27 de outubro de 2017

São os hormônios

Uns meses atrás percebi que estava com um nódulo na tireoide, eu apalpei meu pescoço e senti. Tentei ignorar por alguns dias, mas o assunto não me saiu da cabeça, então comparei com o pescoço das minhas amigas e o delas não tinha. Olhei no google a anatomia do pescoço e descobri que o nódulo provavelmente estava na tireoide. Eu já sabia, alguma coisa na minha cabeça gritava isso. Minha primeira reação foi pensar "Droga, 26 anos e um câncer na tireoide. Puta que o pariu!". Claro que foi só um palpite, é que uma colega de escola tinha tratado um câncer na tireoide no fim do ano passado e esse fato me chocou bastante, então quando senti a bolinha no pescoço eu simplesmente soube que era a mesma coisa.

Fui no pronto-socorro com a minha mãe, o clínico geral disse que devia ser um nódulo na tireoide, que era comum e me mandou fazer uns exames para depois mostrar ao endocrinologista. Era o que eu esperava que acontecesse quando decidi ir ao hospital. Fiz os exames na semana seguinte, exames de sangue e ultrassom, levei ao endócrino e ele me mandou fazer mais exames, dessa vez uma punção. Quando vi o resultado da punção mandei para o meu irmão. O laudo dizia que era um carcinoma papilífero, o nome "carcinoma" já me disse que era câncer e o google me confirmou, então nem me dei ao trabalho de mostrar o exame para o endocrinologista, aguardei meu irmão me responder a mensagem. Ele me ligou uma hora depois, tinha me enviado dois e-mail sobre o assunto, marcado uma consulta com um cirurgião de cabeça e pescoço para dali a dois dias e feito um pedido de exame para que eu fizesse naquele dia mesmo e pudesse levar na consulta. Ter irmão médico tem suas vantagens.

Minha mãe ficou bastante assustada, mas na consulta ela se acalmou, meu irmão também, ele acha que eu não percebi, mas ele ficou assustado também. Eu não. Eu li o material que meu irmão me enviou e li as informações das pesquisas que fiz e o médico apenas confirmou o que eu achava, que ia ficar tudo bem. Ele pediu mais alguns exames e um mês depois eu estava sendo operada e tirando minha tireoide. De certa forma minha vida mudou para sempre ali, vou ter que tomar hormônio para o resto da minha vida e fazer exames de acompanhamento, se parar o hormônio as consequências são chatas, cansaço, sono, frio, meus sentimentos fogem ao meu controle, prisão de ventre, inchaço, menstruação irregular e outras cositas más. Mas tudo bem, eu precisava tirar o nódulo e o jeito mais seguro de fazer isso e evitar a volta do câncer era tirando a tireoide.

Depois da cirurgia o nódulo foi para biópsia e o diagnóstico foi confirmado. Meu médico consultou alguns colegas e achou melhor que eu fizesse um tratamento chamado iodoterapia, que é meio padrão para quem teve câncer na tireoide, serve para garantir que não tenha mais células doentes no seu corpo ou algo assim. O ruim desse tratamento é o preparo, um mês sem hormônio e uma dieta leve em iodo por três semanas. Notícia relâmpago? Tudo tem iodo. Tive que fazer minha própria comida, por três semanas a fio, com um sal especial e sem graça, evitando ao máximo coisas industrializadas, sem chocolate ou leite, cansada por causa da falta de hormônio, me sentindo fora de mim porque acho que o maior sintoma que tive foi a depressão e ao mesmo tempo dando graças a deus por não ser um câncer mais sério porque se não eu teria que fazer quimioterapia e isso deve ser bem pior.

