27 de agosto de 2017

O que você quer?


Eu sempre quis ser uma daquelas meninas de espírito livre das comédias românticas, aquelas que mudam a vida do mocinho com leveza e desapego. Acontece que eu sou nada desapegada, eu sou prática, eu resolvo problemas, eu me importo com os outros, eu  vivo dilemas sobre mim mesma, dou risada das minhas desgraças e o mistério desaparece logo depois de você me dar "oi", porque vou te contar minha vida toda assim que você deixar.

Eu me decepciono e sigo em frente, me deparo com muros e dou um jeito de derrubá-los, ou de mudar meu caminho, o que for mais vantagem. Dou risada depois de chorar porque não sou capaz de viver na tristeza, mas me preocupo como todo mundo, com todo mundo. Sempre vivi muito ligada nos outros, pelos outros e como os outros esperam, então agora que estou começando a viver por mim não tenho muita certeza do que fazer... vou sobrevivendo.

Mas não quero sobreviver. Quero saber meus gostos, encontrar paixões por coisas e pessoas, me sentir queimar de desejo, alegria, dor. Tenho me deparado muito com a pergunta "o que você quer" e minha resposta é sempre enrolada no meio de uma risada e pensando "essa é a pergunta de um milhão de dólares, não é mesmo?". Mas eu quero saber, comecei a perceber que eu quero descobrir essa resposta, mesmo sem saber direito como, sem ter ideia de por onde começar. 

Eu me conheço, mas ainda quero me entender melhor, me definir para mim mesma, se é que isso é possível. Quero decifrar meus desejos, determinar meus sonhos, traçar metas longas. Quero me descobrir como adulta, porque acho que como adolescente e jovem já me vivi. Quem sou eu agora? O que eu quero?

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