23 de dezembro de 2018

Retrospectiva 2018

Eu estou a algum tempo evitando este post. Acho que fico um pouco desconfortável de ter que rever o que fiz ou deixei de fazer em 2018, medo de o saldo final ser negativo de alguma forma. Mas o natal taí e acho que essa é a melhor época para repensar o ano, fechar o balanço para o 2019 que vem aí. Então abri a aba do navegador, cliquei em "nova postagem" e vamos ver o que aparece.

O ano começou comigo ainda tratando o câncer de tireoide que descobri em junho de 2017, parece que já fazem séculos desde que passei por tudo isso, mas foi só em março deste ano que tudo de fato terminou. Eu fiz a iodoterapia, tive que passar pelo período sem hormônio de novo e naquela dieta e foi uma experiência diferente do que a da primeira vez, pois não fiquei tão triste e sensível, fiquei mais combativa. Isso me levou a uma crise no trabalho, porque o meu chefe sempre pisa mais em que está por baixo, ele gosta de chutar cachorro morto, mas eu me mostrei uma fênix, enfrentei ele, fiz o tratamento, voltei ao trabalho saudável, recuperei a sanidade com o equilíbrio dos hormônios e um mês depois ele estava todo feliz achando que eu era a melhor advogada da equipe. Nós ainda temos nossos conflitos, isso nunca vai acabar, mas agora eu estou saudável, não duvido mais de mim mesma como duvidei no fim de 2017 e sinto que todo esse caminho me fortaleceu, estou mais forte para brigar e para me defender de pessoas tóxicas como ele.

O ano foi seguindo e eu comecei a ver uma endocrinologista, para tentar organizar meu cálcio, que, aparentemente, interfere no meu fósforo e no meu ferro. Alô anemia, minha velha amiga. Nada sério, já aceitei essas minha limitações, no começo fiquei bastante frustrada, mas a verdade é que a moça do banco ontem tem razão, tem tanta gente pior, que eu deveria estar é agradecida por ter chegado aqui bem como cheguei.

Com a sanidade, veio aquela velha vontade de me apaixonar e como o destino é sacana colocou logo no meu caminho algumas distrações interessantes. Primeiro veio um colega de trabalho que virou minha cabeça de um jeito que nem sei explicar. Enquanto tentava evoluir com ele, meio desconcertadamente, me aparece o R, que desde 2014 entra e sai da minha vida, sempre lisonjeiro, sempre me fazendo querer muito retribuir a admiração. Fui em um encontro com o R, aquele que adiei por 4 anos! Foi bom, eu gosto dele, mas a verdade é que não consigo retribuir o que ele sente por mim, por mais que eu queira muito, porque ele é um dos caras mais legais que conheço. Continuei minha listinha de coisas que deveria fazer para me aproximar/demonstrar como me sinto ao meu colega, mas nada com muito sucesso. Teve muito ciúmes, teve muito esforço, teve atos falhos e eu me vi me expondo de uma maneira que nunca tinha feito antes. Nesse meio tempo veio meu professor de alemão, por quem o crush foi crescendo de uma maneira meio inesperada, e eu sem saber se ele era gay ou apenas estrangeiro. E, em meio ao colega e ao professor, surgiu um encontro no bom e velho Tinder. Me fez provar mojito e descobrir um bar novo, mas não deu em nada. Eu sabia que estava na defensiva com ele, mas tive discernimento para pensar se queria mais e perceber que não. Foi um passo. Tudo bem. Dias depois, no ápice do crush, outro passo, perguntei para um colega da escola se ele sabia da sexualidade do prof, acontece que ele é gay E estrangeiro. Chateada, mas satisfeita do passo, demonstrei para alguém meu interesse, foi um passo. O colega ainda está aí, um olho nele e outro no mundo, mas aprendi a ter paciência com ele, respeitar o véu da sedução. Eu estou andando devagar, mas voltei a andar um pouco, depois de um tempo parada, isso exige esforço e paciência, não adianta tentar apressar as coisas que dá tilt.