Hoje fiz a pesquisa de corpo inteiro, conhecida como PCI, eles sempre fazem esse exame uns dias antes da iodoterapia já que o preparo do exame e do tratamento é o mesmo. Meu exame mostrou uma quantidade anormal de células tiroideanas no pescoço, pode ser que ainda tenha tecido tiroideano lá, que meu médico não sabia, não viu, não sei. Pode ser que tenham nódulos nos linfonodos que os exames anteriores não mostraram, ou mesmo que nasceram depois da cirurgia. Isso significa que antes da iodoterapia eu preciso fazer uma tomografia, e acho que outra ultrassonografia, e que talvez eu tenha que ser operada de novo, para retirar esse tecido ou esses nódulos. Talvez eu fique com uma cicatriz enorme no pescoço, e em todo caso vou precisar passar de novo por essa tortura de preparo para a iodoterapia mais lá para frente.

E, sabe, eu sou uma pessoa animada, otimista até, bem humorada, mas hoje foi difícil. Fiquei com uma bola na garganta o dia todo... Talvez sejam os hormônios. É só que eu achei que ia fazer o tratamento semana que vem e depois isso tudo teria acabado, eu iria ficar tranquila e só fazendo uns exames de acompanhamento tranquilos. Mas não. Vou precisar continuar a lidar com isso e a lutar contra meu próprio corpo, contra algo que não sei como nem porque apareceu em mim e de repente me deu um medo... Esse é o tipo de câncer que é super comum, que não tem consequências graves e nem tratamentos ultra agressivos, mas estava tudo certo e de repente fui surpreendida com a notícia de que não estava tudo sob controle, não estava acabando... me deu medo. Medo de que 26 fosse minha idade final e eu acabasse nem experimentando a maior parte das coisas da vida. Eu sei, racionalmente, que esse medo é infundado, mas a resposta emocional as vezes vem sem medida de razão. Deve ser a falta do hormônio. Amanhã volto com ele e paro de chorar, volto a ser forte e a não demonstrar medo ou que estou de saco cheio, porque é isso que preciso fazer. Preciso ser forte pelo outros, pelo meu irmão que está com pena de mim, pela minha mãe que está com medo por mim, pela minha avó que nem pode sonhar com isso... Por mim, se não eu desmorono.     

20 de outubro de 2017

Acende a luz, por favor.

As vezes o mundo gira e gira e a gente acaba voltando para o mesmo lugar.



O mesmo medo de não saber onde isso vai dar, a mesma paciência, a mesma insegurança, o mesmo incomodo de não saber o que você está pensando, o que você quer, como você recebe as coisas que eu digo... Parte de mim nem entende porque estamos de novo aqui, o que você vê em mim? O que em mim te agrada? Eu não consigo identificar o que é e isso me incomoda. Não deveria incomodar, porque a verdade é que eu também não tenho certeza do que eu quero de você... talvez eu seja egoísta e carente a ponto de querer apenas a atenção, a dose de carinho e interesse... Eu senti falta disso. Talvez eu goste mais de você do que percebo, do que me deixo reconhecer. Fico pensando se não estou me protegendo quando decido agir mais passivamente e só ver no que vai dar. É que esse tipo de ação tira um pouco a responsabilidade dos meus atos, né? Se der errado a culpa não é tanto minha.

Mas é. Sempre é um pouco minha porque eu faço parte disso aqui. Será que te machuquei? Será que da última vez você ficou meio chateado comigo ou você nem se importou? Eu não quero ter te chateado, mas também não quero ter sido um momento em branco na sua vida que passou e não te marcou em nada. Você me marcou. Eu já falei disso aqui. Você derrubou algumas barreiras e chegou perto, mas eu andei para trás no final. Qual seu sentimento nisso tudo? O que você está sentindo agora? Eu sinto meu coração um pouco inquieto, não sei se apertado ou disparado, mas é que estou saindo da minha zona de conforto e sempre fico meio assim quando saio dela, com milhares de borboletas no estômago e vontade de vomitar todas elas.

O que você pensa? O que você quer? Eu sei que é exigir muito de você saber o que você quer quando eu não tenho a mínima ideia do que estou fazendo com a minha vida, mas eu funciono assim, quero saber exatamente como é o terreno em que estou entrando e com você eu não sei o que esperar. Nem de você e nem de mim. Esse negócio de se relacionar com outra pessoa, sério ou não, é um salto no escuro e eu me sinto muito desconfortável no escuro.

