulas dela e o estilo feminino, um pouco sexy e divertido.

No cursinho foram quatro os professores que mais me marcaram: Gian, Augusto, Maurício e Bucci. O Gian me marcou muito porque nas suas aulas sempre fazia o link entre a política, história, filosofia e arte, fazendo com que ver a história ficassem mais fácil, eu passei a ser capaz de criar contextos na minha cabeça e isso enriqueceu muito meu raciocínio. Outra coisa que me marcou nele foi que ele estimulava muito nossa reflexão e eu acho que esse é o verdadeiro papel do professor, nos ensinar a pensar. Nesse ponto os outros três me marcaram muito também, o Gugu fez eu entender pela primeira vez o racismo, ainda que não soubesse que era esse o nome, fez eu me decidir definitivamente pelo direito, porque me mostrou algumas das injustiças do mundo em suas aulas de geografia e eu achei que com o direito podia arrumar o mundo. Eu era jovem e inocente. O Maurício me marcou muito porque ele fazia o link entre literatura e artes plásticas, abrindo um pouco mais o meu mundo, além de ter paixão. Ele tinha uma paixão na sala de aula, pelo magistério, pela literatura... ele era um pouco exagerado, tinha um pé no teatro, mas o sentimento que ficou foi a paixão pelo que ele fazia. E o Bucci... O Bucci declamava Machado de Assis. Ele tinha trechos memorizados e quando os falava era quase como se falasse em verso, porque o tom de voz dele mudava, a entonação era perfeita e ele era capaz de fazer isso com qualquer autor ou tipo de texto. Essa paixão dele pela literatura me hipnotizava. E, além disso, ele discutia em sala temas atuais, tecia críticas à conjuntura política, questionava, informava, ele foi outro daqueles professores que abrem seu mundo e depois você não consegue nunca mais fechar.

Na faculdade a primeira professora que me marcou foi a Ana Cláudia, ela tinha um amor pela aula que dava, por dar aula, e ela me ensinou um pouquinho de sociologia jurídica, que foi uma matéria que abriu um pouco meu coração para entender como as pessoas funcionam, despertou em mim o gosto pela sociologia. Depois a Caraciola, que me marcou porque ela foi a professora com mais didática que tivemos, ela dava processo civil e tinha fama de ser brava, o que era verdade, mas dava as melhores aulas, com ela que o direito realmente passou a fazer sentido, aprendemos como ele funcionava e porquê, além disso, ela também adorava a sala de aula. Do Rodrigo eu já falei, o papel dele em abrir meu mundo mais um pouco foi grande, questionador e paciente ele fez eu repensar as estruturas do direito sem condená-las, mas propondo soluções. Assistindo as aulas dele que pensei a primeira vez em dar aula. Depois veio a Solange, com as aulas de sustentabilidade, aulas que me fizeram repensar hábitos, querer buscar uma vida mais saudável, ser mais sustentável de alguma forma. Ela faz a gente sentir que o nosso pouco é muito. E, por fim, tem a minha orientadora, que nunca me deu aula, mas ao me orientar me deu a liberdade para fazer o trabalho que eu queria e as ferramentas para fazer isso bem, ela acredita tanto em mim que faz eu acreditar um pouco mais em mim mesma e isso é tudo o que a gente sonha em um professor.

Profissão: professor(a)


Final de faculdade, chegando a formatura e os professores a serem homenageados na colação de grau foram escolhidos. A democracia decidiu quem seriam eles, mas além de vários outros professores muito especiais, ficou de fora um que eu admiro muito e decidi que deveríamos fazer uma homenagem extraoficial à ele. A sala concordou de pronto, compramos presente, assinamos o cartão e hoje fomos entregar. Ele mal conseguia abrir o presente de emoção.

Ele é um daqueles professores que não te ensinam só a matéria, ensinam você a refletir, a questionar e a se posicionar de maneira racional; e ele respeita sua opinião e tem uma grande paciência com as dúvidas e questionamentos de todos. Ele é professor por vocação, mas também cansa, porque ser professor não é "só dar aula", é, além de tudo, dar aula e abrir o mundo dos alunos. E nessas horas de cansaço ele desacredita, a vida faz a gente ficar cínico, a atual conjuntura faz a gente ficar desanimado e ele não é exceção. Mas nossa homenagem foi um daqueles momentos em que ele voltou a acreditar, mesmo que nunca tenha realmente desacreditado.

Ele disse, no modesto discurso dele, que professor não muda a vida de ninguém, pode enriquecer, marcar um aluno ou outro, mas a decisão de mudar vem do aluno. Eu discordo. Uma vez que um professor tira a gente da caverna ninguém quer voltar. Foram professores como você que me fizeram perceber que o Direito é lugar para mim sim, tem que ser, porque o Direito precisa da gente. Foi assistindo à suas aulas que eu tive certeza do que deveria fazer da minha vida (ou pelo menos aquela certeza que a gente acha que tem aos 25 anos). São professores e professoras que marcaram minha vida que acabaram por influenciar quem eu sou hoje. Aquele professor de português da sexta série fez eu descobrir que amo escrever, foi aquele professor do cursinho que me fez perceber a importância da história, foi aquele outro professor do cursinho que me ensinou o que era racismo. E na faculdade tive professores que me ensinaram sobre justiça, sobre ética e filosofia sem necessariamente terem me dado essas matérias, profissionais nos quais eu me inspiro para encarar o futuro que vem por aí.  

Não sei como demorei tanto tempo para me dar conta de que dar aulas talvez seja minha vocação também.

16 de novembro de 2016

O assédio de cada dia


Fui a um barzinho com minha mãe, minha tia e minha prima. Minha prima tem 17 e quando éramos eu achava que devia dar conselhos para ela, na minha ignorância dei diversos conselhos que hoje considero errados, porque fui iluminada pelo feminismo, então hoje tento desconstruir aquilo que um dia ajudei a construir nela: o pensamento machista.

Nesse bar nós nos sentamos em uma mesa e começamos a conversar sobre como minha prima queria cursar biologia na faculdade, como a mãe dela (minha tia que estava ali) percebeu, com mais de 50 anos, que o chamado dela era para agropecuária, ou algo relacionado a isso, mas que agora já era tarde. Logo percebi que havia um senhor (pelo menos uns 50 anos) atrás da minha tia, ele estava de costas para nós conversando com um amigo no balcão, mas por diversas vezes se virava e encarava nossa mesa. 

Levei um tempo para aceitar que ele encarava mesmo era a mim. Nós nunca realmente acreditamos de primeira que o cara está encarando a gente, sempre pensamos isso, mas nos persuadimos a achar que estamos enganadas e que ele está encarando outra pessoa, como minha mãe, que estava ao meu lado e tem uma idade muito mais próxima da dele. Nesse primeiro momento de acreditar que não era para mim que ele olhava, levantei o olhar da minha tia para ele e assim que meu olhar cruzou com o dele, ele desviou o rosto. Tive certeza que era para mim que ele olhava. Já fiquei com raiva, pô, estou com a minha família e ele vem me secar? Será que não se toca que incomoda? Que quando saímos com a família não estamos paquerando? Que eu tenho metade da idade dele? 

Ele continuou se virando a cada dois minutos para me encarar e o incômodo foi crescendo. Mais uma vez levantei o olhar para encarar a ele e dessa vez com uma cara bem feia, para demonstrar que não estava gostando daquilo. Não adiantou, ele desviou o olhar, mas logo estava me encarando de novo. E ele estava bem atrás da minha tia, quando ele olhava para ela, via ele ao fundo me encarando. O incomodo aumentou um pouco mais. Minha mãe então comentou baixinho que “aquele homem está paquerando você”, aproveitei a deixa e respondi em alto e bom tom: sim, percebi e não estou gostando. Estou com a minha família e o cara fica me encarando? Que folgado! Minha mãe mandou eu falar baixo, ficou constrangida, ela aprendeu que o interesse de homens de um certo nível social é sempre bem quisto. Eu vejo as coisas de uma forma um pouco diferente.