Aliás, outro passo foi em relação a bebida: bebi meu primeiro drink inteiro em 2018. Antes de ontem mesmo. Desde o ano novo eu venho provando coisinhas, apenas golinhos, de vez em quando, com os amigos, depois no encontro do Tinder mais de um golinho, golinhos no plural, não por gosto, por educação, mas valeu a experiência. Então na sexta/sábado o primeiro drink: Sex on the beach. Disseram que é fraquinho e não senti nada, mas fiquei feliz de provar, de fazer um pouco parte deste grupo. Fiquei preocupada também, com alcoolismo, mas conversei com meu irmão e ele me acalmou.

Também já preparei o caminho para ir para a Alemanha em 2019, fui na agência, vi o programa, mudei de ideia sobre como ir (estágio ao invés de faculdade) e defini na minha cabeça uma data. Se tudo der certo vou em outubro, depois de uma viagem por Portugal e Espanha com meus tios e minha mãe. Vamos ver. Sei bem que na vida a gente planeja e a vida faz o que quer, então vou com calma.

Na minha família teve muita briga e discussão por causa dos cuidados com a minha avó, meu sobrinho também ficou doente, mas passa bem, tive momentos difíceis no trabalho, meu professor de português faleceu trazendo alguns questionamentos sobre minha escrita e eu não vivi aquele grande amor em sua plenitude, como sempre quero viver. Mas a verdade é que eu já cheguei a conclusão de que o que a gente leva dessa vida são os momentos bons, então prefiro focar neles. E esse ano eu tive muitos momentos bons. Eu sempre tenho. Eu tô aqui, com planos para o ano que vem, tendo cumprido a maior parte das minha metas de 2018, com saúde, emprego, amigos e sempre trabalhando em mim mesma. O que mais eu poderia pedir?

Engraçado que enquanto 2018 passava me parecia estar voando, mas agora que está no fim me parece que foram 3 anos dentro deste ano, por causa de tudo que aconteceu. Verdade seja dita que eu acho que não tinha tantas expectativas para este ano, mas me surpreendi positivamente. Que venha 2019, com mais aprendizados e surpresas, eu mal posso esperar.    

15 de dezembro de 2018

Querido Professor,

Você se foi e eu não sei como me sentir.

Você foi aquele que fez eu me apaixonar pelas letras, aceitar a gramática e amar a literatura. Foi nas suas aulas que aprendi que amo ler e escrever e que isso é lindo. Mas que não basta apenas escrever, há de se ter técnica. Aprendi também que o teatro é divertido, mas também é trabalhoso. Que a gramática é um meio para um fim e que nossa língua é uma caixinha de surpresas infinita e linda.

Quando penso em você lembro como amo a língua portuguesa e a literatura e ler e escrever. Lembro tudo isso porque foi com você que tudo começou. Obrigada.

Você é um Professor assim mesmo, com P maiúsculo, para que fique clara sua importância em minha vida. Obrigada por ter me apresentado esse grande amor e espero que você siga bem por onde seguir.

Eu aqui tenho para mim que agora você vai seguir os passos de Irene no poema de Manoel Bandeira, mais ou menos assim:

Sílvio preto
Sílvio bom
Sílvio sempre de bom humor.

Imagino Sílvio entrando no céu:
- Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
- Entra, Sílvio. Você não precisa pedir licença

7 de dezembro de 2018

Dear diary,

He makes me feel like I was fifteen again, writing in my diary how good was my day, because I want to be able to hold on to these good moments when they stop happening.

I sat beside him today at lunch. That gave the other girl a not happy face, not happy at all. But I didn't care. I felt bold because I had the guts to sat down beside him. And I really think that when we were picking up our food he stayed by my side on purpose. Then, after lunch he went there to talk a little to the other girl, and I just went there too. I stop beside him again and we stayed like that, talking to her. But again, she was not happy and this time that kind of make me feel good. I guess I am becoming competitive after all... probably just while I am winning. Later we went there again, this time I arrived first, just to talk to her, because when he is not there she is nicer to me. But a little after he arrived, and stopped beside me, sometimes he was really close and it felt really good.

In one of those moments he said that he provoques us because he needs to be fun, to make our day lighter, and that is not his fault that we want to throw him at the wall because of it. I pointed that the "throw at the wall" has a double significance, and he said he knew, it was on purpose. I became shy, couldn't lift my eyes and look at him, just laughed and said something like "uuuh". That is it. I am incapable of flirting. Help me.

But that felt good. The whole day did. Better than the last two, when we had lunch together, just the two of us. Today was a good day.

5 de dezembro de 2018

Mexe comigo

Alguma coisa nele me faz sorrir. Ele é engraçado, é verdade, mas não falo disso. Falo de pensar nele e sorrir. Ele tem um jeito tímido, meio inocente e ao mesmo tempo é tão cheio de experiências... E tem aqueles olhos azuis. Ah os olhos que que cada vez que me encaram parecem me desafiar a alguma coisa. Ainda mais quando ele sorri. Me desafiam a perguntar, a reclamar, a rir, a contra argumentar. Me desafiam a admitir para nós dois que eu quero que alguma coisa aconteça e a fazer alguma coisa a respeito. Nem que seja só descobrir se ele é gay ou só europeu.

O outro me faz suspirar. Suspirar de exasperação, de frustração, de vontade. Ele é gentil e educado, faz parte do charme dele, porque não basta ele ser bonito e inteligente, ele ainda precisava ser gentil e virar um sonho e um pesadelo ao mesmo tempo. Os olhos dele nunca me dizem nada, mas o corpo dele... só de estar no mesmo lugar que eu, eu já quero estar perto, tocar, quero que me acolha e me sinta.

Eu quero o toque do primeiro também, mas os sentimentos envolvidos com o segundo são diferentes, eu conheço ele melhor, ele me conhece melhor. Não é tão superficial, é um pouco menos só físico. E um sentimento não exclui o outro, cada um aparece em seu momento e cada um mexe de um jeito comigo. Eu só preciso me mexer.

1 de dezembro de 2018

Reflexões sobre você

Eu vejo você enrolando para fazer seu trabalho, puxando assunto, chegando perto e fazendo brincadeiras e eu me derreto. É que você tem um jeito doce e me encanta de uma forma que não consigo fugir.

Você me encara e sorri com os olhos e eu esqueço que nós nem gostamos do mesmo tipo de música ou comida. Você senta do meu lado e me toca e eu esqueço que as suas opiniões são completamente diferentes das minhas em assuntos essenciais. Você me provoca pelas minhas ideias feministas, mas depois emite opiniões absolutamente coerentes com essas ideias e consegue me fazer esquecer que eu as vezes detesto sua forma de ver o mundo.

E em meio a esse esquecimento todo eu fico com medo de te olhar e ver sinais que estão apenas na minha cabeça. E aí vejo você sorrindo para outra do jeito que acho que sorri para mim e sinto uma dorzinha aqui dentro. É que sou mimada e quando quero alguma coisa, ou alguém, quero logo, quero por inteiro.

As vezes a vida nos levo por caminhos que só ela conhece e eu tinha certeza que você era um deles. Achava que você era o meu destino e que iríamos acontecer uma hora ou outra. Agora já não tenho tanta certeza disso. Não sei se fomos feito um para o outro, não perco mais o sono por sua causa e não acho que você é o cara mais incrível da minha vida. Mas ainda perco o ar quando você chega perto de mim, fico querendo te tocar e acho que nós seríamos bons juntos. Eu poderia aprender a ser mais que amiga com você e talvez você aprendesse a ser mais homem comigo.

Não sei ainda como você conseguiu, mas foi você que despertou uma mulher em mim, alguém que quer ser sexy, seduzir e ser seduzida. Eu sinto vontade de agir e me debato com medo do resultado dessa atitude. E ainda assim, quando te olho com mais atenção, vejo que você, que tem um conhecimento de mundo que me dá nos nervos e a inteligência de um homem adulto bem sucedido, é também um menino perdido tentando achar seu caminho, morrendo de medo de levar um não.

Eu também tenho medo e aí ficamos nesse silêncio tão barulhento. Mas eu sou otimista, acho que, nem que seja no último minuto, eu vou te falar alguma coisa. E aí vai ser nosso maior crescimento. Mesmo que venha o não. Mas eu sempre sonho que vai vir o sim.