17 de outubro de 2017

Deshormonizada e saudosista

Talvez você seja mais maduro do que eu, saiba que o amor precisa de tempo e insistência, que ninguém é perfeito para ninguém e que os defeitos precisam de espaço para existir.

Talvez minhas fugas sejam reflexo da minha imaturidade, eu que sempre me gabei de ser madura e razoável. Talvez eu ainda não consiga amar as imperfeições dos outros porque não amo as minhas, e ache que o amor vai acontecer de uma hora para a outra, quando um dia eu acordar e encontrar em uma esquina qualquer meu par perfeito.

Talvez tenha sido isso que nos afastou. Meu medo de você não ser perfeito para mim, como se existisse uma medida certa e você não estivesse nela. Acho que, sem saber, era como me sentia. Besteira minha que agora fica a olhar pelas ruas a ver se encontro seu olhar. Seu sorriso. Eu que nem sei o que é te amar, mas depois de tanto tempo comecei a pensar em tentar.

É que eu me sinto sozinha, nostálgica, deshormonizada. Não sou eu não aqui nesse corpo. Mas sou eu sim, curiosa de saber como é te amar e saudosa de ser amada por você.

15 de outubro de 2017

As incertezas de mim

A gente se distanciou e eu sempre achei que tudo bem. Mas de umas semanas para cá não está mais tudo ok, sabe? Fico pensando o que será que você pensa de mim, se você acha que sou "bipolar", porque te dei bola e nunca fiz nada; ou se você acha que fui cruel, porque te dei bola sem ter intenção de ter mais nada; ou talvez você ache que a vida é assim mesmo e ficou uma memória boa... ou se você não acha nada porque nem lembra que eu existo, eu não te marquei nada.

Confesso que fico em dúvida sobre qual é a pior opção.

E fico imaginando se fui precipitada, se não deveria ter deixado isso acontecer, se deveria ter tentado, se deveria ter investido mais ao invés de só deixar acontecer passivamente. Essas dúvidas sempre vem depois de um bom tempo, né? Se vissem na hora as coisas poderiam ser diferentes. Você sabia que foi o único cara que um dia parou e tentou me conhecer e teve paciência para trabalhar com as minhas barreiras? Você talvez ache que nunca fomos nada demais, mas a verdade é que você conseguiu derrubar inúmeras barreiras minha, barreiras que ninguém mais conseguiu. Isso foi bem impressionante para mim.

Mas nós somos tão diferentes e sou tão fútil que acabei achando que era melhor deixar para lá, nunca ia dar certo, era desconstrução demais, vivemos em frequências diferentes e é melhor parar por aqui. E parou. Parei.

E agora, mais de um ano depois venho me questionar, sentir saudades e olhar o celular tentar decidir se mando mensagem ou não. Afinal, um match é algo significativo, né? Quer dizer que você não me odeia. Mas você também não manda mensagem, então talvez não se importe. Ou deu o like lá atrás.

Ainda bem que tenho psicóloga... acho que a sessão dessa semana vai ser longa.

6 de outubro de 2017

I was happy to see her

Her eyes were so bright… as if she was looking straight to the light. But she wasn’t. She was looking at me. And she looked delighted with my presence, because there was a smile in her face that I have never seen before. I couldn’t quite understand, I mean, she had said she was a bit like a cat, which, in my mind, meant that she needed to be left alone and that she would come to me whenever she wanted. But a whole year had passed since she had left me heart broken, not by anything she said, but by what she didn’t said. The distance that took place between us slowly and, I had thought, permanently. And now... there she was... looking gorgeous and fascinated by my presence. So I did the only thing I could: I smiled too, and forgot all the pain that I had felt once, because she was there and happy to see me, so I was happy to see her.