Não adiantou, o cara não se tocou mesmo depois do que eu falei, e ele estava perto, dava para ter ouvido, o bar era pequeno e até silencioso para um bar. Eu continuei incomodada a cada olhar dele, e esses olhares foram ficando mais longos, mais descarados, passou a virar o corpo e não só a cabeça. Mas eu sou uma pessoa que, por razões desconhecidas, sempre espera a gota d’água para reagir, porque evito conflito com pessoas que não conheço. Então minha prima falou com um pouco daquele exaspero adolescente: “nossa, tá dando aflição em mim o jeito que ele te olha!”. Foi a gota d’água. Levantei a cabeça, olhei brava para ele e perguntei bem alto: “Perdeu alguma coisa?”. Ele se virou de costas para mim de novo, a expressão surpresa, e eu completei “não né? Foi o que eu pensei!”. Minha mãe já me chamava pelo nome querendo que eu parasse, mas eu não parei, não podia. “Ah vai se fuder! Cara folgado!”. Minha mãe me repreendeu baixinho de novo, mas minha prima tinha um sorriso de orelha a orelha e disse entusiasmada: “isso!”, um misto de querer ver o circo pegar fogo e de ver a minha reação me defendendo, então eu soube que tinha feito a coisa certa e aí finalizei: “Quem tem que ter vergonha é ele que está me encarando e não eu que estou me defendendo!”. Minha tia apoiou, mãe solteira, a vida fez dela uma feminista.

15 de novembro de 2016

Trump lá, Temer aqui

Entre segunda e terça fiquei presa em estudos para uma prova, elaboração de um artigo e finalização do meu TCC, logo não dei muita atenção à eleição presidencial que ocorria nos Estados Unidos, ainda que seja a eleição mais importante do mundo. Então hoje acordo e acesso meu Facebook, como todos os dias de manhã, e dou de cara com a notícia do El País me dizendo que Donald Trump foi eleito. Donald Trump é o novo presidente dos Estados Unidos e não tem nada que eu possa fazer, não há nada que muitos de nós possa fazer. 

Me assusta que uma pessoa que assedia mulheres, propaga o preconceito contra os latinos e os homossexuais, e, francamente, tem ideias tão sem fundamento quanto construir um muro na fronteira com o México para combater a "epidemia" de heroína no país, receba votos de pessoas o suficiente para se eleger. Não que a Hillary Clinton fossem uma grande candidata, mas ela certamente é mais competente, e tem ideias menos racistas, xenofobistas, machistas. 

Trump nos EUA e Temer aqui, Inglaterra saiu da União Europeia, logo menos é a França e sabe-se lá quem vão ser os próximos primeiros ministros desses países. É uma onda conservadora que vem derrubando tudo, inclusive vários direitos sociais conquistados pelas minorias e o que me desespera é que o que aumenta a força dessa onda é a ignorância. A ignorância de achar que feminismo é coisa de esquerda, quando na verdade é só a louca ideia de igualdade para homens e mulheres. De acharem que racismo é mimimi das pessoas, e não que algo realmente está errado quando os cientistas sociais e os dados mostram que está havendo um genocídio negro no Brasil, pela polícia! Essa ignorância de não aceitar o amor dos outros e ficar ditando regras para que ele aconteça, falando em Deus e no inferno quando o Estado deveria ser laico. 

Hoje a vitória foi "deles", mas, mais uma vez, todos nós saímos perdendo.

2 de novembro de 2016

O primeiro beijo


Uma e meia da manhã. Murilo estava sentado em uma mesa de bar conversando com seus amigos, seu humor estava péssimo e cada coisa que saía da boca de um dos seus amigos lhe fazia querer gritar. Adriana estava ao seu lado, ela parecia bastante contente, feliz por ele estar ali ao lado dela. Murilo se serviu de mais cerveja, Adriana sorria e mexia no cabelo olhando para ele. Ele havia dito que não queria nada com ela, mais de uma vez, ele só tinha cabeça para Ana, o que o desesperava e confortava ao mesmo tempo, mas mesmo assim ela segurou no braço dele, era quase como se ela o abraçasse. Murilo virou a cerveja que tinha colocado no copo, retirou algum dinheiro da carteira e entregou a um dos amigos. Saiu sozinho do bar, sem explicações ou justificativas, e pegou um uber.

Quinze para as duas... da manhã. Ana estava de pijama sentada em seu sofá, caderno em mãos, escrevendo frases desconexas com uma mão e bebendo vinho com a outra, o sono não chegava de jeito nenhum. Não que ela estivesse preocupada em acordar cedo, era madrugada de sábado, mas ela queria que aquele dia acabasse logo. Revirou os olhos imaginando que aquela altura Murilo provavelmente estava em um bar qualquer com seus amigos. Ele lhe chamou para ir, mas ela não gostava dos amigos dele, não gostava de como ela se sentia como um peixe fora d'água com eles, e não foi. Colocou o copo na mesa de centro e olhou o celular: nenhuma mensagem. Não era como se ele devesse alguma mensagem para ela, eles não tinham nada, eram amigos e amigos não mandam mensagens de madrugada.

Murilo desceu do uber. Passou o caminho todo pensando que não deveria fazer aquilo, que estava um pouco bêbado e que ela iria ficar puta, mas não conseguiu se impedir. Tudo bem, ele não tinha nada com a Ana, mas ele gostava para caralho dela, ele sempre gostou, desde que tinha quinze anos. E ela gostava dele, quando eles tinham quinze anos e agora, ele sabia que sim, mas sabia também que ela não tinha coragem de admitir, de aceitar para si mesma. Ele tentou ser paciente, dar espaço, deixar ela dar os passos que precisavam ser dados, mas agora ela tinha chegado na fase de o excluir, dar um gelo, se afastar fugindo do que ela sentia. Ele sabia que era assim porque da última vez foi a mesma coisa. Então ele precisava fazer alguma coisa e quando Adriana abraçou seu braço ele soube disso.

A campainha do apartamento tocou fazendo Ana congelar. Ela morava em um prédio e ninguém entrava sem ser anunciado, então devia ser algum vizinho, mas quem? As duas da manhã? Colocou o caderno de lado e foi atender a porta. Olhou pelo olho mágico e congelou de novo. Como ele entrou no prédio? Foi seu primeiro pensamento, seguido de 'o que que ele está fazendo aqui?'. A campainha soou mais uma vez, ele parecia nervoso, ela se olhou no espelho, mas de pijamas, coque improvisado e pantufas, não tinha muito como improvisar. Também! Eram duas da manhã! Ela abriu a porta sem disfarçar a confusão no olhar, mas não teve tempo de perguntar nada. Murilo foi em sua direção, segurou seu rosto com as mãos e a beijou.

Ana não teve tempo de pensar, de reagir, o que era o plano dele. Se ela tivesse tempo iria fugir. Inicialmente as mãos de Ana se apoiaram no peito dele, como quem vai o empurrar, mas ela nunca encontrou a força para isso. Não que ele a beijasse com força, na verdade o beijo era suave, as mãos dele segurando o rosto dela eram muito mais para apoio do que para segurar e as mãos dela que eram para empurra-lo acabaram ficando ali. Murilo separou o beijo depois de alguns segundos e a encarou em silêncio, as mãos ainda em seu rosto.
- A gente provavelmente devia fechar a porta - disse ela.
Ele apenas sorriu e chutou a porta atrás de si.