6 de janeiro de 2017

Laura e Miguel

-Você já encontrou o Miguel?- perguntou sua mãe fingindo um tom casual.


Miguel. Esse não era o nome de um anjo? 


-Algumas vezes, o necessário para ter uma filha com ele - retrucou Laura com sarcasmo, sua mãe revirou os olhos - não mãe, não desde que ele se mudou para o Rio.


-Então você não falou com ele depois que ele voltou? - Laura abriu a boca para falar, mas sua mãe continuou - ele falou para você que estava voltando? Ele deve ter falado pelo menos para a Sofia! 


-Sim, ele avisou, mas eu não o encontrei, apenas nos falamos por telefone - respondeu Laura, mais para que sua mãe parasse com o questionário do que qualquer outra coisa.


-Ele é um menino lindo, uma pena que seja tão irresponsável. Talvez se vocês tivesse se casado ele seria mais adulto - Laura revirou os olhos. Oito anos das mesmas ladainhas, quem disse que o tempo muda as coisas? - Mas ele sabe ser charmoso, não sabe?


-Uma das razões pelas quais eu engravidei da Sofia, mãe - retrucou Laura em um tom ácido, sua mãe ignorou seu comentário deliberadamente

-Quando ele chegou hoje trouxe flores! Flores! Fazia anos que eu não ganhava flores!


-Espera, o Miguel está aqui? - perguntou Laura sentindo seu coração pular uma batida.


-Sim, eu não acabei de te dizer que ele voltou para São Paulo? - respondeu sua mãe em um tom impaciente.


-Você não disse que ele estava AQUI!

 

-Mas é claro que sim, eu não poderia deixar de convidar ele para a festa! Isso seria falta de educação! 


-Eu preciso ir no banheiro - disse Laura sem dar tempo para sua mãe responder.


Ela seguiu pelo corredor até entrar em seu antigo quarto e fechou a porta ao passar, mesmo sabendo que ninguém entraria ali. Seguiu para o banheiro e fechou a porta mais uma vez. Ela não queria usar o banheiro, só queria um minuto sem escutar a voz de sua mãe, sem escutar seus monólogos sobre o Miguel e, principalmente, Laura precisava de um minuto sozinha antes de se encontrar com ele. Um minuto para se preparar para encontrar aquele homem que tinha uma resposta para todas as suas tiradas, que quando sorria fazia ela se sentir a mulher mais especial do mundo, que sabia perfeitamente o efeito que tinha sobre ela e que por isso se deliciava brincando com seu charme. Miguel podia ser um nome de anjo, mas aquele Miguel não tinha nada de angelical.


Nenhum comentário: