29 de abril de 2017

Mais uma da série "Ansiedades da Vida"

Cada noite que eu deito minha cabeça no travesseiro meu peito se enche de angústia, eu consigo esconder esse medo o dia todo, mas de noite ele me invade. É o medo de nunca conseguir melhorar, não conseguir viver meus sonhos, ou meus planos mais simples... Medo de não achar um bom emprego como advogada, algo que pague razoavelmente e cujo local de trabalho seja saudável; medo de não conseguir juntar dinheiro para tentar a vida no Canadá; medo de nunca viver nenhuma aventura emocionante como passar um tempo perdida na índia ou na América central... Medo da minha vida não dar certo e do ponto dela ter sido a faculdade.


Eu sei que não faz sentido esses meus medos; que provavelmente vai ficar tudo mais ou menos bem; que eu tenho uma rede de apoio e estou melhor do que muita gente por aí... Mas quando eu deito para dormir eu ainda quero chorar de desespero em posição fetal enquanto chamo pela minha mãe. 


É, talvez pensar no assunto me leve de volta aquele sentimento que me preenchia no final de 2015, sentada no chão da livraria depois da faculdade e antes do trabalho. É bizarro que já faz um ano e meio, né? Parece que foi ontem. E ao mesmo tempo que desde então aconteceram coisas boas como passar na OAB, me formar, ganhar o Prêmio TCC e entrar na Pós eu ainda sinto que, pelo menos de certa forma, desde que saí da 7 minha vida não deu mais certo. Deve ser até pecado sentir isso, porque o universo me deu coisas boas e mesmo sendo muito agradecida por elas ainda sinto que falta algo, ainda sinto que as coisas não estão boas.


Então é, eu tento ser otimista, tento não pensar nisso durante o dia, tento focar no aqui e agora, mas de antes de dormir minhas defesas caem e o medo me domina por um tempo. Vai passar. Vai melhorar. Vai ficar tudo bem. Sempre fica. Ontem ficou, hoje vai ficar também.

12 de abril de 2017

Alguns sonhos precisam morrer

Hoje eu assisti ao último episódio de uma série que acompanhei durante aproximadamente 8 anos e com o episódio final veio um turbilhão de sentimentos que me pegou de surpresa e me arrebatou de um jeito que acho que só a escrita salva. É sempre difícil passar os sentimentos para palavras, primeiro porque é preciso definir o que eu estou sentindo, depois porque achar as palavras certas nunca é uma tarefa fácil.

A série era adolescente, grandes amores, pessoas com poderes, jovens que salvam o mundo e sentimentos de lealdade inquebráveis. E na televisão isso é sempre bonito, é um sonho, na verdade, mas como disse um professor meu de literatura quando eu tinha 16 anos, os sonhos são são lindos, mas mesmo que se realizem perdem a magia. Nesse contexto, um sentimento que me vem é que eu cresci vendo essas séries, lendo essas histórias e não vivendo absolutamente nada disso. Primeiro porque não é da minha índole, segundo porque na vida real eu não tenho poderes, não salvo o mundo, os vínculos de lealdade são fortes, mas quando postos a prova não é por causa de um vilão que quer destruir o mundo, mas porque alguém errou e isso nem sempre é fácil perdoar e esquecer. Eu sempre quis viver essas histórias e hoje fui atingida com a realidade, eu já sabia dela, mas ainda doeu.

A única maneira de viver essas grandes histórias agora seria escrevendo elas, mas sempre que penso em alguma coisa me autosaboto, fico em branco, não escrevo.  E depois me sinto incompetente por não ser capaz de escrever o que quero, fico com raiva por sempre desistir, por nunca achar uma ideia nova, boa, que me dê vontade de seguir. É como se eu esperasse que uma lâmpada se acendesse na minha cabeça e a ideia surgisse pronta, para eu só colocar no papel e publicar.

Outro sentimento que me veio foi o da desesperança com meus sonhos mais reais. Quando criança e até hoje se formos ser sinceras, eu sempre quis ser atriz, viver esses romances épicos nem que fosse na televisão, mas hoje me dei conta que isso é outra coisa que não vai acontecer. Essas histórias são adolescentes e com 26 anos eu já estou velha demais para interpretar esses papéis. Então me bate um desespero porque estou mais perto dos 30 do que dos 20 e não fiz nada do que queria, não sou uma grande estrela, não vive histórias épicas, se quer tenho um emprego nesse momento e o tempo está passando. Eu, pelos padrões da sociedade, estou ficando velha e esses meus sonhos são para adolescentes.

Não me leve a mal, eu tenho planos de vida bastante concretos como arranjar um emprego, viajar, ter filhos, fazer um mestrado ou outra faculdade, mas hoje fui obrigada a perceber que nunca vou ser aquilo que eu sonhava em ser quando criança, nunca vou vier as histórias dos meus sonhos... eu se que consigo escrevê-las. Então do meio para o fim do episódio eu só fiz chorar.

5 de abril de 2017

Disciplina e propósito

É engraçado como na vida a gente passa por inúmeras "épocas", momentos, fases, como você preferir chamar. Eu estava muito desanimada com meu desemprego, principalmente por estar mandando semanalmente, para não dizer diariamente, um sem número de currículos e não receber respostas, ou não passar na entrevista (e só saber porque eles nunca mais entram em contato com você). Então decidi que precisava um atividade paralela, pensei em algumas opções, como trabalhar de correspondente, fazendo visitas à fóruns e tirando fotos de processos, mas descobri que esse tipo de trabalho pode ser um tanto problemático, com pagamentos baixos e calotes sendo bastante comuns. Foi quando fiquei ainda mais desanimada.

Um amigo meu está só estudando para concurso e eu me lembrei dele. A simples ideia de parar toda sua vida para se dedicar aos estudos a fim de entrar em algo hiperconcorrido me dava vontade de correr, mas com o incentivo dele acabei me convencendo a comprar a apostila e estudar um pouco, pelo menos enquanto não encontro um emprego. É uma forma de colocar um plano B em ação sem tirar o plano A de campo. Eu sei que concurseiro que se preze coloca o concurso em primeiro lugar, mas eu fiz três anos de cursinho, eu não queria passar por aquilo de novo, sentir aquele desespero de não passar na prova, a simples ideia de se dedicar tanto à alguma coisa me assusta muito!

O que eu não esperava era que começar a estudar fosse me dar um senso de propósito. Eu já estava fazendo um cursinho online de inglês, mas era meramente para não ficar o dia todo sem fazer nada e eu nem estava sentindo que estava adquirindo muito conhecimento. Estudar para o concurso tem um objetivo e é um objetivo próximo, minha psicóloga bem diz que eu sou movida é metas auto ou heteroimpostas. Eu comecei a vislumbrar a possibilidade de passar e a desejar isso com vontade, me mover para isso de uma maneira voluntária que eu nunca achei possível.

Eu me organizei essa semana, estudando um pouco todos os dia, tenho uma meta diária, também tenho feito os exercícios do alemão e não simplesmente deixando para a véspera da aula, além de enviar currículos, fazer exercícios físicos e as leituras prévias para as aulas da pós. Eu ainda tenho conseguido me disciplinar para acordar cedo e cumprir essas metas. Eu sei, faz uma semana que estou nisso e pode ser que amanhã venha tudo por água à baixo, mas nessa semana me senti produtiva como não me sentia a meses, como se agora houvesse um propósito em acordar cedo.

Pode ser que eu não passe no concurso e sei que isso vai me deixar bastante triste, mas pelo menos estou vendo que sou capaz de me disciplinar para realizar atividades que eu quero, coisa que achava impossível até semana passada.